Segunda-feira, Agosto 30, 2004
TEXTO: 175.
ATENAS - EU ESTIVE LÁ!
( MEU CADERNINHO DE VIAGEM... )
Terminaram ontem os Jogos Olímpicos de 2004.
Em Atenas!
Eu estive lá! Não este ano, nem para jogos.
Cheguei à cidade de Atenas, no dia 6 de janeiro.
Em 1973! Estávamos vindo de Roma. A viagem
era o ponto culminante do Curso de Extensão
Universitária: Mitologias Egípcia, Grega e Romana.
Apenas um pequeno grupo acompanhado do professor,
o saudoso Prof. Junito Brandão.
Para mim, estar em várias cidades da Europa e no Cairo
(Egito) era como mergulhar em meus vários livros e
visitar suas páginas, como faziam os personagens das
histórias infantis que, em criança, eu já tinha lido.
Visitamos toda a Grécia. Um lugar mágico onde a
mitologia e a literatura tradicional parecem estar
vivas em cada lugar, em cada ruína, em cada paisagem.
Os guias mostravam com tranqüilidade o Monte Ida,
na Ilha de Creta, dizendo que "era ali que Júpiter
dormia". Se fizéssemos um esforço, poderíamos até
vê-lo dormindo, para salvar o povo grego ou para
fugir de seu pai, as duas hipóteses que existem
para que Júpiter tenha sido levado para lá.
Ainda na Ilha de Creta, visitando o palácio de Knossos,
do rei Minos, era como se o Minotauro ainda estivesse
preso no Labirinto. Anotei, em meu caderninho, o que
significava tudo isso, poupo-lhes de minhas explicações,
as enciclopédias estão aí mesmo, embora eu tenha muitas
curiosidades anotadas.
No início da viagem e de minhas anotações, o fato de eu
anotar TUDO que os guias diziam foi motivo de brincadeiras
pelos colegas. Depois, não só outros passaram a anotar, mas,
à noite, alguns pediam meu caderninho para completarem
o que não tinham conseguido anotar.
Uma curiosidade anotada: Alguém disse, creio que o professor,
que nosso Colégio Santo Inácio, aqui do Rio de Janeiro,
tem sua construção semelhante à do Palácio de Knossos.
(Sem as plantas e sem o chafariz - informação de 1973!).
É só conferir...
Em todos os lugares percorridos, eu tirava fotos ("slides"!).
Na Grécia, a foto de que mais gosto é aquela onde apareço
entre as pilastras da Acrópole (parte mais alta da cidade).
Assim como no Egito, a foto de que mais gosto é aquela
onde apareço sentada num camelo deitado, tendo ao fundo
a Esfinge e a Grande Pirâmide, na entrada do deserto.
Fiquei surpresa com a semelhança que os subúrbios
de Atenas e algumas paisagens de beira de estrada
têm com os que encontramos aqui.
Fiquei surpresa com a quantidade de pedrinhas de
mármore encontradas nas ruínas! Eu mesma peguei
algumas para guardar. Todos pegavam pedrinhas
daqui e dali para levar (um colega exagerou até!).
Como aquelas pedrinhas resistem ao passar dos
séculos, se todos os visitantes levam um pouquinho?
Fiquei surpresa com a acústica perfeita do Teatro de
Epidauro, criado por Asclépio (ou Esculápio) para
curar doentes (eis uma das origens do teatro). Foi
construído aproveitando o morro, metade de um
círculo (um círculo inteiro, como o Maracanã, é um
anfiteatro; teatro significa visão). Nos lugares mais
altos e mais distantes do centro do Teatro de Epidauro,
(parte mais baixa e onde ocorrem as dramatizações),
escuta-se nitidamente o atrito de um fósforo na caixa,
realizado no centro ("orquestra"). Falas e sussurros
executados nesse centro são ouvidos nitidamente de
qualquer ponto do teatro.
Eu já sabia disso, mas pude comprovar e fiquei perplexa.
Visitamos inúmeros lugares. As águas do mar!
Segundo um guia, "estamos sempre perto do mar!".
Alguém completou com as palavras de um escritor
(não consegui anotar): "A Grécia dorme nas montanhas
e lava o rosto no mar".
Muito mais há aqui no meu caderninho.
Os Jogos Olímpicos me mostraram lugares
onde eu estive e aos quais jamais voltarei ...
Até quinta-feira.
(Em 30/08/04).
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 23:54 | *
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Quinta-feira, Agosto 26, 2004
TEXTO: 174.
I N S E T O S
( MALES ... )
Triste sina nascer inseto.
São nocivos sabemos nós.
Baratas, mosquitos,
moscas, formigas,
etc., etc., etc.
Morte aos insetos!
Todos?
Não gosto de matar insetos.
Coloco-me em seus lugares.
Como eu me sentiria
sendo esmagada por um sapato?
Como eu me sentiria
na agonia
dos inseticidas?
Do ponto de vista dos insetos,
os nocivos somos nós.
Uma questão de ter nascido gente.
Uma questão de ter nascido inseto.
Insetos fazem mal às pessoas.
As pessoas fazem mal aos insetos.
Algumas pessoas e alguns insetos
conseguem, umas e outros,
fazer-nos o mesmo mal...
Até segunda-feira, à noite.
(Em 26/08/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 04:22 | *
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Sábado, Agosto 21, 2004
TEXTO: 173.
GUERRAS E JOGOS
( VENCEDORES... )
Nas guerras, os países entram em luta
e matam seus "inimigos".
Nos jogos, os adversários entram em disputa
e eliminam seus rivais.
Nas guerras, recolhem-se os mortos e feridos,
os estragos expostos.
Nos jogos, quem perde sai ferido de morte,
mas os estragos são internos (vergonha, frustração...).
Estamos nas Olimpíadas de 2004.
Aparentemente, há confraternização.
Aparentemente, é tudo muito bonito.
No fundo, a luta é a mesma
e a vergonha e frustração de quem perde
também são as mesmas de qualquer jogo.
Por que tanta felicidade em derrotar o outro?
Por que tanta felicidade em ser apenas um pouquinho
melhor que o outro?
No Jogo da Amizade entre Brasil e Haiti,
cheguei a imaginar Ronaldo, o Fenômeno,
fazendo um belíssimo gol para o Haiti,
bem como um jogador do Haiti
fazendo um gol para o Brasil,
ficando, assim, os dois times
não só empatados
mas confraternizados...
Simplesmente um sonho!
Nossa Seleção goleou o Haiti: 6x0!
Tenho visto a chamada para um Documentário
que o GNT, canal de TV a cabo (NET), exibirá
dia 26 de agosto próximo, às 20h 30 min, se não
me engano.
São meninos falando sobre a guerra.
Não sei se as palavras são dos meninos
ou se puseram palavras em suas bocas.
Faço minhas as palavras ditas
pelo último menino a falar.
Creio que são palavras
que se aplicam tanto às guerras
como a qualquer competição.
Diz o menino:
"Numa guerra os dois lados sofrem.
Talvez haja um vencedor.
Mas o que é um vencedor?
Os dois lados sofrem.
Os dois lados perdem."
Vejamos o Documentário.
Fica a pergunta:
O que é um vencedor?
Até quarta-feira, à noite.
(Em 21/08/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 04:34 | *
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Segunda-feira, Agosto 16, 2004
TEXTO: 172.
TELEFONE TOCANDO !
( COISAS IRRITANTES... )
Nada tão urgente quanto a campainha do telefone.
Paramos, imediatamente, o que estamos fazendo
para atender.
A não ser aqueles que têm as "benditas" secretárias
eletrônicas, mas suponho que, também eles, param
e ficam tão ansiosos quanto quem ligou, esperando
acabar aquela lengalenga gravada, para saber se
atendem ou não, isso se estiverem em casa, lógico.
O mesmo deve acontecer com quem tem o identificador
de chamadas. Correm para ver quem está ligando, para
saber se atendem ou não.
O fato é que um telefone tocando é algo difícil de ser
ignorado.
Atualmente, quando o telefone toca, eu já fico irritada.
Primeiro, porque estou numa fase em que os fatos
irritantes são bem mais numerosos do que os que não
o são. Segundo, porque aumentou muito o número de
telefonemas que me informam sobre prêmios que
possivelmente ganhei (os quais eu dispenso não muito
polidamente), sobre a sorte que eu tive em ter sido
selecionada para isso ou aquilo (também dispenso
nada polidamente), sobre cartões de crédito e contas
em bancos disponíveis para mim (esses eu dispenso
iradamente), todos me chamando pelo nome como
se fôssemos velhos conhecidos, interessados pelo
meu bem-estar.
Outro dia, o telefone tocou. Era a moça do jornal do
qual sou assinante (como gostam do meu telefone!).
Ela queria saber se eu já tinha lido todo o jornal recebido.
Era manhã ainda. Olhei o jornal dentro do plástico sobre
a cadeira, à espera de ser aberto. Respondi que não. Ela
ligaria mais tarde, não ligou.
Nem tentei explicar a ela que gosto de ler jornais dos
dias anteriores. Jamais corro para saber o que o jornal
está dizendo (de certa forma, eu já sei, pelos noticiários
da noite anterior). Gosto de ler jornais atrasados, o prazer
de já saber como terminou aquele retumbante caso de
primeira página, ou de como ele ainda se arrasta
sem prazo para terminar.
Um dos fatos mais irritantes que me aconteceram
ultimamente foi ver meu caderno preferido do
jornal, leve e maleável, transformar-se numa
revista, pesada, grande. Muitos podem ter gostado.
Eu não gostei. Se compro jornal, quero receber jornal.
Se eu quisesse revista, compraria revista. E lá tenho eu
que ler meus artigos preferidos, desconfortavelmente,
numa revista. Isso é muito irritante! Jornal é jornal.
Revista é revista. Seria o mesmo que eu comprar
um aparelho de TV e, para me agradar, o vendedor
entregasse um computador. Ó Céus!
Telefones e jornais!
Você corre para atender seu telefone?
Você lê TODO o jornal assim que ele chega?
Você, como eu, tem tido a mesma sorte, recebendo,
por telefone, inúmeros oferecimentos "irrecusáveis"?
Você gostaria que seu jornal se transformasse em revista?
Até sexta-feira, à noite.
(Em 16/08/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 20:13 | *
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Quarta-feira, Agosto 11, 2004
TEXTO: 171.
O L I M P Í A D A S ...
( FALANDO POUCO! )
A Festa de Abertura das Olimpíadas deste ano,
em Atenas, será na próxima sexta-feira.
Quem me conhece sabe que sou plenamente
a favor dos empates.
Não vejo razão para países inteiros ficarem tristes
porque o time de um esporte ou outro perdeu.
Sou a favor dos empates
nos jogos e na vida.
Para haver empates,
é preciso acabar com a competição
e fazer viver a SOLIDARIEDADE.
Nesta época de Olimpíadas,
onde teremos vencedores
por ínfimos milésimos de segundos,
ou invisíveis milésimos de milímetros,
considerando o mundo
ou sua vida pessoal,
a quem você daria esta medalha?
Até segunda-feira.
(Em 11/08/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 17:38 | *
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Segunda-feira, Agosto 09, 2004
TEXTO: 170.
E S P E R A R
( ANSIEDADE! )
Acordei cedo outro dia.
Difícil, para mim, sair da cama
quando o sono ainda me entorpece.
Sou vespertina (notívaga, como queiram),
conforme já expliquei aqui.
Mas ele iria chegar, pontual, como sempre!
Precisava esperá-lo. Levantei-me.
Esperar por alguém, não importa quem,
sempre me inquieta. (Também já falei sobre isso).
Olhei a rua pelos vidros da porta.
Parece que olhar a rua fará com que ele
chegue mais rapidamente.
Pela experiência dos anos,
sei que isso não muda nada,
mas insisto em olhar a rua através dos vidros.
Um grupo de adolescentes, segurando camisas,
o da frente levando uma bola,
vai passando alegre pela rua
na manhã que mal acordou,
pelo menos para mim.
Parecem um bando de pássaros
fazendo revezamento
com os pássaros de verdade
que já encerraram a apresentação do dia.
E ele não chega! Saio da porta.
Arrumo uma coisa, outra,
procuro me distrair... não adianta.
Volto para a porta, olho outra vez a rua.
Agora, ninguém mais passa,
só automóveis correm, indo e vindo.
Lembro-me de outras esperas,
olhando através dos vidros
da mesma porta.
Algumas esperas com encontros felizes,
outras nem tanto...
Detesto esperar!
Finalmente! Ele já está na rua!
Pressinto!
Corro para abrir o portão.
É ele mesmo!
Alívio!
Chegou pontual o marcador da água.
Até quarta-feira.
(Em 09/08/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:50 | *
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Quarta-feira, Agosto 04, 2004
TEXTO: 169.
O COMPUTADOR NOSSO DE CADA DIA
( COMO O USAMOS ? )
Comparo o computador às diversas ruas
de uma cidade.
Nas ruas de uma cidade, podemos fazer compras,
comparecer aos ambientes de trabalho,
entrar numa biblioteca (nunca se questionou a
imensa quantidade de informações que há numa
biblioteca), parar num jornaleiro, freqüentar escolas,
entrar num restaurante ou lanchonete, ir a um cinema,
quem sabe um teatro, visitar amigos, orar num templo,
meditar numa praça, passear apenas...
Ao contrário, podemos penetrar nas ruas dos vícios,
freqüentar a malandragem (seus vários tipos),
os diversos antros, escondidos ou não...
Uma questão de escolher as ruas nas cidades.
Uma questão de escolher os "sites" nos computadores.
Assim como caminhamos nas ruas.
Assim também "navegamos" nos aparelhos (incluo a TV,
telefones celulares, rádios...). Escolhemos...
Sofremos influências das nossas escolhas.
Que saibamos escolher,
nas ruas e nos "sites",
os melhores caminhos
para tecermos com sabedoria
a rede ("net") de nossas vidas.
Que haja menos violência nas ruas.
Que haja menos "panes" nos computadores.
Seria muito bom
podermos caminhar em PAZ!
( Em 04/08/04 ).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 11:41 | *
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Sou uma pessoa simples. Com uma família amorosa.
Gosto de bisbilhotar assuntos,não pessoas. Este "Mercado Livre" apareceu aqui não sei como!
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