Sábado, Abril 15, 2006
TEXTO: 248.
PORTAS DE VIDRO X PÁSCOA
( OS FATOS - 2ª PARTE )
Existe a páscoa dos hebreus (festa anual que comemora
a saída do povo judeu do Egito) e a páscoa cristã (festa
anual que comemora a ressurreição de Cristo).
Já escrevi, aqui, sobre isso, bem como sobre a importância
do Domingo de Páscoa para o cálculo das festas móveis
como Carnaval, Quaresma, Semana Santa, Pentecostes.
Não vou me repetir, os textos estão no Arquivo.
No texto anterior, informei que vi, através da porta de
vidro da sala, as cenas horríveis do temporal que nos
atingiu no dia 31 de janeiro último.
Eu iria escrever sobre todos os fatos que ocorreram
depois desse dia fatídico. Mudei de idéia.
É PÁSCOA!
De certa forma, estou vivendo a minha páscoa.
Agora, eu olho através de outras portas de vidro,
enormes. Vejo uma ampla varanda que não precisa
de comportas. As nuvens cinzentas não me aterrorizam
mais, nem precisamos fugir com medo de novas
enchentes. Estamos no terceiro andar, num lindo
apartamento, ainda em fase de arrumação dos nossos
objetos, mas já bem agradável para se estar.
Enquanto eu ficava frente às obras necessárias da casa,
e foram muitas, minha irmã procurava e encontrou este
pedaço de paraíso.
Através dessas novas enormes portas de vidro, além
da varanda, a paisagem é outra, perde-se no infinito.
Através dessas novas enormes portas de vidro, no
terceiro andar deste prédio, neste apartamento bem
confortável e bonito, agradeço mais uma vez a Deus
pelo fato de minha irmã ter encontrado local tão
acolhedor e dentro de nossas posses.
Através dessas novas enormes portas de vidro,
olhando a paisagem (da qual vislumbramos cerca
de 180 graus se considerarmos as janelas, também
de vidro, dos quartos e da enorme cozinha), peço
a Deus que proteja os novos moradores da casa
onde morei desde meus quatro anos de idade,
de onde foi muito difícil sair, mas onde estava
sendo mais difícil ainda ficar, considerando os
sustos pelos quais passei desde o dia 31 citado.
Através dessas novas enormes portas de vidro,
olho com esperança, e calma, a nova paisagem,
procurando driblar a saudade de toda uma vida ...
É PÁSCOA!... RECOMEÇO!...
Que seja feliz a minha páscoa.
Que todos tenham uma FELIZ PÁSCOA!
Com as bênçãos de DEUS.
Ainda estou vindo pouco ao computador.
Perdoem a falta de minhas visitas.
Até o próximo sábado, ou domingo...
Sábado, 15 de abril de 2006.
Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:57 | *
Domingo, Abril 09, 2006
TEXTO: 247.
UM ANJO CHAMADO JOÃO
( OS FATOS - 1ª PARTE )
31 de janeiro de 2006, terça-feira, fim de tarde.
Começa a chover forte novamente. Na sexta-feira
anterior, já havia chovido muito, mas, graças aos
ralos internos, o jardim, as laterais da casa e o quintal
ficaram livres de água, embora, como sempre, a rua
parecesse um rio.
Esses ralos internos foram colocados há alguns anos
por "Seu" João, já que as comportas existentes para
evitar que a água da rua entrasse também evitavam
que a água saísse. Muitas vezes, a rua não enchia e
tínhamos que abrir os portões para a água sair.
Os ralinhos nos tranqüilizaram por vários anos.
Sr. João é eletricista, entende tudo de encanamentos
e de construção, desde a colocação dos alicerces até
os embelezamentos e aprimoramentos de uma obra.
É profissional mesmo, não é curioso. Estuda sobre
o que faz e está sempre se aperfeiçoando (creio que
seu curso mais recente foi sobre telefones).
31 de janeiro de 2006, terça-feira, fim de tarde.
A chuva é muito forte! Olho o furor daquele
dilúvio pelo vidro da porta da sala. Assustador!
As comportas estão em seus lugares e os ralinhos
escoando toda aquela água. A rua... cheia!
De repente, um barulho metálico, tal uma explosão
abafada . Soube, depois, que esse barulho era o portão
enorme da casa da frente que se rompeu, a água, lá,
invadindo todo o andar térreo (eles não têm comportas;
ninguém pensaria em algo semelhante com o muro
daquela casa tão alto, tão forte, e aquele portão grande
e reforçado).
Logo após esse barulho, um outro, rouco, como algo
a se quebrar e, para meu espanto, vejo, através da
porta de vidro, ao mesmo tempo, a água da rua invadindo
o jardim, batendo na comporta da varanda (que resistiu
bravamente), seguindo pelos lados da casa para os fundos,
enquanto nosso muro da frente desabava, lentamente, como
um castelo de cartas, já envolto na massa de água e lama,
seus pedaços, grossos, pesados, sendo arrastados
como tristes plumas ... nossa casa estava mergulhada
naquele mingau de lama, não se via mais o jardim,
éramos um prolongamento da própria rua.
Foram momentos de pânico e de ação. Apenas eu e
mamãe em casa. Começamos a levantar tapetes,
documentos, o que podíamos, porque...
e se as comportas não resistissem?
A chuva a cair, forte, muito forte!
Pela porta de vidro, eu vi a água chegar quase ao nível
da comporta da frente. Mamãe falava ao telefone com
minha irmã e outras pessoas, dizia que, até aquele
momento, estava tudo bem (ela não chegou a ver a água
quase se derramando por sobre a comporta).
A chuva diminuiu. Pela mesma porta de vidro, eu vi,
no muro lateral, a marca que indicava a descida lenta
daquele aguaceiro. Alívio! Acompanhei cada milímetro
daquela descida, agradecendo a Deus por isso.
Foi quando o telefone tocou. Era "Seu" João.
Queria saber como estávamos.
Quando soube, disse que chegaria até nós o mais rápido
possível.
Também atravessaram a lama, para ver como estávamos,
o sogro de minha irmã junto com um amigo nosso, seu
vizinho. Ajudaram na limpeza que já estava sendo feita
por três rapazes incansáveis, surgidos da vizinhança.
Era, apenas, um esboço de limpeza. Era mais um abrir
caminho naquela grossa camada de lama escorregadia.
"Seu" João chegou logo, apesar de morar longe e de ter
que caminhar a pé grande parte do trajeto, pois a chuva
inundara toda a cidade, prejudicando o transporte.
Ele não só assumiu os trabalhos, mas ficou conosco essa
noite ( e outras) para nos fazer companhia na casa sem
muro.
Seremos eternamente gratas, eu e mamãe, pela presença
de Senhor João, não só como profissional, mas como
AMIGO, nesses dias tão difíceis para nós.
Agradecemos também a compreensão de sua família:
Sua esposa (D. Helena), sua filha já adulta (Jose),
seu filho rapaz (Josué) e sua filha,
caçula, de dez anos (Heleninha).
Serão anjos disfarçados?
Obrigada, Seu João, por sua força física, por sua força
de caráter, pela MÃO AMIGA que nos estendeu tão
rápida, eficiente e desinteressadamente.
Até breve (sábado, ou domingo).
Domingo, 9 de abril de 2006.
Cochichado pela Bisbilhoteira on 12:00 | *
Terça-feira, Abril 04, 2006
TEXTO: 246.
"CANTATA EM MIM MAIOR"
. . . ( V O L T A N D O ... )
.
Talvez não seja o título adequado, pois cantata
descreve uma situação psicológica e, no meu caso,
é impossível afastar-me das situações dramáticas
pelas quais passei desde 31 de janeiro último.
Pelo menos, já consigo pensar em música.
Pelo menos, já consigo escrever.
Pelo menos, já começam a ficar para trás
todo o horror, todo o trabalho, todo o cansaço,
todo o desespero por que passei.
Quero, agora, cantar, ainda que meio desafinadamente,
o sossego que se aproxima, a volta a uma rotina
da qual tanto necessito para viver.
É uma cantata para várias vozes, pois, além da minha,
juntam-se as vozes das pessoas que se esforçaram
para que este momento inicial da volta ao normal
chegasse.
Uma cantata com solo muito especial para minha irmã,
incansável, realizando proezas incríveis, às vezes em
dueto com meu cunhado, conseguindo acrescentar
beleza em todos os detalhes.
Uma cantata com o coro de várias outras vozes,
em harmonia perfeita, todas solidárias e eficientes.
Uma cantata cuja melodia tem início triste, medroso,
evolui para o agitado e chega, agora, à melodia
de esperança num caminhar feliz.
Uma pequena cantata, introduzindo o que, com toda
a certeza, narrarei nos próximos textos, não só para
que os fatos fiquem registrados, mas para que eles tentem,
de algum modo, justificar meu longo afastamento
deste cantinho tão querido.
Uma cantata com uma linda melodia de louvor
e de agradecimento a Deus, porque tudo correu bem,
muito bem.
Uma última frase melódica de ALEGRIA,
num crescendo até chegar ao fortíssimo:
ALELUIA! ALELUIA!
Até breve. (Talvez sábado ou domingo ...).
(Terça-feira, 04 de abril de 2006).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 13:10 | *