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Bisbilhoteira de Plantão

Um pouco de tudo... haja assunto

Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005


TEXTO: 202.

E O "OSCAR" VAI PARA O FILME...

... CAPIXABA 88

( EM EXIBIÇÃO )

Sala de projeção às escuras.
O filme começa:



Em silêncio, os créditos passam, tendo, ao fundo,
a fazenda de café. A câmera passeia pelas plantações
(café, milho, cana, mandioca, legumes...). Depois, pelo
moinho, pelo engenho, curral, mostra os cavalos, cabritos,
porcos, galinhas... Fim dos créditos.

Ouve-se o barulho das águas do rio. A câmera vai se
aproximando dele, o som das águas aumenta. Agora,
só as águas correndo revoltas e o céu azul com nuvens
brancas ocupam a tela. E continua o som das águas.
Corta!

Começa a ação:
A câmera focaliza a casa da fazenda, dois andares.
Aproxima-se da porta lateral, de onde sai a menina
correndo para o verde da fazenda. Ela vê uma cobra à
sua frente, não liga. A cobra também ignora a menina
e desaparece no mato. Enquanto isso, ouve-se, em off,
a voz do narrador: "Estamos na cidade de São Felipe,
no Espírito Santo, 1924. A menina que corre está com
sete anos. Amanheceu mais um dia na fazenda".


A menina chega a uma árvore enorme, ao lado do rio.
Sobe num dos galhos. Começa a balançar-se. Sobre
o rio. Está alegre, parece nem pensar em perigos.
"Este é o balanço preferido, geralmente balança-se
com seus irmãos e irmãs de idade próxima à sua.
Os mais velhos têm o trabalho da fazenda, junto
ao pai e aos ajudantes. A mãe se ocupa da organização
da casa. Mais um tempo e também a menina levantará
antes do amanhecer para a ordenha das vacas, para
alimentar os animais, de acordo com o que lhe couber
fazer, pois, na enorme fazenda, todos têm suas obrigações.
Ao lado das obrigações, muito divertimento também
como cavalgar "em pêlo", mergulhar e nadar no rio,
caçar animais pequenos, e muito mais que a fazenda
proporciona."


A menina desce da árvore. Corre para a casa. Entra.
Sai, acompanhada de dois irmãos, cada um com seu
material da escola. Começam a caminhar, com as
brincadeiras normais de criança.
"A escola fica distante. Mas ninguém ousa perder
as aulas da famosa D. 'Filisbina', rígida, com sua
turma dividida em grupos, ela sozinha para ensinar
a ler e dar continuação ao que aprenderam os mais
adiantados. É professora que ensina muito, e bem."


As crianças chegam à escola, encontram os colegas,
todos entram e ocupam seus lugares. A professora
inicia sua aula. Alunos atentos.

A câmera volta a focalizar aspectos da fazenda.
Plantas pequenas. As mesmas plantas já crescidas.
O tempo passa. A menina tornou-se moça e
aproxima-se do pai, sentado com a cabeça entre as
mãos, debaixo de uma grande árvore. Senta-se
ao lado do pai. Abraçam-se. Ouve-se o rio, mas
ele não está na cena. "Estão em plena crise do
café, a fazenda está perdida, os bons tempos
acabaram. Agora, passam necessidade. Ela
veio se despedir do pai. Vai para o Rio de
Janeiro, onde já está morando seu irmão bem
mais velho, casado, e outro, estudando para ser
dentista. Ela vai morar na casa do que já está
casado. Mais tarde, todos se mudarão para o
Rio de Janeiro."


A câmera, agora, focaliza a moça, já no Rio de
Janeiro, em seu trabalho como telefonista da
Companhia Telefônica. Maneja com destreza
os fios, mudando-os de lugar, falando com
desembaraço no fone preso à cabeça.
"Adaptou-se ao trabalho. Gostava muito do
que fazia, apesar de não ser comum, nessa
época, moça trabalhar fora, ainda mais como
telefonista, que dava plantão à noite. Por isso
mesmo o irmão casado vivia a controlar seus
passos. Ela nem parecia mais a menina que se
balançava despreocupada no galho sobre o rio."


Chega a substituta. Fim do seu expediente. Livra-se
do fone em sua cabeça, sai do seu espaço. Dirige-se
ao vestiário. Apronta-se para ir para casa, isto é, para
a casa de seu irmão casado onde mora agora. A câmera
acompanha sua saída, até ela subir no bonde. Corta!
Aparece a chegada do bonde ao ponto final. Ela salta.
Começa a caminhar para casa. Entra em sua rua.
A câmera focaliza uma casa onde um rapaz atento
acompanha interessado o caminhar da jovem.
"Esse rapaz, dentro de alguns dias, será o namorado
oficial da jovem telefonista."


A câmera mostra uma igreja, seu interior, o altar
enfeitado. "Lá está o rapaz atento esperando a
jovem não mais telefonista, pois, na época, a
mulher quando se casava deveria cuidar apenas

do lar". Chega a noiva. Realiza-se o casamento.
Estão felizes. Os noivos posam para a foto tradicional.
Recebem cumprimentos dos convidados. A câmera se
aproxima para focalizar bem o beijo apaixonado dos noivos.
Aparecem as letras:

F I M

Este "filme", em época de festa do "Oscar",
é uma forma de cumprimentar minha mãe,
que, no próximo dia 3 de março, completará
88 anos.
Na verdade, onde o "filme" acima termina
começa uma nova fase na vida de minha mãe:
Uma vida vivida com a garra e a coragem da
mulher forte que sempre foi e ainda é.


FELIZ ANIVERSÁRIO, MAMÃE!

Ela tem um blog (está parado):

MEU JARDIM

Em tempo: "Capixaba" é quem nasce no
estado do Espírito Santo, Brasil.


Até segunda-feira.

(Em 28/02/05).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 04:52 | *
Comments:

Domingo, Fevereiro 20, 2005


TEXTO: 201.

D I S S O N Â N C I A S... E VIDA !

( NOTA DE PASSAGEM ... )

Dissonância, em Música, é o resultado desagradável
da combinação de certos sons.
Estudando-se HARMONIA, aprendemos inúmeras
regras a serem seguidas para fugirmos dos sons que
não se combinam, provocando dissonâncias. Grandes
compositores até transgridem algumas dessas regras
e obtêm ótimas composições. Até para desrespeitar
regras e obter bons resultados é preciso muita arte!

Podemos ter uma composição musical:
a) executada num só tom (um dos tons maiores
ou um dos tons menores);
b) começando num tom, passando para outro tom,
ou outros, e voltando ao tom usado no início;
c) começando num tom, passando para outro tom,
ou outros, sem voltar ao tom usado no início.

Quando, numa composição, passamos de um tom
para outro, isto é, usamos modulações (mudanças
de tom), devemos preferir os tons vizinhos (a Teoria
Musical ensina quais são).

Tons vizinhos têm notas comuns (encontradas tanto
num tom como no seu tom vizinho) e notas características
(próprias de cada tom).

As notas de passagem são sons estranhos aos tons usados,
postas entre duas notas essenciais da frase melódica ou da
harmonia. Se usadas com cautela, podem causar bom efeito.
Se usadas sem critério, em demasia, podem produzir duras
dissonâncias.

Assim como em Música temos tantas regras para serem
seguidas, auxiliando a composição de páginas admiráveis,
também na Vida deveria haver manuais semelhantes, para
que evitássemos dissonâncias, ou para sabermos usar essas
dissonâncias, obtendo mais qualidade a nossa volta.

Suponhamos que a Vida fosse uma grande partitura
musical, sendo composta dia após dia. Escolheríamos
tons maiores? Tons menores? Como usaríamos os tons
vizinhos? Como evitaríamos os tons afastados?


Quem seriam nossas "notas comuns" (as mesmas em tons
vizinhos)? Quem seriam as "notas características" (próprias,
exclusivas de cada tom)? São esses dois tipos de notas
que vão dar brilho à melodia e à harmonia dentro do ritmo
e andamento escolhidos.

E as nossas "notas de passagem" (que causam dissonância)?
Seríamos nós mesmos? Seriam os outros? Evitaríamos?
Caso não pudessem ser evitadas,
como resolveríamos as dissonâncias ?
Voltaríamos ao tom inicial? Passaríamos para outro
tom definitivamente?


Será que estamos sabendo compor a nossa Vida?
Ou será nossa Vida uma sucessão de dissonâncias?

Você pensa que não é Compositor, não é Maestro,
mas é você que faz a composição e a regência
de cada um dos seus dias.


Já que, para falar da Vida, usei a composição musical,
experimente ouvir esta bela página do compositor Kalau:


Tema de Beremiz-O Homem que calculava


Para interromper a música de fundo e poder ouvir a música acima,
bem como o fundo do site abaixo, clique para abrir o "Comments"
e feche-o. Pronto! Agora, pode clicar, E OUVIR, o som da música
acima e o fundo musical do endereço abaixo, onde, clicando em "Música",
serão encontradas belíssimas composições:


KALAU, MÚSICO e COMPOSITOR


Agora, sem sair do blog, graças às "dicas" da


Amiga SHEILA.


Não seja apenas uma "nota de passagem" por aqui!
Evite as "dissonâncias" !

Que tal deixar uma palavrinha no Comentário?
Obrigada.

Até segunda-feira.

(Em 21/02/05).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 23:32 | *
Comments:

Sábado, Fevereiro 12, 2005


TEXTO: 200. (Voltando antes!).

ESCOLAS DE SAMBA X GUERRA

( REFLEXOS DO CARNAVAL )



Confesso que não gostava de ouvir falarem do Brasil
como o país do futebol e do carnaval. Hoje não.
Mudei de idéia ao ver, pela TV, o desfile de uma
das Escolas de Samba.

Vendo aquele rio colorido de pessoas, massa compacta,
dançando, sorrindo, ao som da bateria e do samba-enredo,
com suas alegorias e fantasias, trabalhosas, imaginando as
outras inúmeras escolas que ainda viriam, tão compactas
ou mais, cerca de 4000 componentes cada uma, formando
igualmente outro rio colorido, enorme, com a mesma alegria,
agradeci a Deus por este país, do Carnaval e do Futebol.

Não pude deixar de comparar o belíssimo espetáculo
à minha frente, com as cenas terríveis da guerra absurda:

Os muitos componentes das Escolas de Samba se formam
espontaneamente, a maioria treina e trabalha na escola
durante todo o ano.
Os soldados da guerra são obrigados, infelizes condenados!
Voltarão? Ninguém sabe.

O objetivo das Escolas de Samba é o Desfile. Nele,
exibem o que têm de mais bonito: o talento de todos.
Tudo em nome da Alegria.
O objetivo da guerra é matar, prender, dominar.
Tudo em nome de razões que não convencem.

O Desfile é a Escola de Samba em sua ação maior: gente
enfeitada, enfeitando o mundo, todas as idades dançando
juntas, contando uma história. Disputam o Belo.
A ação da guerra é uma ação menor: grupos sombrios,
silêncio cortante cortado por tiros, estrondos, gente com
medo, assustada, manchas de sangue, destruindo histórias,
empilhando mortos. Disputam o Poder.

Nas Escolas de Samba, o desfile começa com fogos
de artifício, Comissão de Frente, há carros alegóricos,
som marcante da Bateria acompanhando a música.
Tempo cronometrado.
Na guerra, são bombas letais, tropas de choque,
tanques pesados, aviões atacando, de surpresa.
Sem hora marcada.

Pessoas alegres nas Escolas de Samba.
Apavoradas lá nas emboscadas.

Os que assistem às Escolas de Samba se extasiam.
Os que assistem às cenas de massacre sentem horror.

Quando o desfile da Escola termina, já estão todos
pensando no próximo ano.
E a guerra? Os atentados? Por que não terminam?

Estamos aqui para cumprir nosso tempo, cronometrado.
Se milhares de pessoas podem desfilar, sorrindo,
por que centenas insistem em lutar, sofrendo?

Por que tantos tiros, com alvos marcados?
Por que tantos alvos de balas perdidas?

Ninguém inventou a MORTE,
ela virá, de qualquer maneira.
Mas todos podem manter a VIDA.

Que os verdadeiros DESTAQUES sejam exibidos.
Que aproveitemos nosso precioso tempo,
cronometrado.
Que o MUNDO TODO faça parte de lindos DESFILES.
Que todos freqüentem verdadeiras Escolas.

Aceita participar do Desfile?



Até segunda-feira, dia 21/02/05.

(Em 12/02/05).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 19:47 | *
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