Segunda-feira, Maio 24, 2004
Texto: 157.
Última sugestão feita nos comentários do texto 149,
de 20/04/04. O objetivo principal não é o texto que
escrevo a partir da sugestão, mas cada comentário
ao assunto tratado, os diferentes pontos de vista
de cada um.
Agradeço muitíssimo a todos que sugeriram.
Bisbilhoteira.
SÉTIMA SUGESTÃO (Última, por ordem de colocação).
Por Gaudério.
GREVE DOS PROFISSIONAIS DE ENSINO
( GREVE DOS PROFESSORES )
Profissionais do Ensino: A expressão abrange todos os
profissionais ligados ao Ensino.
Falarei apenas sobre a Greve dos Professores, assunto
que conheço de perto: passei por algumas greves e, confesso,
aborreci-me muito durante algumas delas.
1º) Greve é uma atitude extrema, depois que se esgotaram
todas as possibilidades de diálogo. Durante a greve, mostra-se
a falta que aquele serviço faz e, por fazer tanta falta e trazer
tanto prejuízo, a greve é usada como última instância de
diálogo. Imaginem uma semana inteira sem que o lixo seja
recolhido; uma semana inteira com hospitais fechados; uma
semana inteira sem que a correspondência seja entregue.
Imaginem um mês inteiro sem aulas. Professores em greve:
Alunos felizes (são os primeiros a não ir às escolas assim
que se fala em greve). Administração satisfeita (economizam
quilômetros de giz, não se gasta luz, não há merenda em
muitas escolas, etc.), a cidade fica menos engarrafada. Quantas
vantagens! Principalmente porque a ignorância e a falta de
conhecimento não incomodam, não matam, não cheiram mal.
E nossos briosos professores insistem em fazer greve! Para quê?
2º) Professores em greve não têm coragem de enfrentar as
autoridades quando, depois de meses em greve, elas decretam
que "o ponto será cortado!". Dita essa expressão mágica todos
os professores voltam correndo para as salas de aula, quando
nessa hora é que começaria a greve, até então foi apenas um
"descanso geral permitido".
3º) Reposição de aulas: Isso não existe! Jamais aquelas
aulas perdidas poderão ser repostas em sua totalidade de
conteúdo e convivência. Há três tipos de reposição de aulas:
1. A tradicional pesquisa em grupo, que também seria
usada na aula normal: Não acrescenta nada ao aluno, fácil
para o professor corrigir (ninguém corrige, apenas lê, isso
os que lêem, há os que preferem "pesquisas" cheias de
gravuras, quanto mais melhor e maior a nota). Professores
desse tipo podem ficar em greve a vida inteira. Seria um favor!
2. Lista de assuntos que cairão numa prova arrasadora.
Os alunos que se virem. Já perceberam? São aqueles professores
que gostam de reprovar e, com a greve, perderam a oportunidade
de se pavonearem frente os alunos falando sem explicar nada.
Esses reprovariam todo mundo de qualquer maneira. Também
não fazem nenhuma falta, poderiam continuar em greve.
3. Tentar aproveitar o tempo. Professores que se esforçam
no pouco tempo que têm para que os alunos aprendam o máximo
possível. Esses professores também agiriam assim nas aulas
normais. São pouquíssimos, mas existem e, apenas nesse caso,
os alunos perdem muito com as greves.
Teria muito a contar sobre greves das quais participei.
De como eu e um pequeno grupo enfrentamos o corte
de ponto, na última greve da qual participei, e não
adiantou nada, éramos muito poucos, voltamos. Mas disse a
todos da Escola (colegas, alunos e administradores) que
jamais participaria de nenhuma outra greve, mas se houvesse
outra greve eu ficaria na escola, dando aulas normais, com
os alunos, e não sentada sem fazer nada como os que não
participam da greve costumam ficar. Disse também que,
como eu daria aulas normais, não participaria de reposição
de aulas. Eis que surge outra greve e cumpri o que prometi,
junto com os alunos, que não faltavam, vinham só nos meus
horários. Senti vergonha diante deles quando os colegas
começaram a voltar ante a ameaça de corte de ponto. Não
fiz reposição de aulas. Entrei em férias. Nem preciso dizer
quantas inimizades eu fiz nessa época! Felizmente, os
alunos me compreenderam. Os outros também.
A meu ver, já que professores não fazem tanta falta como
os lixeiros, por exemplo, a greve de professores só teria
êxito se, ao invés de pararem, eles trabalhassem dobrado.
Isso daria uma confusão e tanto!
Com a palavra, o autor da sugestão e os visitantes.
Até sábado, à noite, com meus assuntos...
(Em 24/05/04)
Cochichado pela Bisbilhoteira on 23:12 | *
Terça-feira, Maio 18, 2004
Texto: 156.
Atendendo sugestões feitas nos comentários do texto 149,
de 20/04/04, por ordem de colocação. O objetivo principal
não é o texto que escreverei a partir da sugestão, mas cada
comentário ao assunto tratado, os diferentes pontos de vista
de cada um.
Agradeço muitíssimo aos que sugeriram.
Bisbilhoteira.
SEXTA SUGESTÃO.
Por May.
POR QUE PROCURAMOS MUDANÇAS TÃO RADICAIS
EM NOSSAS VIDAS?
POR QUE ASSUMIMOS CERTOS COMPROMISSOS QUE
NOS LEVAM A UMA TOTAL MUDANÇA DE VIDA?
( MUDANÇAS! )
Antes de tentar responder as perguntas, vejamos a que
mudanças estamos sujeitos em nossa vida:
1º) Há as mudanças e transformações normais inerentes
à própria vida: O bebê (começo daí) transforma-se dia
após dia na pessoa que ele será. A pedra, aparentemente
imóvel, sofre a erosão (desgaste) natural que, através dos
séculos, irá transformar-lhe o aspecto. Os cadáveres, em
sua inércia aparente, decompõem-se rapidamente. Dias e
noites se seguem. Sementes brotam, flores desabrocham,
pássaros voam, insetos e outros bichos aparecem e somem...
O ciclo da Vida é uma sucessão de mudanças inevitáveis.
2º) Em relação às pessoas, posso distinguir cinco tipos de
mudança:
1. As básicas já citadas, inerentes ao ciclo da própria vida.
2. As mudanças internas, físicas e psicológicas, decorrentes
das mudanças básicas e de influências externas e tendências
que se vão apresentando.
3. As mudanças externas, aparências (físicas, materiais e
sociais).
4. As mudanças voluntárias, fruto de nossa própria escolha.
5. As mudanças involuntárias, decorrentes de situações fora
de nosso controle, impostas por diversos acontecimentos.
Essas 5 mudanças estão sempre presentes, simultaneamente,
durante toda a nossa vida, durante todo o tempo. Mesmo a
pessoa mais acomodada, a mais rotineira, não conseguirá
fugir delas, ainda que não as perceba.
Uma vez conscientes de que estamos mergulhados
o tempo todo nesses vários processos de mudanças,
vamos às perguntas sugeridas:
Por que procuramos mudanças tão radicais
em nossas vidas?
Será que procuramos mesmo? Não será um dos
casos daquelas mudanças que nos são impostas
pelas circunstâncias e, por aceitarmos passivamente,
temos a impressão de que a procuramos?
Não acredito que seja muito grande o número de
pessoas que procuram por essas mudanças. Creio
mesmo que são raríssimas. As mudanças radicais
geralmente ocorrem de forma involuntária como
transferências no emprego, morte na família,
catástrofes ambientais, acidentes, grandes prejuízos
(ou lucros) em negócios, grandes prêmios em
loterias (tão raros que os coloquei aqui entre as
mudanças involuntárias).
Às vezes, as pessoas procuram mesmo. Há quem
resolva, por si mesmo, mudar radicalmente de
profissão, de casa, até de país.
Desde que a pessoa tenha consciência de que está
mudando apenas o "cenário" de sua vida, de que
"seu eu" continuará o mesmo não importa onde more
ou trabalhe, estará tudo bem, apenas o "cenário"
será outro.
Se, entretanto, a necessidade de mudança vem de uma
necessidade mais profunda, uma insatisfação com seu
próprio "eu", convém rever seus valores e atitudes
antes de tentar mudanças radicais. Considero que essa
mudança interior está entre as mais difíceis mudanças
que podemos tentar: geralmente só acontece com o
aprofundamento do aprendizado sobre as pessoas e
com a coragem de mudar após esse aprendizado. Às
vezes, para esse tipo de mudança, é necessária a ajuda
de pessoas especializadas. Nada, entretanto, será mudado
se não houver uma grande força de vontade.
Mudanças radicais têm riscos (viver é um risco!), mas
podem trazer muita felicidade, novas oportunidades,
abrir horizontes. Desde que essas mudanças radicais
não sejam, na verdade, fugas a responsabilidades
assumidas ou que estejam prestes a ser assumidas.
É muito cômodo, em nome de adotar mudanças
radicais, deixar cair em outros ombros algumas
responsabilidades que a nós caberiam.
Quanto à segunda pergunta, referente a assumir
compromissos que levam a uma total mudança
de vida, penso que os motivos são os mesmos já
citados. Novamente ressalto a possibilidade de que
esses compromissos podem apenas ser uma fuga de
responsabilidades ou de problemas não resolvidos;
estando a pessoa bem atarefada, com a vida totalmente
mudada, fica livre do que realmente gostaria de mudar
ou livre de responsabilidades que seriam suas.
Entretanto, se vai assumir novos compromissos com o
objetivo de melhorar sua vida, ótimo! É uma atitude
corajosa que merece elogios.
Importante saber que não existe felicidade durante
24 horas do dia nos 365 dias de cada ano. Nenhuma
dessas mudanças radicais garantirá a felicidade em
tempo integral. Haverá sempre outras mudanças a
serem enfrentadas.
Procurar ser feliz no "aqui e agora" em mutação,
tornar esse "aqui e agora" o mais suportável possível
já é uma vitória.
Talvez seja a mudança mais radical que alguém
consiga realizar: Viver plenamente o "aqui e
agora", não importando onde ou quando
eles estejam.
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Agora, passo a palavra aos visitantes e à autora
das sugestões: May (Ninguém melhor do que ela
para falar sobre esse assunto já que acaba de se
instalar em uma nova cidade). Que você, May, saiba
administrar a saudade de tudo que ficou para trás e
que haja melhoras em todos os aspectos de sua vida,
é o que lhe desejo com todo carinho.
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Está aberto mais um debate.
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Até segunda-feira, à noite.
(Em 18/05/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 19:57 | *
Sábado, Maio 15, 2004
Texto: 155.
Atendendo sugestões feitas nos comentários do texto 149,
de 20/04/04, por ordem de colocação. O objetivo principal
não é o texto que escreverei a partir da sugestão, mas cada
comentário ao assunto tratado, os diferentes pontos de vista
de cada um.
Agradeço muitíssimo aos que sugeriram.
Bisbilhoteira.
QUINTA SUGESTÃO.
Por Drica.
EXISTE O IMPOSSÍVEL?
( NOSSOS LIMITES )
Tive um professor de Língua Portuguesa que,
para nos fazer pensar, desafiou-nos com a
seguinte questão: "Escreva uma frase, usando
a palavra SIM querendo dizer NÃO. Escreva
outra frase onde apareça a palavra NÃO
querendo dizer SIM".
A princípio, nada mais impossível. SIM e NÃO,
duas palavras com significados claríssimos.
Como uma poderia ter o significado da outra?
Ninguém acertou.
Éramos adolescentes acostumados com o "2+2=4".
Então, o professor nos mostrou que, estando
as palavras SIM e NÃO isoladas, o significado
delas não poderia ser mudado. Entretanto, ao lado
de outras palavras, era possível.
E, diante de nossa perplexidade ante algo tão simples,
ele mostrou como o SIM e o NÃO mudam de significado:
"Pois não!": Dito com simpatia, equivale a SIM.
"Pois sim!": Dito com rispidez, equivale a NÃO.
Bastaria que fizéssemos frases usando essas expressões
e teríamos acertado.
Da mesma forma devemos olhar o "IMPOSSÍVEL".
Isoladamente, ele é tudo o que não é possível. Se não
é possível, parece absurdo existir. Mas, a exemplo
daquele professor, coloquemos a palavra "impossível"
num contexto:
O que é impossível para mim pode não o ser para outro.
O que é impossível hoje pode ser possível amanhã.
O que foi impossível ontem, hoje não é mais.
O que é impossível hoje, ontem era acontecimento banal.
Assim, hoje é impossível encontrarmos dinossauros
vivos. Existiram no passado. Na Idade Média, por
exemplo, ninguém conhecia o avião. Hoje, existem
foguetes espaciais. Exemplos não faltam.
Vou mais longe: Estou, até aqui, usando a realidade.
Se usarmos a imaginação, a fantasia, o impossível
deixa de existir. Poderemos encontrar dinossauros
vivos no jardim ou nos vermos em plena Idade Média,
viajando de avião. Basta imaginar, sonhar...
Então, existe o impossível? Resposta: NÃO!
Para que ele exista, precisará tornar-se possível.
E quando isso acontece?
O impossível pode tornar-se possível
na imaginação ou no sonho.
O impossível pode tornar-se possível quando
tivermos coragem de romper barreiras.
Dependendo do que for, podemos tornar possível
aquilo que era impossível apenas por medo infundado,
ou falta de preparo.
Mas que seja feita uma avaliação correta das
possibilidades para evitarmos frustrações
desnecessárias (já que algumas frustrações
serão sempre inevitáveis e saber encará-las
faz parte de uma vida mental saudável).
É sabido que pessoas conseguem superar
suas deficiências físicas de uma forma quase
inimaginável. Tenho aqui, diante de mim,
lindos cartões de Natal pintados com a boca
e com os pés (em cada cartão, aparece o nome
do pintor, ou da pintora, e se a pintura foi feita
com a boca ou com os pés). Podem conferir
no seguinte endereço: Pintores com a boca e os pés.
Rua Tuim, 426, São Paulo, CEP 04514-101.
Que tal encomendar os próximos cartões aí?
Eles entregam pelos Correios (não tenho nem
telefone, nem endereço eletrônico).
É sabido também que, diante de um grande perigo,
nossa força pode ser multiplicada, permitindo-nos
atos que não conseguiríamos em situação normal.
Mas há limites. Respeitemos nossos limites
bem como os limites dos outros. Podemos,
e devemos, tentar superá-los, mas até certo
ponto. Que ninguém imite o personagem
mitológico Ícaro (que conseguiu voar com
asas de cera, fabricadas por ele mesmo, mas,
entusiasmado, aproximou-se demais do Sol,
as asas se derreteram e ele caiu no mar) cujo
nome serve para designar pessoas com ambições
exageradas que só trazem maus resultados.
Que ninguém se envergonhe de seus limites,
desde que não sejam maneiras disfarçadas
para explorar os outros e desde que tentem
superá-los sem exageros prejudiciais.
Concluindo: O impossível só existirá
tornando-se possível, como a semente
que morre para que nasça a planta.
Que tal tentarmos tornar possível
cada impossibilidade nossa
e a impossibilidade de cada um,
respeitando-se todos os limites?
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Agora, passo a palavra à autora das sugestões
e a todos os visitantes.
Está aberto mais um debate.
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Até terça-feira, à noite.
(Em 15/05/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 19:47 | *
Segunda-feira, Maio 10, 2004
Antes do texto de hoje:
Todas as palavras dos comentários do texto anterior,
comemorando o primeiro aniversário deste blog,
serão guardadas com muito carinho em meu coração.
"Não estamos na Terra para manipular objetos,
mas para viver encontros." (Jean-Yves Leloup).
É grande minha felicidade por tê-los encontrado.
Grata. Bisbilhoteira.
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Texto: 154.
Atendendo sugestões feitas nos comentários do texto 149,
de 20/04/04, por ordem de colocação. O objetivo principal
não é o texto que escreverei a partir da sugestão, mas cada
comentário ao assunto tratado, os diferentes pontos de vista
de cada um.
Agradeço muitíssimo aos que sugeriram.
Bisbilhoteira.
QUARTA SUGESTÃO.
Por Domrs.
COMUNICAÇÃO: NÓS E A COMUNICAÇÃO
( FALHAS NA COMUNICAÇÃO )
Não apenas nós, seres humanos, usamos a comunicação
através da voz, dos gestos, palavras, silêncios. Os animais
também se comunicam entre si, principalmente na época
do acasalamento. Os animais domésticos se comunicam
entre si e conosco. As abelhas, que percebem o aroma das
flores distantes, sabem ir e voltar; não o fariam se não
houvesse um tipo de comunicação entre elas.
Modernamente (e há muitos anos!) a Comunicação tem
sido centro de estudos cada vez mais profundos.
Aristóteles já nos fala em três ingredientes na comunicação
humana: quem fala, o discurso e a audiência.
A maioria dos modelos atuais não foge muito do que disse
Aristóteles. David K. Berlo, em "O Processo da Comunicação",
exibe seis ingredientes.
Não importa o número e o nome dos ingredientes.
É óbvio que, para haver a comunicação, é necessário
que haja algo a ser transmitido (mensagem), que alguém
transmita essa mensagem (emissor) usando um idioma ou
sinal (código) que possa ser entendido (decodificado) por
quem vai receber a mensagem (receptor ou recebedor),
através de um condutor dessa mensagem (canal).
Há três aspectos, a meu ver, muito importantes:
1º) Existe, ao lado da comunicação tradicional (transmissão
voluntária de mensagens), a comunicação involuntária:
mensagens que deixamos escapar, às vezes inconscientemente,
como gestos, fisionomia, modo de falar, entrelinhas de um texto.
Essa comunicação involuntária, que transmitimos mesmo sem
querer, é chamada de Comunicação Analógica, em oposição à
tradicional chamada de Comunicação Digital (nomes dados
à semelhança dos tipos de computadores digitais e analógicos).
2º) Como existe a Comunicação Analógica, sempre presente
naquilo que queremos comunicar e que, às vezes, transmite
mensagem totalmente oposta sem percebermos, é impossível
não comunicar (eis uma lei da Comunicação). Quantas vezes
ficamos calados ou nos afastamos para não comunicar o que
sentimos? Mas essa atitude por si só comunica, o problema
é que vai depender da interpretação do outro, e cada um
interpreta segundo suas possibilidades, eis que há muita
confusão nessas diferentes interpretações.
3º) A dificuldade de interpretar as mensagens. José
passa por João e não fala com ele. Imediatamente, João
acha (interpreta) que José não quis falar de propósito e
fica zangado com José. Da próxima vez, João é que não
falará com José. Amizades terminam assim. Afinal, José
pode não ter visto João. José vai ficar sentido ao perceber
(interpretar) que João passou por ele e não falou. Tudo
ficaria mais claro se, na primeira vez, João procurasse
esclarecer o fato com José. Ficaria esclarecido que José
não viu João, ou que não quis mesmo falar com ele,
então tentariam esclarecer o porquê dessa atitude.
Logo, procurem sempre esclarecer situações duvidosas.
No texto 147, aqui, de 10 de abril, "Jogo de Xadrez",
eu não consegui transmitir toda a mensagem que quis.
Quem comentou percebeu apenas metade do que eu
quis dizer: que as pessoas são iguais ("rei e peão vão
para a mesma caixa no final do jogo"). Mas esse
jogo era uma forma de exprimir meu pensamento
a respeito da guerra do Iraque. Pensei (interpretei)
que ficaria claro quando eu falasse na "queda das
torres" do jogo. Achei (interpretei) que todos iriam
associar à queda das Torres Gêmeas dos Estados
Unidos. O mesmo quando falei na "queda do rei
adversário", em minha lembrança aquela estátua
caindo. E quando eu disse que "continuaram a
jogar" não foi uma nova partida, eu quis dizer
que, mesmo com "a queda do rei" não consideraram
a partida terminada, continuaram a mesma partida,
um absurdo em xadrez e, para mim, como está
acontecendo lá no Iraque. Estava muito claro para mim,
mas eu não soube tornar claro para os leitores e eles
não perceberam tudo. A mensagem tem que ser
clara para ser entendida, o que não ocorreu nesse
meu texto. Cuidado para que aquilo que vocês
dizem (digital e analogicamente) para cônjuges,
namorados, filhos, amigos, seja claro. E verifiquem
sempre se foram entendidos e se estão entendendo
corretamente.
Na sugestão, havia uma pergunta: "Não tentamos
vender uma imagem 'maquiada' daquilo que
realmente somos?"
Ouso responder que SIM. Tentamos maquiar nossa
imagem para os outros. Por quê?
1º) Por educação.Às vezes, estamos à beira de explodir,
mas nos controlamos ("maquiamos") em respeito ao outro.
2º) Por higiene (corporal, mental). Procuramos aparecer
limpos e arrumados, melhorar nossa aparência, também
em respeito ao outro (que não precisa sentir nossos odores
ou ver nosso lado pior).
3º) Por gentileza para com o outro e também por nossa
necessidade de agradar (desde que não seja essa necessidade
o único objetivo).
Então, nós maquiamos nossa imagem (real ou virtual) na
comunicação, não para nos vendermos como mercadorias,
mas em respeito ao outro. Não para tirar vantagem disso,
nem essa "maquiagem" deve esconder o essencial de nós.
A própria Sociologia atribui papéis a cada um. Somos
funcionários em nosso trabalho, parentes em nossa família,
passageiros num meio de transporte, compradores numa loja.
Temos um tipo de "maquiagem" para cada um desses papéis.
Imaginem um Juiz na audiência (ele tem postura de Juiz e é
tratado como tal), mas esse mesmo austero juiz vai ter outra
"maquiagem" ao abraçar seus pais, conversar com seus filhos,
pelo menos isso seria o desejável.
De qualquer modo, e sempre, a Comunicação será nosso
grande desafio, até porque, em tudo, dependemos dela.
Não nos transformarmos em mercadorias.
Compreendermos e aceitarmos uns aos outros.
Sabermos (ou termos coragem de) manter nossa
essência mesmo com nossas maquiagens sociais.
Percebermos os outros em sua totalidade...
Eis ainda uma grande realização a conquistar.
_________________________________________
Agora, agradecendo, consciente de que apenas
citei uma pequena fração do muito que já está
escrito sobre o assunto, passo a palavra ao autor
das sugestões e a todos os visitantes.
Está aberto mais um debate
_________________________________________
Até sábado, à noite.
(Em 10/05/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 21:47 | *
Terça-feira, Maio 04, 2004
TEXTO: 153.
ESTE BLOG COMPLETA UM ANO!
( DESDE 05/05/03 )
Amanhã, este blog completa seu primeiro
aniversário.
No dia 5 de Maio de 2003, era, aqui, publicado
o primeiro texto ( texto pequeno, acreditem!).
Os "Templates" ainda são os mesmos
preparados carinhosamente pela amiga
Livia.
O objetivo era, e ainda é, intrometer-me
em todos os assuntos, tratando-os
de forma séria, nada de mexericos.
Eis a razão do título "Bisbilhotices"
e do meu apelido "Bisbilhoteira",
nomes que pretendem traduzir,
de forma amena, a inquietude,
a curiosidade de quem quer saber
e transmitir o que sabe, exatamente
como o fazem pessoas bisbilhoteiras.
Mas, aqui, os assuntos são, principalmente,
a Vida, seus caminhos, os acontecimentos;
as pessoas de modo geral, seus sentimentos;
o mundo em que vivemos e como vivemos;
qualquer assunto que possa ter algum interesse,
num sonho utópico de Felicidade, com base no
Amor, um pretensioso Sonho de Amor,
como o título da linda música de Liszt,
tocada aqui enquanto abre o blog.
Ninguém caminha feliz sozinho.
Estive desde o começo, e ainda estou,
sempre bem acompanhada.
Agradeço (agradecerei sempre) à minha amiga
Lívia.
Agradeço a todos que por aqui passam e passaram.
Sua presença tem sido imprescindível
para tornar vivo este espaço.
A gentileza dos comentários me alegra.
Eles me deixam constrangida, às vezes,
tamanha é a generosidade de cada um.
Estejam à vontade para discordar.
Que fique bem claro: Jamais conseguirei escrever
sobre TODOS os ângulos possíveis de um tema.
Nem os maiores escritores conseguiram isso e,
por mais "bisbilhoteira" que eu seja, haverá sempre
algo a complementar no que escrevo,
por isso valorizo tanto os que me deixam
seus comentários.
Abaixo, para comemorarmos,
um bolinho simples.
Simples como eu.
FELIZ ANIVERSÁRIO, Meu Blog!
PARABÉNS!
FELICIDADE PARA TODOS NÓS.
Forte ABRAÇO!
Até segunda-feira! Quando prosseguirei
com textos baseados nas sugestões dos
comentários do texto 149.
(Em 04/05/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:23 | *
Sábado, Maio 01, 2004
TEXTO: 152.
Atendendo sugestões feitas nos comentários do texto 149,
de 20/04/04, por ordem de colocação.
Caso queira sugerir agora, favor dirigir-se aos comentários
do texto 149. O objetivo principal não é o texto que escreverei
a partir da sugestão, mas cada comentário ao assunto tratado,
os diferentes pontos de vista de cada um.
Agradeço muitíssimo aos que já sugeriram e aos que vierem a
sugerir. (Este preâmbulo será repetido em cada texto elaborado a partir
das sugestões feitas nos comentários do Texto 149).
Muitíssimo grata, Bisbilhoteira.
TERCEIRA SUGESTÃO.
Por MoDeRnO.
AMIZADES VIRTUAIS
Virtual:Aquilo que existe, porém sem efeito atual.
Aquilo que é suscetível de realizar-se; potencial.
Logo, virtual é o que ainda não se realizou de fato,
pode vir a se realizar ou não.
Essa expressão "Amizade Virtual" divulgou-se após o uso
em massa dos computadores para a comunicação entre as
pessoas através de "e-mail" (correio eletrônico), mensagens
com textos e músicas de autores conhecidos ou não, "sites"
(páginas específicas, entre as quais estão nossos blogs), salas
de "bate-papo", serviços de mensagens instantâneas como o
Messenger, o ICQ, etc.
Conhecidos ou não, os contatos tornam-se progressivamente
mais intensos, constantes, habituais. As pessoas facilmente
se acostumam com esse relacionamento através da telinha.
Já notei que cada pessoa usa seu computador de maneira
própria: Quem troca mensagens geralmente não visita
páginas; quem visita endereços ("navega", "faz pesquisa")
não se interessa em trocar mensagens; quem se utiliza dos
serviços de conversa e bate-papo fica tão obcecado por esse
tipo de comunicação que pode chegar próximo do vício, mais
do que qualquer outra atividade do computador, passível também
de se tornar um vício.
Os que visitam blogs e páginas, dificilmente deixam comentário
ou assinam livro de visita, entram e saem anonimamente, mas os
que deixam a marca de sua passagem, com freqüência, voltam.
Cada um a seu modo.
Assim, os contatos vão sendo feitos, não importando a
distância geográfica. As pessoas que já se conheciam
passam a se comunicar mais freqüentemente, os novos
conhecidos parecem íntimos de anos.
Acontece com as amizades virtuais exatamente o mesmo
que acontece com as chamadas amizades reais. Se temos
sorte (ou damos indicações que são percebidas), vamos
encontrar pessoas leais, gentis.
Mesmo com pessoas leais, gentis, poderemos vir a sofrer,
pela ausência inesperada de um amigo, alguma desatenção,
até mesmo pela morte, que atinge tanto nossos amigos reais,
como virtuais.
Engana-se, a meu ver, quem pensa existir amizade virtual
apenas através do computador e recentemente.
Antigamente, eram recados transmitidos por terceiros,
flores enviadas, serestas sob a janela da amada.
Na Idade Média, os Trovadores já transmitiam suas
Cantigas de Amigo, Cantigas de Amor.
Bilhetes e cartas sempre foram trocados, mesmo antes
de existirem os Correios. Há lindas músicas e grossos
livros falando a respeito. Casamentos se realizaram
por correspondência, os noivos trocando fotos; antes
das fotos, quem podia, retratos pintados. Só se viam
depois de casados, tendo sido representados legalmente
nas respectivas cerimônias de casamento (isso é fato).
Quem não se lembra, mais recentemente, das revistas
que exibiam endereços, com fotos ou não, de pessoas
querendo se corresponder com outras, desse ou daquele
tipo, para fins de amizade ou casamento? (Talvez ainda
existam, não tenho visto).
E o telefone? Quantas amizades e amores surgiram de
"trotes" entre desconhecidos? A propósito, vi uma cena
interessante num filme: Um casal "namorando" por telefone.
Ela, com voz sensual, dizendo que estava tirando a meia,
lentamente; depois, disse que estava tirando a outra meia.
Na verdade, enquanto falava, estava era passando creme no
rosto, não havia meia nenhuma, só encenação. Não ficaria
surpresa, se, do outro lado, o homem estivesse a engraxar
sapatos enquanto fingiria gemer de prazer. Quantas vezes
não terá acontecido algo semelhante aqui pela telinha?
A propósito, não sei se concordam, mas, nas salas de
"bate-papo" dos diferentes provedores de internet, reina a
grosseria, predominam as palavras de baixo calão e o abuso
mesmo. Pelo menos foi o que vi nas poucas vezes que entrei
numa dessas "salas" para conhecer. Como nesses lugares as
pessoas não se conhecem nem se vêem (a menos que usem
câmeras), escondem-se em apelidos, elas acham que podem
mostrar seu lado menos nobre, mais agressivo, deseducado,
animalesco ao mais baixo nível. Eu não gostei. Grosseria e
vulgaridade não me atraem, ao contrário.
Para ser franca, também não gosto de conversar por aqui.
(Nesse caso, é apenas preferência minha).
Tenho o Messenger, mas só para uma necessidade. Para
conversar, prefiro o telefone ou, melhor, pessoalmente.
"As palavras são uma fonte de mal-entendidos", já dizia
Saint-Exupéy. Esse foi o segundo tema que MoDeRnO
também me sugeriu, sem querer, ao comentar duas sugestões
feitas, no texto 149, na segunda vez que comentou e, repito,
sem querer (suponho com quase certeza), usou uma palavra
não adequada referindo-se às duas sugestões.
Isso acontece com todos nós. Às vezes escrevemos o
que não queremos, nossa intenção era dizer outra coisa.
Às vezes escrevemos o que queremos, mas não conseguimos
transmitir nossa mensagem.
Assim como MoDeRnO usou uma palavra, suponho que
por engano, também eu, num texto anterior, não consegui
transmitir minha mensagem completa, percebi pelos
comentários feitos. Falarei sobre isso no próximo texto,
pois a nova sugestão me permite (eu iria escrever um texto
sobre isso, mas a sugestão veio na hora certa). Que ninguém
se zangue com a palavra que MoDeRnO usou, por favor,
isso pode acontecer a qualquer um de nós. Está circulando, na
TV, um comercial do Dia das Mães com base num mal-entendido
entre mãe e filho: A mãe, olhando para a imagem do jogador
Ronaldinho anunciando um produto, comenta que queria ter um
filho assim, referindo-se ao produto anunciado. O filho entende
que ela queria ter um filho parecido com Ronaldinho e raspa a
cabeça como o jogador, chega em casa vestindo uma camisa
da seleção, o mais parecido possível com o que os dois viram.
A mãe olha para o filho perplexa. Fim do comercial.
As palavras são mesmo fonte de muita confusão.
Voltando ao assunto, para concluir.
Mudam-se os meios de comunicação (bilhetes, cartas,
cartões, telefone, computador...) mas os corações são
agora tão vulneráveis quanto antes.
Nossos corpos podem reagir do mesmo modo
diante do texto escrito no papel ou na telinha;
ao ouvir a voz através do telefone ou do microfone
do computador.
Amor? Amizade? Paixão? Nada disso?
Cada um percebe seu nível de envolvimento.
Recomendaria apenas algumas normas gerais de segurança,
muita cautela, para que ninguém caia nas mãos de vigaristas
(infelizmente existem!).
Os riscos existem. Viver é um risco.
Mas, desde que tomadas as precauções possíveis,
escrevam suas cartas, atendam seus telefones,
liguem seus computadores e...
SEJAM FELIZES!
(Ver também meu texto publicado aqui,
em 20/07/03: "AMIGO VIRTUAL").
A palavra, agora, está com você, MoDeRnO,
e com os visitantes, para concordarem
ou discordarem, para acrescentarem,
à vontade.
Até terça-feira, à noite.
(Em 01/05/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:38 | *