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Bisbilhoteira de Plantão

Um pouco de tudo... haja assunto

Segunda-feira, Setembro 26, 2005


TEXTO: 232.

BALANÇO E REFLEXÃO

( DIAS ATUAIS ... )


BALANÇO SUPERFICIAL DE REFERÊNCIAS:
( Seja lá o que isso queira dizer ...)

A taxa de PACIÊNCIA está em queda.
Mantém-se em patamares aceitáveis
apenas pelo enorme controle externo
exercido pelo respeito ao próximo.

As quotas de ACEITAÇÃO também estão em queda,
em virtude dos baixos coeficientes de confiança.
Enquanto esses níveis de confiança permanecerem
baixos, o DESCRÉDITO subirá lenta e gradualmente,
o que deve ser evitado, elevando-se os juros da confiança.

O nível de INDIGNAÇÃO caminha para índices
assustadores.
É preciso manter sempre o equilíbrio interno regulado
sob a vigilância ininterrupta da ESPERANÇA, que deve
surgir, imediatamente, como Fênix salvadora, nem que
seja das cinzas das decepções.

Que o próximo BALANÇO apresente os tão esperados
resultados POSITIVOS.


REFLEXÃO COMPLEMENTAR:

Todos nós seremos chamados, em menos de um mês,
para opinarmos sobre a comercialização de armas no
Brasil entre as pessoas de bem. Isso não alterará, em
nada, a origem e o número de balas perdidas que caem
sobre nossas cabeças, nem diminuirá os constantes
tiroteios entre marginais (que continuarão armados
até os dentes, conforme foi verificado após a "Campanha
do Desarmamento", também dirigida às pessoas de bem).

Então, eu e você, que temos horror a armas, deveremos
decidir sobre a tal comercialização (confesso meu total
desconhecimento sobre lojas de armas, nem vejo meus
vizinhos e amigos estocando munições em suas casas).

Intriga-me também o fato de sermos chamados para tal
deliberação. Por que não somos chamados para outras?

Temo que tal comercialização seja, de fato,
proibida, e caia nas mãos do tráfico ilegal
( precisará aumentar sua "equipe").

Pelo que sei, automóveis também matam muitas
pessoas nos acidentes de trânsito, mas ninguém
está preocupado com o comércio de automóveis.
Nem com o de aviões (eles caem por aí!!!).
Também não está em discussão a diminuição
das filas para atendimentos de emergência em
hospitais públicos nem a melhora da distribuição
de alimentos e remédios.

Ninguém será obrigado a sair de casa para opinar
sobre medidas que resolvam esses assuntos.

Estarão menos mortas essas pessoas que morrem
em acidentes, principalmente de automóveis, que
morrem de fome, que morrem sem remédios, que
morrem em tiroteios ocorridos em todos os lugares?

Estarão mais mortas apenas as que morrem em
acidentes domésticos envolvendo armas de fogo,
provocados por nós, cidadãos de bem?

Eu não disse, no texto 227, que se você age
corretamente tem que tomar muito cuidado?

Pois é por essas e outras que as portas dos bancos,
já há um bom tempo, travam quando vamos entrar.

Nós, cidadãos de bem, somos um perigo!

SERÁ?

Até segunda-feira.

(Em 26/09/05).

Agradeceria se visitasse e comentasse o antigo blog
de mamãe, agora assumido por mim:O Jardim da Lili.
Obrigada!
Bisbilhoteira, Filha de Lili.

Cochichado pela Bisbilhoteira on 07:31 | *
Comments:

Segunda-feira, Setembro 19, 2005


TEXTO: 231.

Recebi este texto, por e-mail,
de minha grande amiga MARLENE.
Estava em forma de "pps" (preparado
por Mari Caruso Cunha).
Aproveitei apenas uma
das figuras lá usadas como fundo.


PRECE ÁRABE

( Traduzido do árabe por SEME DRAIBE )



Deus, não consintas que eu seja
o carrasco que sangra as ovelhas,
nem uma ovelha nas mãos dos algozes.

Ajuda-me a dizer sempre a verdade
na presença dos fortes e jamais dizer
mentiras para ganhar os aplausos dos fracos.

Meu Deus!
Se me deres a fortuna,
não me tires a felicidade;
se me deres a força,
não me tires a sensatez;
se me for dado prosperar,
não permitas que eu perca a modéstia,
conservando apenas o
orgulho da dignidade.

Ajuda-me a apreciar o outro lado das coisas,
para não enxergar a traição dos adversários,
nem acusá-los com maior severidade
do que a mim mesmo.

Não me deixes ser atingido pela ilusão da glória
quando bem sucedido e nem desesperado
quando sentir o insucesso.
Lembra-me que a experiência de um fracasso
poderá proporcionar um progresso maior.

Ó Deus!
Faze-me sentir que o perdão é o maior índice da força
e que a vingança é prova de fraqueza.

Se me tirares a fortuna, deixa-me a esperança.
Se me faltar a beleza da saúde, conforta-me
com a graça da fé.

E quando me ferir a ingratidão
e a incompreensão dos meus semelhantes,
cria em minha alma a força da desculpa e do perdão.

E finalmente, Senhor, se eu Te esquecer te rogo,
mesmo assim, nunca Te esqueças de mim!

///////////////////////////////////////////////////



("Louvado seja o Onipotente!" Como está em várias
páginas dos livros do nosso escritor brasileiro, professor
de Matemática, conhecido como MALBA TAHAN).


Até segunda-feira.

(Em 19/09/05).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:08 | *
Comments:

Segunda-feira, Setembro 12, 2005


TEXTO: 230.

PEDRAS NO CAMINHO...

( APENAS OBSTÁCULOS ? )

Por que olhar a pedra no caminho apenas como
obstáculo?

Para mim, o obstáculo não é a pedra no caminho,
seja lá de que tamanho for.
Para mim, o obstáculo é olhar aquela pedra, grande
ou pequena, sempre do mesmo jeito, sempre do mesmo
ponto de vista, sempre como obstáculo.

Uma pedra encontrada no meio do caminho pode ser
uma bênção se precisarmos dela para escorar o pneu
traseiro do automóvel estacionado numa ladeira, quando
os freios não estão funcionando bem.

Uma pedra encontrada pode ser um utilíssimo peso para
papéis não voarem.
Quatro delas podem prender os quatro cantos da toalha
num piquenique divertido.
Uma pedra grande pode servir, numa subida íngreme,
de banco para descansarmos.
Essa mesma pedra grande pode servir de degrau para
olharmos mais longe; talvez, até, para encontrarmos
nosso rumo se estivermos perdidos.

Uma pedra que encontramos pode servir muito,
depende da necessidade que tenhamos e do modo
como olharmos para ela.

Se a pedra for mesmo um obstáculo, teremos que
lidar com o fato como um obstáculo: Podemos
resolver sozinhos? Resolvamos. Precisamos de
ajuda? Peçamos ajuda, por que não?

Se a pedra puder ser útil, aproveitemos a boa sorte.
Infelizmente, as pedras são os únicos travesseiros
que nossos irmãos menos afortunados encontram
para dormir nas ruas...

A pedra pode apenas estar ali, parte da paisagem,
como o capim, a terra, eu, você, o pássaro, o sol,
a chuva...

Havia uma pedra no meio do caminho do poeta
Drummond.

E você? Como vê as "pedras" que encontra no
meio do seu caminho?


////////////////////////////////////

Agradeço a todos os amigos pelos comentários
do texto anterior. Já que falei em pedras, vocês
são raras pedras preciosas que enfeitam o meu
Caminho e enriquecem o meu Caminhar.

. . .ABRAÇOS,
. . .Bisbilhoteira.

Até segunda-feira.

(Em 12/09/05).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 20:21 | *
Comments:

Segunda-feira, Setembro 05, 2005


TEXTO: 229.

PEQUENO CONTO

( HOMENAGEM AOS AMIGOS )

Anoiteceu. Acenderam-se, generosamente,
todas as luzes da cidade.

Mais uma noite começou, após várias outras
noites em claro. Mais uma noite sem dormir...
Mas tudo bem.


O pequeno relógio, em forma de delicadíssima
ampulheta azul, uma das muitas lembranças
das inúmeras viagens que fez ao redor do mundo,
não parava.
Seguia com o bailar dos ponteiros, indiferente.

Lembrou-se de seu sobrinho mais velho,
Basilides.
Era dos sobrinhos que ela recebia o carinho
dos filhos que não teve: Seriam meninos ou
meninas? Um menino apenas?
Ou só uma menina, sim.
Jamais saberá. Nem adiantaria olhar para
aquele céu iluminado, pois não teria tais
revelações.
Ainda que acreditasse, não conseguiria entender
o que estava escrito nas estrelas.

Lembrou-se de quando era pequena e se sentia assim,
como estava nessa noite, o coração apertado, triste.
Podia sempre contar com o aconchegante colo de sua
querida avó.

Hoje, estava sozinha. Nem colo, nem histórias
contadas com tanto carinho para lhe distrair.

Pegou o telefone. Discou. Esperou...
Ninguém atendeu. Não havia ninguém na
casa da Micas.

Micas! Sua grande amiga! Ela morava, atualmente, na
Alemanha, mas nascera e vivera numa linda casa em
Portugal, onde passava as férias para alimentar sua
alma lusíada.

Desistiu do telefone. Também era tarde para caminhar,
à beira do mar, como tanto gostava e lhe fazia bem.

Era estranho estar morando ali,
há tão pouco tempo, naquela tão linda
casa nova.
Talvez fosse esse o motivo de sua angústia.
Sentia-se só, rodeada de paredes estranhas.
Era só uma mulher.

Ainda bem que trouxera seu grande
balaio vermelho.
Quantas preciosidades estavam ali!
Principalmente as que trouxera do seu querido solo
Agrestino, onde conhecera pessoas
tão inteligentes e gentis.

Foi para o quarto. Olhou-se, demoradamente,
no espelho.
Quase não se reconhecia. Como estava abatida!
Tão inquieta! Tão angustiada! Pegou um copo e,
para se acalmar, pelo menos tentar, preparou umas
gotas homeopáticas.

Sentia falta de conversar com alguém.
Com quem trocaria seus pretensos colóquios?
Quem ouviria, com a devida paciência, suas
verborragias?
Com quem discutiria, durante horas, suas
viagens filosóficas?

Talvez estivesse preocupada com o artigo sobre
a influência dos blogs na imprensa tradicional
que precisava entregar para o Jornal do Blogueiro.
Não, não era isso, ainda tinha muito tempo.

Tentou distrair-se lendo alguns trechos do famoso
Diário de Gomez. Sentiu-se melhor.

Tomou coragem para ler as atuais notícias em
BRASIL! BRASIL!

Quisera poder mudar aquelas más notícias
que não paravam de aparecer. Quisera ser
o apanhador de sonhos...
Quisera poder não acreditar naquilo, sendo um ser
pequeno, mas louco...
Quisera transformar aquelas tristes verdades em doce
fala poética...
Quisera, para fugir do horror, ter em seu próprio centro o
umbigo do sonho...

O telefone toca. Vai atender. Finalmente alguém.
Era Leandra, putz!
Foi uma conversa rápida, apenas notícias da
filha de Lili...

Resolveu sair, respirar. Fez um rápido lanche no
Koisas do Piru. O nome era estranho,
mas tudo servido ali era de ótima qualidade.

Pensou em ir ao cinema. Três filmes em cartaz:
Um, francês, diretora conceituadíssima:
Quelque Chose.
Outro, brasileiro, muito elogiado por todos:
Levanta, Rio!
Um terceiro, aplaudido pela crítica e pelo público:
Metamorphose.
Não gostava de escolher. Bastavam as escolhas
obrigatórias que a vida impunha. Desistiu.

Entrou na livraria. Resolveu comprar três volumes.
Enriqueceriam suas idéias para o artigo a ser escrito:
Teoria do Conceito,
Teoria da Arte e
Álbum de Poeta.

Voltou para casa. Pegou sua coleção de
filmes do Lavico.
Todos ótimos! Não, hoje não veria filmes...

Ligou o som. A sala foi inundada com a música
sublime de seu músico e compositor predileto:
Kalau.

Respirou aliviada. Sua calma estava voltando.
Deitou-se no sofá. Parecia estar num colo musical.
Dormiu.

Em sonho, apareceu-lhe um ser assustador,
exibindo uma placa onde se lia:
Escreve Tudo Junto.
Acordou!

O que significaria aquele sonho?
A frase seria alguma orientação para o artigo
que iria escrever? Talvez...
Lembrou-se do ser assustador, ouviu sua voz:
- Vade retro!

A música ainda impregnava o ambiente.
Continuou calma. Muito calma.

Agora, ela se sentia como a verdadeira
Semeadora da PAZ.

////////////////////////////////////////////

Tentei, com o pequeno conto acima, exteriorizar
a admiração que sinto pelos amigos e retribuir
todas as gentilezas que recebo aqui.
Com muito carinho, ABRAÇOS,
. . .Bisbilhoteira.


Até segunda-feira.

(Em 05/09/05).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 01:13 | *
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