Sábado, Janeiro 24, 2009
TEXTO: 293.
BISBILHOTEIRA DO SENTIR
( ASSIM ASSINEI O TEXTO ANTERIOR )
Sou uma bisbilhoteira decepcionante.
Desconhecidos que aqui vêm, ávidos de mexericos
(o grande alimento de corações e mentes vazios)
saem frustrados, famintos, na certa achando
que o apelido não tem nada a ver. E não tem mesmo.
Coloquei-o como um chamariz, pois quando comecei este
blog (maio de 2003) eu queria mudar, fazer um blog
diferente daqueles que eu via, todos com muitas figuras,
muitos efeitos e poucas palavras. Eu queria fazer um blog
só de palavras, o que atrai pouca gente. Bisbilhoteira, ainda
mais de PLANTÃO, atrairia alguém, pelo menos para ver,
mesmo que não lesse.
Quem se der ao trabalho de verificar, aí nos "Arquivos",
não encontrará nenhuma figura nos primeiros textos. Só
palavras. Atualmente, já uso umas figuras. Confesso que
adoraria colocar algumas figuras de efeito, com luzes,
cores, reflexos, muitos movimentos, mas não disponho
de técnica suficiente para isso. Pena! Já acho bonito um
texto bem escrito e bem ilustrado.
Na verdade, sou mesmo uma "Bisbilhoteira do Sentir".
Sou curiosa em relação aos meus sentimentos e aos
sentimentos dos outros (em relação à forma como reagimos,
como suportamos, como enfrentamos...).
O meu plantão, por isso, é contínuo, pois é impossível
deixar de sentir e deixar de observar a reação dos outros.
Os relatórios desses plantões é que são escassos, há mais
dúvidas do que conclusões, sempre um fato novo que
desencadeia novas maneiras de sentir, de reagir, minha
curiosidade aguçada, observando as mudanças.
Isso tudo parece um palavrório inútil. E é.
Atualmente, com tantas palavras a nossa volta,
é muito difícil dizer (escrever) alguma novidade.
Mas dou um exemplo de como as conclusões do sentir
são mesmo demoradas:
Cito o fato de ter aprendido em Literatura Francesa,
na Faculdade, que, para os Existencialistas (Sartre, etc.),
"só existimos em função do outro", ou seja, através do
olhar do outro, de como nos vêem (ainda uso a velha
ortografia...)... A princípio, estranhei, depois entendi,
achei que tinha entendido. E realmente entendi, tão
superficialmente como entendo que 2+2=4, o que não
causa nenhuma emoção.
Só fui perceber a verdade dessa observação dos
existencialistas há pouco tempo, muitos e muitos
anos depois.
É verdade. É como se existíssemos menos
quando nos falta "o outro" ...
Sábado, 24 de janeiro de 2009.
Cochichado pela Bisbilhoteira on 17:51 | *
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