Segunda-feira, Maio 23, 2005
TEXTO: 215.
PESADELOS E SONHOS
( ACORDAR X DORMIR )
Maio! Antigamente, em maio, o céu ficava muito azul,
o sol brilhava, fazia um frio suave. Não é mais assim.
Ontem, domingo, tempo nublado, chuvoso.
O calor diminuiu. Folga para os ventiladores.
Ontem, domingo, o telefone amanheceu completamente
mudo! Assim permaneceu hoje, segunda-feira,
até o início da tarde.
Meus dois celulares ficaram ligados.
Sim, tenho dois celulares, um de reserva.
Conforme já disse aqui, tenho objetos em duplicata,
para prevenir eventuais falhas.
Não sei se isso é ser prevenida ...
Essa mania de ter aparelhos de reserva (em duplicatas)
já deve ser um dos graves problemas psíquicos a que
estão sujeitas aquelas pessoas que, como eu, têm
sonhos conscientes (sabem, dormindo, que estão
sonhando). É o que pensam alguns psicanalistas
brasileiros sobre quem tem sonhos conscientes,
conforme li na reportagem da Revista do jornal
"O Globo", de 27 de fevereiro deste ano.
Há outras opiniões interessantes nessa reportagem.
Foi a primeira vez que li algo a respeito. Gostei.
Já pratico esse tipo de sonho desde bem criança,
nem suspeitava, então, que existisse "Interpretação
de Sonhos", de Freud, hoje entre os muitos volumes
de minha estante.
Como comecei a ter sonhos conscientes? Em criança.
Com um pesadelo que se repetia: Uma criatura
vinha correndo atrás de mim para me levar (no
pesadelo eu sabia que ela iria me levar) e, quando
estava quase me pegando, eu acordava exausta,
e ia chorando para o quarto de meus pais. Eles me
acalmavam, era só um sonho, que eu não me
preocupasse e me levavam de volta para meu quarto.
Deitada na cama, eu ficava pensando, envergonhada.
Mas, quando o pesadelo voltava numa outra noite,
eu fazia tudo de novo.
Até que, numa das reflexões, após mais um pesadelo,
eu decidi que isso não aconteceria mais.
Afinal, era só um sonho.
Quando, em outra noite, o pesadelo começou, eu não
corri. Parei e olhei a criatura (que também parou),
dizendo-lhe: "Não tenho medo, estou sonhando..."
Acordei. Eufórica! Eu tinha conseguido!
Desde então, para mim, virou brincadeira sonhar.
Passei a escolher lugares, não havia mais pesadelos,
eu sabia que estava sonhando. Houve uma fase em que
eu quase me auto-hipnotizava. Nem sempre dava certo,
mas, quando dava, era muito bom, principalmente
quando eu conseguia estar numa determinada paisagem,
com cores e luzes indescritíveis.
Podem não acreditar, mas meus sonhos são lindos!
Os lugares, as pessoas, as conversas (sem palavras!).
Estou sempre alegre nos sonhos e sempre muito ativa,
andando, sozinha ou com pessoas.
Atualmente, nem todos são conscientes, parei de forçar.
Para mim, sonhar com fatos desagradáveis ou menos
dignos é uma perda de tempo. Não sonho mesmo.
Muitos oram ao acordar, agradecendo porque vão viver
mais um dia. Minha oração é mais intensa na hora de
dormir, quando agradeço por todos aqueles momentos
preciosos que virão, os sonhos, que me libertarão do
pesadelo em que, às vezes, a vida se transforma.
Um dos meus sonhos conscientes mais significativos
(até anotei, anoto alguns) foi o que tive, cerca de dois
meses após a morte de meu pai, início do ano 2000:
Eu, sentada na sala (ainda não estava consciente do
sonho), olhei para o quarto de meus pais, vi a cama
de casal e... vi meu pai deitado.
Levantei da poltrona, agora consciente do sonho, e,
enquanto me encaminhava para o quarto, pedi:
"Meu Deus, eu sei que estou sonhando, mas, por favor,
não deixe que eu acorde antes de falar com ele!".
Cheguei aos pés da cama, papai olhou para mim e sorriu.
Ele se sentou, fui me sentar a seu lado e nos abraçamos,
um abraço apertado. Ao nos afastarmos, ainda sentados,
vi seu sorriso, dentes muito brancos, ele muito alegre.
Perguntei-lhe como ele estava, se sentia ainda a dor nas
pernas. Ele disse que estava muito bem. Fui buscar no meu
quarto um livro que estava lendo para lhe mostrar...
quando voltei, a cama estava vazia. Acordei.
Desde sua morte, foi a primeira vez que a dor diminuiu,
tive a sensação de que foi tudo real...
e era apenas um sonho.
E você? Também tem sonhos conscientes?
Ou ainda perde tempo tendo pesadelos enquanto dorme.
Até segunda-feira.
Em 23/05/05.
Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:06 | *
Domingo, Maio 15, 2005
TEXTO: 214.
CONVITE DE FORMATURA
......( MEU SOBRINHO! )
Meu sobrinho concluiu agora seu curso
de GEOGRAFIA, Universidade Federal
Fluminense (UFF). Ele já trabalha como
Geógrafo, estagiando em uma empresa
particular - estágio que ele buscou e
conseguiu sozinho.
Ontem, sábado, ele nos trouxe seu
Convite de Formatura.
Foi uma enorme alegria!
É um belo convite!
Além das páginas tradicionais dos convites
de formaturas, estão incluídas muitas fotos,
ao lado de textos de autores conhecidos e de
textos de alguns alunos, entre os quais (surpresa!)
um texto de meu sobrinho.
Eis, na íntegra, o texto que ele escreveu e está em
seu convite:
Parabéns, meu querido sobrinho!
Parabéns a todos os seus colegas que, como se vê,
são também seus amigos.
Conforme está na Mensagem de Abertura de
seu convite:
"A Geografia é um ramo decepcionante para quem
deseja estabilidade e certezas. Há, porém, grande
interesse para os espíritos ativos. Há muita coisa
a fazer em Geografia, e apenas resolvemos um
problema ou julgamos tê-lo resolvido, surge logo
o mesmo problema sob outro aspecto e tudo deve
ser recomeçado.
Por isso a Geografia é algo cativante."
.........(Max. Sorre).
Que, apesar dos diferentes
caminhos geográficos
que cada um de vocês vai percorrer,
todos consigam manter
a preciosa Amizade
garimpada em cada coração
durante sua convivência.
Forte Abraço a todos.
Um beijão, meu sobrinho!
Até segunda-feira.
(Em 15/05/05).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 17:42 | *
Segunda-feira, Maio 09, 2005
TEXTO: 213.
...............Após o "DIA DAS MÃES"...............
NOTURNO PARA MULHERES SEM FILHOS
..............( DÓ MAIOR! SOL MENOR! )
Sons tristes nos acordes secos,
dos dias sem sorrisos de bebês.
Ritmo lento de acalanto,
para tantos corações
de mulheres solitárias.
Pausas demoradas, para as longas noites,
preenchidas com leituras, TV
e computadores.
Arpejos interrogativos, indagando
como seriam os filhos não chegados.
Apojaturas repetidas, ao serem imaginados
os pulinhos de crianças alegres,
que vivem apenas na vaga imaginação.
Fermatas, para prolongar possíveis abraços
de tenros bracinhos ao redor do pescoço.
Trinados doídos, à simples possibilidade
de doenças, acidentes... nem pensar!
Lindas frases melódicas, para embalar
o imaginário afago feito por pequeninas mãos.
Mudanças de compasso, para, ainda em sonho,
acompanhar o crescimento da vida que não veio.
Dó Maior, a doer a ausência de seus filhos.
Sol menor, para a pouca luz de suas vidas.
A mulheres que não tiveram filhos,
como eu...
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Até a próxima semana.
(Em 09/05/05).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:09 | *