Terça-feira, Junho 08, 2004
TEXTO: 161.
E N G A N O S !
( MAL-ENTENDIDOS ... )
Na vida, estamos sempre sujeitos a mal-entendidos.
(Eu que o diga!...)
Recebi há poucos dias, por e-mail, um pps com fundo
musical e o interessante texto O ROUXINOL E A ROSA.
Recebi-o de minha prima Semeadora.
(Oi, Prima, mais um abraço por seu aniversário, ontem, dia 7).
O texto, resumindo bem, conta a história de um rouxinol
que se alimentava das migalhas que caíam no peitoril da
janela onde vinha um rapaz, todas as manhãs, comer pão,
olhando a paisagem.
O rapaz só vinha ali para comer o pão, nem percebia
que caíam migalhas e muito menos que um rouxinol
as comia.
Mas o rouxinol pensava (no texto, o rouxinol pensa) que
as migalhas eram colocadas ali especialmente para ele. E,
por pensar assim, passou a ter profunda amizade pelo rapaz,
que nem sabia da existência do rouxinol.
Segue o texto, contando que o rapaz se apaixona por uma
jovem que só aceita se casar com ele se ele trouxer para ela
uma rosa vermelha. O rapaz procurou muito por uma rosa.
Não era época de rosas. Ele ficou tristíssimo!
O rouxinol, vendo a enorme tristeza do rapaz e conhecendo
o motivo, dirige-se ao Deus dos Pássaros e pede ajuda para
encontrar uma rosa para aquele que julga ser seu amigo. Seu
Deus diz que, para ele conseguir a rosa, só há um meio: O
rouxinol terá que se emaranhar numa roseira e cantar sem
parar até surgir a rosa.
O rouxinol aceita o sacrifício. Embrenha-se na roseira
cheia de espinhos em frente à janela do rapaz e começa
a cantar, cada vez mais forte, procurando o canto mais
lindo para que linda também seja a rosa. Quanto mais
canta e se esforça, os espinhos da roseira vão ferindo
seu corpinho, o sangue goteja, ele não pára de cantar.
Sangra muito. A noite inteira ele canta. Já sem forças,
ele morre. Mas surge ali uma rosa vermelha de beleza
incomparável.
Pela manhã, ao vir à janela, o rapaz vê a rosa. Alegra-se.
Corre para colhê-la, pensando na amada. Encontra, ao
lado da rosa, o corpinho do rouxinol, morto, preso aos
espinhos e comenta: "Que bicho burro! Tanto lugar
para ir e vem se meter justamente aqui! Pelo menos,
não terei mais que aturar aquele canto tão chato!"
Pega a rosa com cuidado. Vai levá-la para a amada.
Deixa o corpinho do rouxinol abandonado.
Alguma semelhança com a Vida? Toda!
Quantas pessoas amamos e nem souberam que existíamos?
Quantas nos terão amado e nem percebemos?
O rouxinol se enganou, pensou uma coisa, era outra.
Poderíamos associar a história àquele ditado popular:
"Pensando, morreu um burro!"
Prefiro associar a este outro:
"O que mais vale na vida é procurar dar
um pouco de felicidade à vida dos outros."
(Baden Powell).
Que essa história nos faça pensar, mesmo parecendo
burros (dizem que os burros são inteligentes):
Será que estamos comendo migalhas jogadas ao acaso,
pensando que estão sendo dadas a nós por amigos?
Será que estão comendo migalhas que jogamos a esmo,
e temos amigos que até morreriam por nós e nem os
percebemos?
Será que sabemos realmente pensar?
Até sábado.
(Em 08/06/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:37 | *
Sábado, Junho 05, 2004
Texto: 160.
Sugestão extra, feita em 25/05/04, nos comentários
do texto 149, de 20/04/04. O objetivo principal não
é o texto que escrevo a partir da sugestão, mas cada
comentário ao assunto tratado, os diferentes pontos
de vista de cada um.
Vi esta sugestão apenas há alguns dias. Grata.
Perdoem o atraso.
Bisbilhoteira.
OITAVA SUGESTÃO (Sugestão extra).
Por MANOEL CARLOS
B L O G U E S ...
( TENTANDO ENTENDÊ-LOS )
Usarei a grafia "blogue", conforme foi usada na sugestão.
A sugestão é formada de 4 perguntas.
1ª) O QUE SE PROCURA EM UM BLOGUE?
Creio que, a princípio, procuramos por nós mesmos.
Nos blogues, extravasamos nossa necessidade de ser,
extravasamos nossos pensamentos, já que não existem mais,
como antes, os encontros de amigos, as visitas, os almoços
e jantares em família.
As pessoas, hoje em dia, estão muito isoladas.
Apesar do aumento e variedade dos meios de comunicação,
falamos menos com nossos amigos, há mais dificuldade em
encontrar companhia (quem ainda não encontrou seu par
amoroso que o diga!), isolamo-nos em nossas residências,
desde as mais humildes até as mais sofisticadas.
São reconhecidas, em estudos, a solidão e a ansiedade
do homem moderno, o vazio que cada um sente. Mesmo
ao lado de pessoas, é difícil estarmos com essas pessoas.
Isso pode gerar ódios, recalcados em ressentimentos, o
que dificulta ainda mais os relacionamentos. Há, cada vez
mais, dificuldade em enfrentar os obstáculos que surgem.
Acabamos mergulhando em nós mesmos e nos perdemos.
Tentamos agarrar tábuas de salvação (grupos disso, daquilo,
geralmente superficiais, alguns perniciosos). O blogue seria
uma dessas tábuas, um espaço nosso, onde não só tentamos
encontrar a nós mesmos. Tentamos também encontrar os
outros, driblando a solidão existencial.
. . . . "Somos homens vazios
. . . . Somos homens espalhados
. . . . Uns nos outros apoiados
. . . . ..................................."
. . . . . (T. S. Eliot, 1925).
2ª) POR QUE MANTER UM BLOGUE
E FREQÜENTAR OUTROS?
Em parte, pelas mesmas razões citadas acima.
Mantemos nosso blogue para nos mantermos.
Freqüentamos outros blogues para encontrar alguém.
E não teria sentido se postássemos e ninguém visse
aquilo que postamos. Diferentemente de nossas
moradias, nossos blogues estão sempre de portas
abertas, para quem quiser entrar. E também entramos
sem bater onde nos agrada estar. Somos bem recebidos.
Procuramos receber bem. Imitação de um bairro ideal,
este sim, virtual, porque ainda não existe.
Mas o que é um blogue? Aparentemente, um conjunto
de textos e figuras. Mas há os apelidos, o título do blogue,
seu endereço. Isso, a meu ver, atenderia a "um mito de
auto-afirmação com a possibilidade de usufruir de uma
dupla personalidade". Essa frase de Moacy Cirne, em
relação ao mito do super-herói, creio que se adapta como
uma luva a esse assunto sobre blogues.
Manter meu blogue e visitar outros, comentando para
marcar minha passagem, bem como receber visitas e
comentários de outros blogues traz para mim imensa
felicidade. Por isso mantenho meu blog e visito outros.
3ª) O BLOGUE É PARTE DA VIDA REAL OU UMA FUGA?
O blogue é uma fuga se o encaramos como Pascal encarava
o divertimento que, para ele, era qualquer ocupação para
impedir o tédio, segundo ele, sentido por todos, mesmo sem
motivo. Para mim, o blogue é também um divertimento, até
nesse sentido usado por Pascal, mas não só um divertimento.
Ele faz parte, sim, eu acho, da vida real. Escrevemos e
escolhemos o que vamos postar estando na vida real.
Nosso computador e o tempo que passamos diante dele
é vida real. O conteúdo do qual me sirvo para escrever
saiu da vida real. Nossos posts fazem parte da vida real,
mesmo sendo uma poesia ou um texto de ficção. Os poetas,
romancistas, músicos viveram e vivem na vida real. É um
esconder-se e mostrar-se a cada dia. Ilusão pensar que
tudo na telinha é virtual. É virtual apenas enquanto não se
realizou. Publicou passa a fazer parte da vida real. As
visitas que fazemos e recebemos fazem parte da vida real.
Ficamos felizes ou tristes com o que se passa em nossos
blogues, nossa vida real, se fosse virtual não nos afetaria.
Tanto isso é verdade, que assumimos um termo de
responsabilidade para ter um blog, o termo de licença
de uso ("EULA": "End User Licence Agreement"),
e responderemos por isso na vida real. Seguimos
regras, temos limites. Isso é vida real.
4ª) COM QUEM MAIS TROCAMOS IDÉIAS:
. . . COM AMIGOS REAIS OU VIRTUAIS?
Perdoe, mas não gosto do termo "Amigos Virtuais", como
se eles não existissem. Existem tanto como cada um de nós.
Eu me comunico pelo computador com amigos antigos
e com outros que foram surgindo. Alguns desses novos
amigos eu até já conheço pessoalmente ou por telefone.
Acredito em amigos, e gosto muito deles.
Vejam que os grupos vão se formando por afinidade,
tanto pessoalmente como pelo computador. Já expus,
aqui, minha opinião sobre os chamados "amigos virtuais",
no texto de 20/07/03 e no texto 152, mais recente.
Quanto a trocar idéias, não depende do computador,
isso depende do temperamento da pessoa. Eu troco
idéias até em filas, desde que não me torne inoportuna.
Trocamos idéias com quem sentimos maior afinidade e
receptividade.
Há quem seja caladão, não gosta de conversar.
É preciso respeitar o jeito de cada um.
CONCLUSÃO: Surge com os blogues um novo tipo
de encontro (de pessoas, de idéias, de ideais). Surge
com os blogues um novo tipo de comunicação e de
expressão. No futuro, com toda a certeza, teremos
estudos sérios sobre o fenômeno dos blogues. Não
apenas um texto superficial como este.
Com a palavra, o autor da sugestão (a quem tentei
homenagear, citando Moacy Cirne) e os visitantes.
Até terça-feira.
(Em 05/06/04)
Cochichado pela Bisbilhoteira on 12:30 | *
Terça-feira, Junho 01, 2004
TEXTO: 159.
"MEIO COPO:MEIO CHEIO OU MEIO VAZIO?"
( NÃO ESTOU SOZINHA! )
Pelos comentários, percebi que notaram algo estranho.
Entretanto, quantas vezes ouvimos essa frase, tentando
enquadrar-nos como otimistas ou pessimistas?
Aparentemente, ela até soa bem educativa!
A pergunta usa um jogo de palavras com base no geral
desconhecimento dos diferentes significados da palavra
"meio". Acredito que quem a elaborou também não tenha
pensado sobre isso. (Não sei de onde ela surgiu).
Em "meio copo", a palavra "meio" é um Numeral,
significa "metade" (metade do copo).
Em "meio cheio" e "meio vazio", a palavra "meio"
é um Advérbio, significa "um pouco", "quase"
(quase cheio, quase vazio).
Consultem Dicionários e Gramáticas, se duvidarem.
"Quase cheio" e "quase vazio" existem; à semelhança
de "meio triste" (um pouco triste), "meio cansado" (um
pouco cansado), "meio surdo" (quase surdo).
Já "meio grávida" ("quase grávida") é impossível!...
Em Medicina, quando o médico mostra 1 dedo e o paciente
vê 2 dedos, isso não quer dizer que o paciente é otimista, é
um sintoma que demonstra problema de saúde, grave ou
não, dependendo da continuação dos exames.
Assim, quem olha um copo preenchido até o meio
(metade de sua capacidade), meio copo de leite, por
exemplo, se for uma pessoa saudável, verá meio copo
de leite. Se a pessoa achar que o copo está "meio cheio"
(quase cheio) ou "meio vazio" (quase vazio), temos aí
um problema de percepção, ou de visão, não um otimista
ou pessimista.
"Quase cheio" teria que estar acima do meio.
"Quase vazio" teria que estar abaixo do meio.
A pessoa, ao olhar meio copo de leite, poderá ficar
satisfeita ou não com aquela quantidade. Também
não vejo nisso indicação de otimismo ou pessimismo,
pode ser fome, sede; ou ausência de fome e sede.
(Não vou nem citar que ela pode gostar ou não
especificamente do que está naquele copo, o que
também não influiria na percepção da quantidade).
Otimismo e pessimismo não podem estar afastados
da realidade. O auto-engano (enganar-se, mascarar
a realidade) deve ficar bem longe dessas classificações.
A frase, a meu ver, como eu disse no texto anterior,
explora a ignorância das pessoas sobre os significados
das palavras. Mesmo tentando ajudar.
A frase leva a crer que as três palavras "meio" usadas
significam "metade". Mesmo assim, não convenceria,
pois se metade está cheia é óbvio que metade estará
vazia. Ver tanto a metade cheia como a metade vazia
é a percepção correta.
Creio que há meios mais adequados para classificar
otimismo e pessimismo. (Perdoem o trocadilho: "meios",
aqui, Substantivo, significando "maneiras", "modos").
Se a frase estivesse correta quanto a otimismo, pessimismo
e metades, vejam as seguintes situações:
1) O filho mostra ao pai a nota 5 que tirou em uma prova
que valia 10. Pela frase, o pai otimista daria um prêmio ao
filho, afinal ele quase tirou 10 ("copo meio cheio"). Já um
pai pessimista poderia até castigar o filho por ele ter tirado
quase zero ("copo meio vazio"). Não é um absurdo?
2) Indo mais longe, caso o diagnóstico da frase estivesse
correto: O otimista, ao comprar meio quilo de algo,
insistiria em pagar mais; afinal, meio quilo para ele é
quase 1 quilo; como, sendo também honesto, levaria
quase 1 quilo pagando apenas meio quilo? Nesse caso,
o pessimista iria querer pagar menos: como ele pagaria
o preço de meio quilo por aquela insignificância?
(O otimista e o pessimista não poderiam fazer compras,
tirar medidas para roupas, seguir receitas de culinária, etc.,
já pensaram?).
Não confundir esse emprego das palavras "meio" com
linguagem figurada. A linguagem figurada não distorce
a realidade, ao contrário: torna-a mais clara. Se eu disser
que "passei mal e fui voando para o hospital", todos
entenderão que fui o mais rápido possível, ninguém vai
imaginar que eu andei cheia de penas com asas abertas
sobre a cidade. (A figura citada é uma Hipérbole).
Graças a Deus! Consigo ainda distinguir meio copo
de leite, de suco... Quando eu começar a achar que
meio copo de leite está quase entornando de cheio
ou virar propositadamente meio copo de suco,
pois tão pouco não molhará nada ... creio que os
que me cercam deverão ficar preocupados comigo.
E você? Ainda acha que meio copo, seja lá do que for,
pode dizer que alguém é otimista ou pessimista?
Até sábado, à noite.
(Em 01/06/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 10:57 | *