Segunda-feira, Janeiro 26, 2004
TEXTO: 121.
VOCÊ FOGE DE ALGO? DE ALGUÉM ?
( C U I D A D O ! )
Sempre gostei de freqüentar bibliotecas,
desde adolescente: Bibliotecas das escolas,
faculdades... Até em férias, na cidade de Lambari,
em Minas Gerais, descobri uma biblioteca,
era a única freqüentadora daquela temporada,
emprestavam-me livros para ler no hotel... Isso sem
prejuízo dos passeios e das amizades novas...
Nunca tive o hábito de fazer fichas de leitura.
Atualmente, pelo menos, anoto o nome e autor
do livro, a página de onde retirei um trecho interessante.
Ainda adolescente, num dos livros de Psicologia que li
(e pelas razões acima não sei qual foi), encontrei uma
citação que ficou definitivamente em minha memória:
"Dize-me de que tanto foges e eu te direi o que procuras."
Isso me fez pensar muito. Ainda penso.
Em seqüência, nossas antipatias por pessoas que, na verdade,
têm muito de nós mesmos, geralmente uma parte de nós
da qual não gostamos e nem tomamos conhecimento,
mas a reconhecemos no outro, no antipático...
Só muito tempo depois é que vim a ler sobre nossas
projeções em outros ... Voltemos à citação.
Não é que funciona assim mesmo em muitos casos?
Nada de confundir com fugas de perigos reais ou
situações indesejadas. Ninguém anda buscando
inconscientemente ladrões perigosos ou baratas repelentes,
pelo menos a maioria de nós.
Mas já parou para pensar por que evita tanto se encontrar
com determinada pessoa, sem nenhum motivo aparente?
Há um ditado popular semelhante:
"Quem desdenha quer comprar."
Não é a mesma coisa?
Um exemplo é a raposa, da fábula de La Fontaine,
que viu uvas apetitosas fora do seu alcance
e saiu dizendo que as uvas estavam verdes...
Desdenhou, fugiu, mas era o que queria.
Quantos romances começaram a partir
de profundas antipatias? Isso não quer dizer
que você deve sair correndo para se declarar
àquele(a) mau-caráter que ninguém agüenta...
(A situação está feia, mas não é por aí.... Calma!).
Entretanto, cuidado! Você pode andar fugindo muito
daquilo que realmente quer. Vale a pena verificar,
antes que seja tarde...
Então, excluindo-se os perigos verdadeiros,
de quê, ou de quem, você anda fugindo ultimamente?
Que tal não fugir, e escrever um pequeno comentário?
Vamos! Coragem! Não é uma situação perigosa, e eu
ficaria muito feliz. Esteja à vontade!...Obrigada pela visita.
Caras Sofia e Adade, obrigada pela sugestão de leitura.
Vou providenciar. Já estou curiosa. Quanto ao texto
"Desconstruções", de Martha Medeiros, enviado para mim por
minha prima, não achei que o termo foi empregado no mesmo
sentido que Tônia Carrero empregou e eu segui... Mas também
agradeço. Gosto muito dessa troca de informações. Continuem,
por favor!
Até sexta-feira.
Em 27/01/04.
Cochichado pela Bisbilhoteira on 23:28 | *
Sexta-feira, Janeiro 23, 2004
Texto: 120.
" D E S C O N S T R U Ç Ã O "
( FASES DA VIDA ... )
Assisti, pela TV, a uma entrevista com Tônia Carrero,
famosa atriz brasileira de teatro, não sei em que canal,
pois mexo muito no controle até encontrar o que me agrade.
Era final de entrevista e, provavelmente, uma dessas muitas
repetições de programas já passados, repetições que sempre
acontecem nos meses de janeiro na nossa TV.
Tônia Carrero sempre foi belíssima, cabelos louros,
olhos azuis, presença marcante. Já é bisavó
e falou com orgulho de netos e bisnetos,
ainda com gestos de mulher bonita,
mas consciente de sua idade.
Muitos devem ter visto também essa entrevista.
Das palavras da atriz ficou-me a que usou,
referindo-se à velhice: "Desconstrução".
Concordo!
Enquanto somos jovens, vamos acumulando
objetos, bens, conhecimentos. Construímos.
Já mais adultos, usufruímos do que temos,
do que fazemos, do que somos.
E vamos envelhecendo... Hora de "desconstruir".
Eu já comecei... Não é nada pessimista. É real.
Já entreguei a meu sobrinho a Esfinge em alabastro,
bem como à minha sobrinha o busto de Nefertiti,
também em alabastro ("tesouros" que trouxe do Egito,
Cairo, quando viajei pelo mundo em 1973, eles nem
eram nascidos ainda). Desde crianças eles queriam esses
objetos. Eu disse, na época, que os objetos já eram deles,
só iriam ficar um pouquinho mais comigo e, com eles,
colei sob cada estatueta um papel escrito que garantia,
a cada um, ser dono de sua estatueta.
Há uns três anos, no Natal, entreguei a cada um sua estatueta,
o papel que colamos sob cada uma já envelhecido, conforme
prometera. Honrei minha promessa. Mais: Estava iniciada
minha desconstrução.
Continuei distribuindo outros objetos, dados com alegria.
Apenas objetos que guardei durante tanto tempo e que
saem de minha vida como um simples dobrar de esquina
de uma visita querida que se vai.
A vantagem disso é partilharmos com o outro
da alegria que sentem ao receberem
esses pequenos pedaços de nós mesmos;
é podermos escolher a quem vamos entregar
esses pedacinhos de nossa vida.
É interessante, depois, ver esses objetos,
que sempre estiveram conosco,
expostos em destaque num outro lugar,
numa outra casa ... mas a casa das pessoas
que mais amamos. E o que importa é essa
troca de amor, os objetos são secundários.
Estou fazendo minha desconstrução com vagar
para não agredir muito meu coração tão humano
que precisa aprender a desapegar-se.
Aprendizado difícil! Ele vai aprendendo...
Enquanto isso, a Natureza vai me desconstruindo também,
não tão vagarosamente como eu gostaria. Resisto. Driblo.
De que adianta? Ela sempre consegue...
Até terça-feira.
Em 23/01/04.
Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:34 | *
Terça-feira, Janeiro 20, 2004
TEXTO: 119.
V O L T A N D O !
( UM POUCO ANTES ... )
Na pequena pausa que fiz, deixando de escrever por uns dias,
aproveitei bastante o tempo, tomei muitas providências...
Mudanças radicais com o objetivo de que nada mude muito...
Paradoxal, não? Mas, até para mantermos a tranqüilidade,
é preciso algum esforço. E como gosto de minha tranqüilidade!
Além disso, um dos livros que reli (sempre releio livros) foi
SADHANA-O CAMINHO INTERIOR, de Sathya Sai Baba.
Releitura muito própria para mim, já que lhes desejei,
para o novo ano, "Boa Caminhada!" e, depois, "Boa Corrida!".
O livro nos mostra que não nos devemos afastar
do Caminho Interior.
Reli, nessas páginas, a parábola dos dez homens
que atravessaram um rio cheio de perigos,
com muitos obstáculos, e, já na outra margem,
resolveram ver se algum deles se afogara.
Ficaram desesperados, pois só conseguiam contar nove,
cada homem que contava não se incluía na contagem.
Aflitos, foram todos vasculhar a margem do rio
para tentar encontrar o afogado. Em vão, ninguém!
Até que um homem lúcido que passava acabou com
aquele sofrimento ao esclarecer que todos os dez homens
ali estavam, mas estavam contando errado (o que contava
não se incluía na contagem).
O sofrimento gerado pela ilusão de que só havia nove
homens cessou com a remoção do véu da ignorância.
Assim, segue o livro (estou resumindo): Todo homem
tem três erros a corrigir: a ignorância básica (que fez
com que, na história, cada homem que contava não se
incluísse na contagem); a aflição (decorrente dessa
ignorância) e a errônea convicção (no caso, a ilusão de
que só havia nove homens, quando, na verdade, durante
todo o tempo, os dez homens estiveram lá).
Conclui a história: "O Amor teria revelado cada um ao
outro e nenhum teria sido considerado perdido. A forma
de você se equipar com a Bem-Aventurança é o caminho
do Amor, da dedicação e do serviço."
E segue o livro com muito mais em suas 267 páginas.
A história dos dez homens pode nos parecer ridícula.
Mas quantas vezes sofremos por considerarmos algo
como verdadeiro e, mais adiante, descobrimos que
sofremos inutilmente, estávamos enganados? O que
consideramos verdadeiro não passava de um erro
de percepção! Sofremos sem necessidade.
O livro não diz, mas pode ocorrer o inverso: Nossa
percepção errônea nos traz uma ilusão que nos
deixa felizes e, ao recobrarmos a lucidez, sofremos.
Seria o caso de um dos homens da história ter morrido,
cada um contar errado, achando dez na contagem
(poderiam contar-se duas vezes), ficarem alegres
até serem esclarecidos de seu erro e que, de fato,
faltava um. Nesse caso, a lucidez traria a compreensão,
mas também o sofrimento.
Isso o livro não diz, mas, também nesse caso,
a conclusão se aplica: O Amor teria dado falta
do amigo sem precisar contar.
Nossa ignorância básica, nossa aflição desnecessária,
nossas errôneas convicções ...
Quando nos livraremos desses três erros?
Responde o livro que é seguindo o caminho
do AMOR,
da DEDICAÇÃO,
do SERVIÇO.
Então, que tenhamos bastante lucidez para esclarecer
nossa ignorância, para destruir nossas convicções
errôneas, para evitar que soframos inutilmente.
E que o Amor esteja sempre presente em nossas vidas,
iluminando nosso "Caminho Interior", não importando
por quais estradas materiais estejamos seguindo.
Um novo voto de FELIZ ANO NOVO!
Voltei. Estava com saudade...
Até sexta-feira.
(Em 20/01/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 19:42 | *
Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
TEXTO: 118.
P A U S A !
Noto que alguns amigos estão tirando pequenas férias.
Bem merecidas!
Eu sugeriria, até, que ficássemos todos em férias coletivas
por uns 10, 15 dias. Assim, ninguém perderia muito o que
foi postado. Que acham?
De minha parte, vou descansar um pouquinho.
Volto a postar dia 21 de janeiro, quarta-feira,
se Deus quiser!
Preciso arrumar armários, arrumar gavetas...
Preciso ler várias mensagens que recebi
e nem ao menos abri.
Preciso ler alguns livros.
Preciso mesmo ... de uma pausa.
Uma pequena pausa apenas.
Não resistiria ficar muito tempo ausente,
porque gosto de escrever,
porque aprecio muito nossa convivência,
nossa troca de idéias.
Assunto é o que não falta.
O que está faltando é tempo,
para digitar, para postar.
Continuarei a receber e enviar mensagens.
Tentarei, sempre que possível, visitar os blogs em ação.
Por favor, não deixem de vir aqui,
deixem recados, comentários.
Estejam certos de que lerei tudo.
Você não gostaria de aderir à pequena pausa?
Até dia 21 de Janeiro, quarta-feira.
(Em 08/01/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:30 | *
Segunda-feira, Janeiro 05, 2004
TEXTO: 117.
FLORES PARA MARIA
( RECORDANDO ... )
- Maria! Maria!
Era assim que ela me chamava,
embora esse fosse o nome dela.
Nossos nomes parecidos ...
Eu atendia, ia ver o que queria.
- O remédio acabou! Ela mostrava o vidro vazio.
Era magrinha, frágil, pouca saúde, pouco dinheiro.
Eu providenciava o remédio.
Vi-a pela primeira vez aqui no portão.
Ela se aproximou, mostrando uma receita médica,
explicando... não precisava explicar,
a necessidade estava estampada em seu rosto,
uma senhora de meia-idade, baixinha,
tão pálida, tão sumida!
Comovi-me.
Desde então, quando precisava, vinha e chamava.
Um dia, chamou como sempre:
-Maria! Maria!
Fui ver. Estava diferente, alegre,
vi, pela primeira vez, seu rosto iluminado por um sorriso.
Não precisava de remédio, veio trazer-me uma planta florida,
numa lata de tinta grande, flores lindas, ela mesma cuidara.
Recebi o presente, sem fala...
Tenho dificuldade em receber essas gentilezas,
principalmente essas tão caras, vindas do coração.
Ficamos as duas ali, eu segurando as flores,
trocando algumas palavras...
Muitos dias depois:
- Maria! Maria!
Lá fui eu. Tinha sentido sua falta, ficou um tempo sem vir.
Estivera internada no hospital, saíra há uns dois dias.
As mesmas dificuldades. Mas estava muito mais abatida,
bem mais frágil, o que pensei ser impossível
ante sua imensa fragilidade habitual.
O tempo passou. Ela não me chamava.
Procurei notícias. Soube que passara mal,
voltou ao hospital, emergência, não resistiu.
Foi um choque eu só saber tão depois...
Pareceu-me ter perdido uma amiga.
Lembrei-me dela, enquanto eu colhia frutas no quintal.
A lata com a planta ainda está no mesmo lugar,
e como está florida!
Ela deve estar entre os anjos, tomara!
Ave, Maria!...
Até quinta-feira.
(Em 05/01/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 17:39 | *
Sexta-feira, Janeiro 02, 2004
TEXTO: 116.
MARATONISTAS FORÇADOS !
( ÁRVORES ... )
Foi dada a largada! A corrida já começou!
2004 chegou, tão apressado como qualquer outro!
Já se passaram dois dias, "corremos" para o terceiro...
Gostaria de ser como essas árvores aqui de casa:
Antigas, mas fortes, calmas, fecundas,
cada qual no seu lugar, alheias a tudo (será?)...
A mangueira começa a torpedear do alto
suas mangas pesadas de caroço fino;
a caramboleira, há muito, vem deixando cair
suas carambolas perfumadas;
o cajueiro, mais novo, não quer fazer feio,
com sua produção intensa de cada dia.
Sabiás gordos passeiam e se fartam.
Sem falar nos mamoeiros cujo estoque numeroso
já se esgotou desde novembro passado.
A amoreira discreta ainda está carregada.
Ontem, vi o primeiro cajá ofertado desta safra.
Alguém poderia dizer-me por que essas árvores
não frutificam no outono? Não estão nem aí,
como diz a música, preferem a primavera,
o verão e pronto. As mangueiras faceiras,
as outras árvores também, preferem o sol do verão.
Se ainda tivéssemos o pé de romã e os pés de figos,
estariam igualmente carregados. Nos quintais dos
vizinhos, a mesma produção.
Enquanto isso, também vão chegando
os compromissos inadiáveis de cada mês,
não importa o ano: contas a pagar, compras a fazer,
marcadores de água, marcadores de luz...
(Nem me lembrem das declarações do Imposto de Renda!).
Daqui a pouco, vão começar a falar em Carnaval.
Ano Novo! Vida Nova! Será isso uma fantasia?
E vamos nós, maratonistas atônitos,
correndo ao sabor dos relógios,
na sucessão implacável dos dias
dos nossos calendários
do ano que foi novo.
Alguém conseguiu pensar em fazer mudanças?
Não pensem que estou reclamando, não mesmo!
Só peço a Deus, para mim e para todos,
muito fôlego para que cada um possa fazer sua corrida
com disposição, saúde, alegria,
sem tropeços e transpondo facilmente
qualquer obstáculo que surgir,
auxiliando os outros corredores
como fazem os verdadeiros maratonistas.
Insisto: FELIZ ANO NOVO!
BOA CORRIDA!
Era Caminhada, lembram ?
Até segunda-feira.
(Em 02/01/04).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 19:30 | *