Quinta-feira, Dezembro 15, 2005
TEXTO: 240.
"QUAL É A SUA LAIA ?"
( VOCÊ SABE ? )
Quando eu era criança, achava que "laia" era
um xingamento, pois só ouvia essa palavra
dita por pessoas zangadas, discutindo com
outros, pronunciada em tom de ofensa:
" - Não sou da sua laia!"
Mais tarde vim a saber seu real significado:
qualidade, casta (grupo, raça, linhagem)...
é só conferir num dicionário.
Atualmente, a TV exibe um comercial no
qual os cantores perguntam: "...- Qual é a sua
praia? Qual é a sua laia?", já ouviram?
Pois é. Fiquei pensando nas nossas diferentes
posições na vida, nos grupos com os quais
convivemos:
Há quem esteja sempre alegre e contagie os outros.
Há quem esteja sempre triste e entristeça todo mundo.
Há quem puxe as pessoas para cima, incentivando.
Há quem puxe as pessoas para baixo, desvalorizando-as.
Há quem olhe os fatos como eles realmente são.
Há quem olhe os fatos exagerando-os ou minimizando-os.
Há quem seja espalhafatoso, todos notam quando chegam.
Há quem seja discreto, ninguém nota sua chegada.
A lista é grande, inesgotável, porque há quem seja de
vários tipos, ora agindo de uma forma, ora de outra.
Há quem se deixe influenciar por seu grupo.
Há quem influencie. Há os que nem influenciam
nem se deixam influenciar, apenas ficam por ali,
sem maiores envolvimentos.
Normalmente, temos uma noção errônea a nosso respeito:
ou somos benevolentes demais ou rigorosos demais
em relação a nós mesmos.
Será que saberíamos responder a pergunta feita
pelo comercial?
Você sabe "qual é a sua praia? Qual é a sua laia?"
Até o próximo dia 21, ou 22...
(Em 15/12/05).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 02:00 | *
Terça-feira, Dezembro 06, 2005
TEXTO: 239.
SOMOS VIRTUAIS ?
( VOLTANDO... )
No texto 237, ao comunicar meu afastamento temporário,
constatei o óbvio: Somos virtuais aqui no computador,
onde tive muita sorte e só encontrei pessoas gentis, muito
atenciosas, embora distantes, já que estão (estamos)
submetidas aos botões que ligam e desligam as telinhas,
aproximando ou afastando os relacionamentos.
Volto ao assunto.
Agora, para me referir à vida chamada real.
Nela, nós deveríamos ser reais. E não somos.
Isso já não é tão óbvio, mas, a meu ver,
mesmo fora do computador,
somos incrivelmente virtuais.
Comecei a ser virtual (e só percebo agora)
quando passei, ainda bem jovem,
a dirigir meu próprio carro - um "aquário"
no qual eu circulava pelas ruas, ao lado de
outros "aquários", olhando sempre para a frente.
Nos sinais ou engarrafamentos, cada um, isolado,
estaciona seu "aquário", como se não houvesse
ninguém por perto, mesmo todos lado a lado.
Somos seres virtuais (meras sombras!) na rua, no
trabalho, nas compras. Pior: Em nossa própria casa.
As pessoas chegam em casa cansadas, mergulham
logo no computador ou na TV, pouca conversa.
Assim como nos engarrafamentos de automóveis,
em casa, geralmente, ficamos lado a lado,
como se não existíssemos.
Onde ficaram os abraços, os apertos de mão,
os afagos?
Quem ainda ouve a voz de seus amigos, ao vivo,
sem ter o telefone ou o PC como intermediário?
Quem usufrui com freqüência o olhar direto de quem
conhece sem ser através de câmeras?
Há quem compre um cachorro ou um gato e mantenha
com o bicho um relacionamento muito mais intenso e
freqüente do que com seu semelhante.
Sentimo-nos unidos com o mundo, sabemos de tudo
pelos jornais, pelas telinhas, mas ignoramos o que se
passa na vizinhança.
Que tal olharmos a nosso redor?
Que tal vermos e falarmos com nossos filhos, pais,
irmãos, sem ser por telefone?
Que tal ficarmos mais visíveis, menos transparentes?
Que tal olharmos, e vermos, quem passa a nosso lado,
seja lá quem for?
Que tal falarmos com nossos vizinhos, tão "virtuais"
às vezes, como se os apartamentos e casas fossem
extensão de uma telinha que podemos desligar
apenas fechando uma janela?
Que tal um encontro verdadeiro, de coração com coração?
Por onde anda essa maravilha?
Que ninguém permita que as próximas reuniões de Natal
e de Ano Novo sejam apenas "virtuais", superficiais.
Que haja nelas o verdadeiro encontro: Olho no olho,
mãos se apertando, abraços sinceros, palavras que falem.
E que isso não aconteça apenas nessas datas, mas sempre,
todos os dias, com o amigo, o parente, o carteiro ...
Seria uma pena se, realmente, estivéssemos todos nos
tornando seres distantes, aparentemente próximos,
seres transparentes, invisíveis, intocáveis, insensíveis,
descartáveis...
Seria uma pena!
Tomara que eu esteja errada.
Até o próximo dia 14, ou 15...
(Em 06/12/05).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 20:22 | *