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Bisbilhoteira de Plantão

Um pouco de tudo... haja assunto

Domingo, Abril 30, 2006


TEXTO: 250.

MALHA FINA DA RECEITA FEDERAL

( L A M E N T Á V E L ! )

Ontem, ao ler o jornal, encontro o seguinte parágrafo:

"O secretário disse esperar uma quantidade menor
de contribuintes retidos na malha fina este ano. Em
2005, 900 mil declarações caíram nas garras do Leão,
número recorde e quase o dobro do registrado no
ano anterior: 453 mil."

. . .(Jornal "O GLOBO", 29/04/06, página 31).

Bravo, Sr. Secretário!

É ótimo que, agora, em 2006, o Leão não cometa a
mesma injustiça cometida no ano passado ("recorde"!),
ou seja, prender na malha fina inúmeras declarações de
idosos com direito à restituição com base nas despesas
médicas, conforme li em algumas cartas dos leitores,
no mesmo jornal, em datas anteriores.

E mais: Entre as 900 mil declarações que caíram nas
garras do Leão, no ano passado, está a declaração de
minha mãe (89 anos atualmente), declaração essa
preparada por mim com todo o cuidado, como tenho feito
já há muitos anos.

Foi com minha mãe e com meu pai que eu e minha irmã
aprendemos os princípios da Honestidade, da Seriedade,
do Respeito que norteiam até hoje nossas vidas.
Era meu pai que preparava nossas declarações, ainda no
papel, com cálculos complicadíssimos feitos um a um.
Meu pai faleceu em janeiro de 2000 e, com muita
tristeza, preparei suas últimas declarações, inclusive sua
Declaração de Espólio.

Eu jamais faria, intencionalmente, algo de incorreto
nas declarações preparadas por mim; não sou infalível,
posso cometer erros, não os encontrei ainda na declaração
retida pelo Leão.
Mas procurei o Ministério da Fazenda, antes do Natal,
para tentar esclarecer o que houve, principalmente a
alegação de "Inconsistência no Valor de Despesas
Médicas" que consta como explicação para reter a
declaração.
Levei a declaração impressa, os recibos (tenho todos,
de médicos respeitabilíssimos), disquete...
A pessoa que me atendeu no Plantão Fiscal nem me
olhou direito, mal me ouviu, repetia sem parar que eu
precisava aguardar minha mãe ser chamada ...

Isso pode levar 5 anos, mamãe estará, então,
com 94 anos...

"Inconsistência no Valor de Despesas Médicas".
Inconsistência? Na certa, com o significado de "falta
de fundamento"; e onde estaria a falta de fundamento?
Minha mãe, em 2005, fez, com êxito, cirurgia de
catarata, obviamente um olho de cada vez, ou seja,
duas cirurgias semelhantes, uma em cada olho, com
diferença de quase um mês de uma para outra; estaria,
aí, a falta de fundamento? De consistência? Com a
autoridade que meus diplomas me conferem, sugiro
alterar essa palavra e torná-la mais clara para o
contribuinte, que merece, ANTES DE TUDO,
SER TRATADO COM RESPEITO.

Interessante! Com isso, minha mãe, aparentemente
nas "garras do Leão", não está devendo nada à
Receita Federal, muito pelo contrário, é a Receita
que deve à minha mãe, pois minha mãe tem direito
à restituição, mesmo sem as declarações médicas.

Já disse aqui, em textos anteriores, e repito:
NÓS, CIDADÃOS HONESTOS, SOMOS
UM PERIGO! Pois é! Minha mãe, 89 anos,
está entre os 900 mil "contribuintes" cujas
declarações feitas em 2005 estão retidas
na malha fina da Receita Federal.

LAMENTÁVEL!

Até o próximo dia 05 de maio, sexta-feira.

Domingo, 30 de abril de 2006.

Cochichado pela Bisbilhoteira on 21:55 | *
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Domingo, Abril 23, 2006


TEXTO: 249.

O U S A D I A ...

( FALANDO POUCO )

Segundo a escritora Clarice Lispector,

" O que nos impede, na maioria das vezes,
de ter o que queremos, de ser o que sonhamos,
de fazer o que pensamos e aceitar com o coração
é a ousadia que não cultivamos.
"

No meu caso, cultivo muito pouco a ousadia.
Talvez tenha perdido muitas oportunidades em
minha vida por ouvir mais a razão, deixando de lado
o que meu coração gritava.

Mesmo reconhecendo isso, não me arrependo.

Agora, eu pergunto:

VOCÊ CULTIVA A OUSADIA?

Até o próximo domingo ... (ou segunda-feira...).

Domingo, 23 de abril de 2006.

Cochichado pela Bisbilhoteira on 22:25 | *
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Sábado, Abril 15, 2006


TEXTO: 248.

PORTAS DE VIDRO X PÁSCOA

( OS FATOS - 2ª PARTE )

Existe a páscoa dos hebreus (festa anual que comemora
a saída do povo judeu do Egito) e a páscoa cristã (festa
anual que comemora a ressurreição de Cristo).
Já escrevi, aqui, sobre isso, bem como sobre a importância
do Domingo de Páscoa para o cálculo das festas móveis
como Carnaval, Quaresma, Semana Santa, Pentecostes.
Não vou me repetir, os textos estão no Arquivo.

No texto anterior, informei que vi, através da porta de
vidro da sala, as cenas horríveis do temporal que nos
atingiu no dia 31 de janeiro último.
Eu iria escrever sobre todos os fatos que ocorreram
depois desse dia fatídico. Mudei de idéia.

É PÁSCOA!
De certa forma, estou vivendo a minha páscoa.

Agora, eu olho através de outras portas de vidro,
enormes. Vejo uma ampla varanda que não precisa
de comportas. As nuvens cinzentas não me aterrorizam
mais, nem precisamos fugir com medo de novas
enchentes. Estamos no terceiro andar, num lindo
apartamento, ainda em fase de arrumação dos nossos
objetos, mas já bem agradável para se estar.
Enquanto eu ficava frente às obras necessárias da casa,
e foram muitas, minha irmã procurava e encontrou este
pedaço de paraíso.

Através dessas novas enormes portas de vidro, além
da varanda, a paisagem é outra, perde-se no infinito.

Através dessas novas enormes portas de vidro, no
terceiro andar deste prédio, neste apartamento bem
confortável e bonito, agradeço mais uma vez a Deus
pelo fato de minha irmã ter encontrado local tão
acolhedor e dentro de nossas posses.

Através dessas novas enormes portas de vidro,
olhando a paisagem (da qual vislumbramos cerca
de 180 graus se considerarmos as janelas, também
de vidro, dos quartos e da enorme cozinha), peço
a Deus que proteja os novos moradores da casa
onde morei desde meus quatro anos de idade,
de onde foi muito difícil sair, mas onde estava
sendo mais difícil ainda ficar, considerando os
sustos pelos quais passei desde o dia 31 citado.

Através dessas novas enormes portas de vidro,
olho com esperança, e calma, a nova paisagem,
procurando driblar a saudade de toda uma vida ...

É PÁSCOA!... RECOMEÇO!...

Que seja feliz a minha páscoa.
Que todos tenham uma FELIZ PÁSCOA!
Com as bênçãos de DEUS.


Ainda estou vindo pouco ao computador.
Perdoem a falta de minhas visitas.

Até o próximo sábado, ou domingo...

Sábado, 15 de abril de 2006.

Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:57 | *
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Domingo, Abril 09, 2006


TEXTO: 247.

UM ANJO CHAMADO JOÃO

( OS FATOS - 1ª PARTE )

31 de janeiro de 2006, terça-feira, fim de tarde.
Começa a chover forte novamente. Na sexta-feira
anterior, já havia chovido muito, mas, graças aos
ralos internos, o jardim, as laterais da casa e o quintal
ficaram livres de água, embora, como sempre, a rua
parecesse um rio.

Esses ralos internos foram colocados há alguns anos
por "Seu" João, já que as comportas existentes para
evitar que a água da rua entrasse também evitavam
que a água saísse. Muitas vezes, a rua não enchia e
tínhamos que abrir os portões para a água sair.
Os ralinhos nos tranqüilizaram por vários anos.

Sr. João é eletricista, entende tudo de encanamentos
e de construção, desde a colocação dos alicerces até
os embelezamentos e aprimoramentos de uma obra.
É profissional mesmo, não é curioso. Estuda sobre
o que faz e está sempre se aperfeiçoando (creio que
seu curso mais recente foi sobre telefones).

31 de janeiro de 2006, terça-feira, fim de tarde.
A chuva é muito forte! Olho o furor daquele
dilúvio pelo vidro da porta da sala. Assustador!
As comportas estão em seus lugares e os ralinhos
escoando toda aquela água. A rua... cheia!

De repente, um barulho metálico, tal uma explosão
abafada . Soube, depois, que esse barulho era o portão
enorme da casa da frente que se rompeu, a água, lá,
invadindo todo o andar térreo (eles não têm comportas;
ninguém pensaria em algo semelhante com o muro
daquela casa tão alto, tão forte, e aquele portão grande
e reforçado).

Logo após esse barulho, um outro, rouco, como algo
a se quebrar e, para meu espanto, vejo, através da
porta de vidro, ao mesmo tempo, a água da rua invadindo
o jardim, batendo na comporta da varanda (que resistiu
bravamente), seguindo pelos lados da casa para os fundos,
enquanto nosso muro da frente desabava, lentamente, como
um castelo de cartas, já envolto na massa de água e lama,
seus pedaços, grossos, pesados, sendo arrastados
como tristes plumas ... nossa casa estava mergulhada
naquele mingau de lama, não se via mais o jardim,
éramos um prolongamento da própria rua.

Foram momentos de pânico e de ação. Apenas eu e
mamãe em casa. Começamos a levantar tapetes,
documentos, o que podíamos, porque...
e se as comportas não resistissem?

A chuva a cair, forte, muito forte!

Pela porta de vidro, eu vi a água chegar quase ao nível
da comporta da frente. Mamãe falava ao telefone com
minha irmã e outras pessoas, dizia que, até aquele
momento, estava tudo bem (ela não chegou a ver a água
quase se derramando por sobre a comporta).

A chuva diminuiu. Pela mesma porta de vidro, eu vi,
no muro lateral, a marca que indicava a descida lenta
daquele aguaceiro. Alívio! Acompanhei cada milímetro
daquela descida, agradecendo a Deus por isso.

Foi quando o telefone tocou. Era "Seu" João.
Queria saber como estávamos.
Quando soube, disse que chegaria até nós o mais rápido
possível.

Também atravessaram a lama, para ver como estávamos,
o sogro de minha irmã junto com um amigo nosso, seu
vizinho. Ajudaram na limpeza que já estava sendo feita
por três rapazes incansáveis, surgidos da vizinhança.
Era, apenas, um esboço de limpeza. Era mais um abrir
caminho naquela grossa camada de lama escorregadia.


"Seu" João chegou logo, apesar de morar longe e de ter
que caminhar a pé grande parte do trajeto, pois a chuva
inundara toda a cidade, prejudicando o transporte.
Ele não só assumiu os trabalhos, mas ficou conosco essa
noite ( e outras) para nos fazer companhia na casa sem
muro.

Seremos eternamente gratas, eu e mamãe, pela presença
de Senhor João, não só como profissional, mas como
AMIGO, nesses dias tão difíceis para nós.
Agradecemos também a compreensão de sua família:
Sua esposa (D. Helena), sua filha já adulta (Jose),
seu filho rapaz (Josué) e sua filha,
caçula, de dez anos (Heleninha).
Serão anjos disfarçados?

Obrigada, Seu João, por sua força física, por sua força
de caráter, pela MÃO AMIGA que nos estendeu tão
rápida, eficiente e desinteressadamente.


Até breve (sábado, ou domingo).

Domingo, 9 de abril de 2006.

Cochichado pela Bisbilhoteira on 12:00 | *
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Terça-feira, Abril 04, 2006


TEXTO: 246.

"CANTATA EM MIM MAIOR"

. . . ( V O L T A N D O ... )

.

Talvez não seja o título adequado, pois cantata
descreve uma situação psicológica e, no meu caso,
é impossível afastar-me das situações dramáticas
pelas quais passei desde 31 de janeiro último.

Pelo menos, já consigo pensar em música.
Pelo menos, já consigo escrever.
Pelo menos, já começam a ficar para trás
todo o horror, todo o trabalho, todo o cansaço,
todo o desespero por que passei.

Quero, agora, cantar, ainda que meio desafinadamente,
o sossego que se aproxima, a volta a uma rotina
da qual tanto necessito para viver.

É uma cantata para várias vozes, pois, além da minha,
juntam-se as vozes das pessoas que se esforçaram
para que este momento inicial da volta ao normal
chegasse.

Uma cantata com solo muito especial para minha irmã,
incansável, realizando proezas incríveis, às vezes em
dueto com meu cunhado, conseguindo acrescentar
beleza em todos os detalhes.

Uma cantata com o coro de várias outras vozes,
em harmonia perfeita, todas solidárias e eficientes.

Uma cantata cuja melodia tem início triste, medroso,
evolui para o agitado e chega, agora, à melodia
de esperança num caminhar feliz.

Uma pequena cantata, introduzindo o que, com toda
a certeza, narrarei nos próximos textos, não só para
que os fatos fiquem registrados, mas para que eles tentem,
de algum modo, justificar meu longo afastamento
deste cantinho tão querido.

Uma cantata com uma linda melodia de louvor
e de agradecimento a Deus, porque tudo correu bem,
muito bem.

Uma última frase melódica de ALEGRIA,
num crescendo até chegar ao fortíssimo:
ALELUIA! ALELUIA!

Até breve. (Talvez sábado ou domingo ...).

(Terça-feira, 04 de abril de 2006).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 13:10 | *
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