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Bisbilhoteira de Plantão

Um pouco de tudo... haja assunto

Domingo, Agosto 31, 2003


ENIGMAS DESVENDADOS X ENIGMAS REFORÇADOS

( CONHECENDO COLEGA DE BLOG )

Que semana chuvosa e fria essa que passou!
Em meio à chuva, uma alegria,
como um sol teimoso invadindo a vida,
aquecendo o frio da tarde fria.

Foi sexta-feira, dia 29 último, quando conheci ,
pessoalmente, nossa colega do Blog "Diário da Moça",
que sempre me honra com sua visita.

Encontramo-nos no consultório do médico onde eu e minha irmã
acompanhamos nossa mãe em sua consulta de rotina.
A MOÇA, sabendo que íamos, morando perto, enfrentou a chuva
e foi até lá para nos conhecermos.
Trocamos apenas abraços, apresentações, algumas palavras.
Moça linda, esbelta, inteligente, começando a viver,
voz clara, dizendo com facilidade palavras do seu pensar,
olhar meigo e firme, atitude franca, amistosa.

Pena o tempo tão pouco! A consulta começou logo.
E mamãe está muito bem, graças à competência do médico.

Amiga, perdoe-me a pressa. Vontade de conversar mais.
Pena também não estar minha prima, que nos apresentou.

E assim seguimos decifrando enigmas:
Começando a conhecer pessoas que não conhecíamos
e descobrindo que as que conhecemos
precisamos conhecer mais.

Da mesma forma os outros nos desvendam,
cada qual a seu modo, segundo as impressões que passamos,
com a capacidade de percepção que cada um tem.
A meu ver, conhecer mesmo alguém
é tarefa de uma vida inteira.

Para nós, agora, Amiga, nossas palavras ganharam mais vida,
têm rosto, corpo, voz.
Apenas uma parte do enigma desvendado,
nesse labirinto difícil que é conhecer o outro.

De minha parte, obrigada pelo carinho do encontro.
Foi um enorme prazer conhecê-la.


(Em 31/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 08:04 | *
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Quarta-feira, Agosto 27, 2003


O VERDADEIRO CONHECIMENTO

( SABEDORIA )

Às vezes, encontramos pessoas sem diplomas
e suas palavras são cheias de verdade.
Porque há algo em nós
que sabe reconhecer a Verdade.

Às vezes, encontramos pessoas possuidoras de vários títulos
e tão cheias de si mesmas
que só conseguem transmitir a todos
desconfiança e irritabilidade.

Devemos menosprezar os diplomas, os títulos?
Não. Ao contrário.
Os diplomas são frutos do estudo.
Os títulos devem ser frutos do mérito.

O importante é não abandonarmos,
por termos diplomas e títulos,
o conhecimento interior que todos temos,
sejamos instruídos ou analfabetos.

Quando aprendermos a ficar quietos,
ouvindo nosso íntimo;

Quando aprendermos a descobrir o saber que existe
tanto em nós como nos outros;

Quando aprendermos a perceber respostas
a nosso lado e dentro de nós mesmos;

Quando aprendermos que todos nós
somos cofres do Conhecimento,
não importando nossas origens,
não importando nosso lugar na escala social;

Quando aprendermos, de fato, a aprender
com tudo que acontece,
com todos com quem convivemos;

Quando aprendermos que não somos apenas corpos
vagando sobre um planeta;

Quando aprendermos a buscar Deus
em tudo que existe
e no mais íntimo de nós;

Estaremos, então, chegando perto da Sabedoria.

E terá valido a pena viver...

(Em 27/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:52 | *
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Domingo, Agosto 24, 2003


C A X I A S ...

( "SEU CAXIAS" )

- Doutora! Doutora!
Ouviu o chamado assim que trancou a porta do carro.
Estava atrasada para sua primeira aula naquela Faculdade de Direito,
UFRJ. Iria finalmente entrar no prédio rosa, tão admirado desde a
infância. Estava atrasada, enfrentou engarrafamento. A noite estava
clara, agradável. Trabalhava durante o dia. Aquele tinha sido um dia
especial: À noite, iria começar uma nova etapa em sua vida. Estava
prestes a pisar aquele chão nobre, por onde tantas pessoas ilustres já
haviam passado e ainda passavam. Colegas novos. Novo aprendizado.

- Doutora! Doutora!
Caminhava a passos apressados para a entrada. A vaga que conseguiu
para o carro estava distante. Seu carro ficou misturado a outros carros,
já quase não o via. Ele já estava enturmado, antes dela. Quem estaria
chamando assim?

Surge a seu lado um homem quase idoso, mas forte, baixo, rosto moreno
sorridente, barba embranquecendo, andar arrastado tentando acompanhar
seus passos apressados:

- Doutora! Sou eu que guardo os carros aqui na rua já faz muitos anos,
todos me chamam de Caxias...

(Doutora? Ainda nem tinha assistido à primeira aula!).
- Ah! Muito prazer, Seu Caxias, estou começando hoje...
-É. Já vi muitos começarem. Depois voltam aqui formados...

Separaram-se. Chegaram à entrada. Ele voltou para a rua.

Seu Caxias não era apenas um guardador de carros. Era um amigo.
Sempre chamando a todos de "Doutor", "Doutora". Transmitia recados,
dava informações corretas as mais variadas, acompanhava a todos do
carro à entrada, ou, na saída, até o carro. Empurrava, às vezes, toda uma
fila de carros para encaixar alguém. Era o último a sair da rua. Enquanto
houvesse um carro, ele esperava, de pé ou sentado no meio-fio. Sempre
sorridente, sempre atencioso.

Um dia, perguntaram a ele se não tinha medo de ficar ali, sozinho. Ele
abriu mais o sorriso e disse que todos ali o conheciam. E era verdade.
Freqüentemente, passava um carro e o motorista lhe dirigia cumprimentos.
Ou pessoas a pé as mais diversas, todas simpáticas com ele.

O curso seguiu. Época de formatura. Seu nome foi lembrado para a Colação
de Grau. Submetido à Comissão. Aceito por unanimidade. Ele não só seria
convidado para a Colação de Grau, mas seria um homenageado especial e
iria fazer parte da mesa solene.

Ninguém foi contra. Afinal, desde o Diretor até o mais novo aluno, com
carro ou não (quem pegava carona também o conhecia, e eram muitos),
todos gostavam muito dele e concordaram que ele, a seu modo, era um
membro da Faculdade.

Quando lhe deram a notícia, não acreditou, pensou que fosse mais uma
brincadeira de estudante. Quando viu que era verdade, seu sorriso deu
lugar à emoção. Era difícil acreditar naquilo que estavam dizendo. Disse
que nunca em sua vida pensou que isso pudesse acontecer.

Foi uma cerimônia de formatura muito bonita.
Os formandos com suas becas impecáveis. O Hino Nacional acompanhado
pela organista, num dos maiores órgãos do Brasil.
Todos emocionados.
Belos discursos! Oradores excelentes!

Seu Caxias, de terno, todo arrumado, feliz, com parentes na platéia,
estava sentado entre os Professores da Faculdade, formando a mesa
em igualdade de condições.
E foi homenageado pelos seus Doutores...

Isso foi há 21 anos...

( Em 24/08/03, véspera do DIA DO SOLDADO, cuja figura
principal é um outro CAXIAS, o Duque.)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:17 | *
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Quinta-feira, Agosto 21, 2003


O ELEVADOR

( ACONTECEU COMIGO! )

Sentir medo é uma forma de defesa. Isso é normal.
Medos exagerados ou sem motivos? Cuidado!

Sempre tive um medo que me apavorava:
FICAR PRESA EM ELEVADOR.

Não há como evitar elevadores. Vivo andando neles.
Piores são os que não têm cabineiro, eu mesma tenho
que pilotar, sempre perdida naqueles botões. Por que
cada elevador tem um nome diferente para o andar térreo?
Já fui parar em garagens, poços, salão de festas e não sei
mais quantos lugares estranhos! Verdadeira peregrinação
entre andares, sempre de olho no botão "Emergência" ou
"Alarme" que, afinal, nem sei se funcionam.
Se estou sozinha, fico apavorada. Quando aparece mais alguém,
eu disfarço, mas não tiro os olhos dos botões.
Com cabineiro é menos traumatizante. Dá até para relaxar.

Agora, vejam o que me aconteceu há um tempinho atrás.

Foi quando tive um problema sério a resolver sobre esses
procedimentos obrigatórios anuais a que estamos submetidos
(não cito por questão de ética).
Houve um erro grave de um funcionário. Isso me traria não
só prejuízos financeiros, mas teria que tomar uma série de
providências. Conseqüentemente, muitos elevadores a enfrentar.

Tentei resolver por telefone. Cheguei mesmo a encontrar um Diretor
que me ouviu, com pouca paciência é verdade, talvez porque eu tenha
anotado seus dados, é meu modo de agir: Identifico-me e anoto os dados
de quem me atende. O fato é que, após ouvir tudo que eu expliquei, ele
disse que não poderia fazer nada. Insisti. Ele repetiu que, infelizmente,
não poderia fazer nada (nem uma orientação se prontificou a dar). Em
resposta eu lhe disse que se eu fosse diretora de um setor onde eu não
pudesse fazer nada eu pediria demissão imediatamente.
Fim do telefonema.

Saí em campo para resolver pessoalmente, revoltadíssima com tudo aquilo.
Estava eletricamente enraivecida. Imaginava mil modos de como falaria,
de como mostraria o prejuízo que aquele erro estava me causando...
Enquanto elaborava minhas estratégias, entrei no elevador, ia para o décimo
segundo andar, elevador cheio, sem cabineiro, e eu, mentalmente, já estava
abrindo um processo para enquadrar aquele Diretor, tentando lembrar que
provas eu já tinha...foi quando eu percebi que a senhora ao meu lado ia
desmaiar, pelo movimento que senti, não vi, estávamos parados, SEM LUZ,
presos no elevador.

Ao perceber isso, minha raiva aumentou. Lembro-me claramente que
pensei (nem sei se falei): "Só faltava esse elevador parar, vou chegar
atrasada!" E continuei elaborando o que faria, a raiva acrescida. Dava
para ouvir uma moça chorando. Vozes pedindo calma. E eu já estava
com minhas linhas de ação quase todas definidas... Foi quando a luz
voltou, o elevador subiu, parou, abriu a porta, e fui empurrada para
sair, todos querendo fugir dali. Uma vez no corredor, informei-me
em que andar estávamos, era o décimo primeiro, faltava subir mais
um, pela escada seria mais rápido, fui pelo corredor, lembrei-me de
olhar para trás: Havia uma moça sentada no chão, sendo abanada,
os outros estavam meio perdidos. Dobrei a esquina, subi a escada.
Cheguei ao meu destino. Soltei uns cachorros logo com o primeiro
que me atendeu, despejando sobre ele tudo que havia pensado no
elevador, mostrando os papéis que eu tinha. Ele se mexeu. Falou
com um, falou com outro. Esperei.
Após alguns minutos, problema resolvido. Ufa!

Só depois, no fim do dia, depois de já estar em casa, papelada
devidamente arquivada, foi que me lembrei do elevador.
Não é que eu tinha ficado presa num elevador, não sei por
quanto tempo (não muito, pelos meus cálculos, mas, enquanto
estávamos presos não sabíamos que seria por pouco tempo) e
nem notei?

Nesse dia, resolvi dois problemas:
O problema que eu tinha mesmo que resolver
e meu medo de elevador (que diminuiu bastante...espero!).

(Em 21/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 03:59 | *
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Segunda-feira, Agosto 18, 2003


PEÇAS DE VIDRO...

( FRÁGEIS? )

Somos como peças de vidro
nas prateleiras da Vida.

Algumas enfrentam fortes
tudo que lhes esbarra,
tudo que lhes empurra.
Ficam marcadas, ou não.
Demoram mais a quebrar...

Outras peças menos fortes,
embora resistam aos baques,
guardam em seus corpos
as marcas de cada golpe,
tornam-se opacas, grosseiras,
também demoram a quebrar...

E há as peças tão frágeis
que qualquer esbarrão lhes fere,
tirando lascas profundas,
formando imensas rachaduras.
E quando as rachaduras são tantas
e tantas são as lascas que perderam
acabam caindo das prateleiras
totalmente estilhaçadas
partidas em mil pedaços...

Essas últimas são fracas,
quebram-se muito rápido!
Seus cacos finos, pontudos,
ainda que sem querer,
talvez por serem tão fracos,
cortam profundamente
qualquer mão amiga
que os venha recolher...

(Em 18/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 20:57 | *
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Sexta-feira, Agosto 15, 2003


FILMES !

( COMO VOCÊ OS SENTE ? )

Visitando blogs, observo que, em alguns,
há comentários sobre filmes vistos,
alguns exibem as fichas técnicas,
outros comentam cenas.

Há, até, blogs especialmente dedicados a filmes.
Eles mostram o fato fílmico ou o fato cinematográfico?
Ou ambos?

De acordo com G.Cohen-Seat, em "Ensaios Sobre os Princípios
de uma Filosofia de Cinema", pág. 54:
O fato fílmico é a expressão da vida (do mundo ou do espírito),
da imaginação, dos seres e das coisas por um sistema determinado
de imagens.
O fato cinematográfico é a colocação em circulação nos grupos
humanos de um conjunto de documentos, de sensações, de idéias,
de sentimentos, de materiais oferecidos pela vida e colocados em
forma de filme.

O fato fílmico seria a expressão.
O fato cinematográfico seria objeto de experiência.
Ambos constituem aquilo que a FILMOLOGIA estuda,
sendo Filmologia uma ciência (a ciência que estuda o
fato fílmico e o fato cinematográfico).

Podemos considerar o filme de diferentes modos:

1.Como uma obra a realizar - Com seu conjunto de problemas
técnicos e estéticos.

2.Como uma obra já realizada - Sua função expressiva, suas
estruturas semânticas (os significados) e sintáticas (seqüências),
cujo estudo é bastante semelhante ao da Lingüística.

3.Como objeto cultural - O filme condiciona e é condicionado
pela sociedade e sua cultura, atraindo o interesse da Sociologia
e das ciências históricas.

4.Como atividade psicológica - Se considerarmos o filme com
maior abrangência, não só como objeto, não só como obra, mas
do ponto de vista daquele que o vê. Nesse caso, o campo de
investigação se alargará mais, a experiência fílmica abarcará
todo o conjunto da atividade do psiquismo. Lembro-me de
que, quando foi lançado o filme "Romeu e Julieta" (ficha técnica
com os especialistas), as pessoas choravam copiosamente na platéia,
soluços abafados, mas incontidos! Eu passei a olhar essas reações,
a duração delas, e quase deixei de ver o filme, pois o que estava
acontecendo com as pessoas passou a me interessar muito mais.

De tudo que se pode estudar em Filmologia (e há muitos tópicos), o
que mais me atrai é a parte referente ao Comportamento pós-fílmico,
ou seja, COMO AS PESSOAS REAGEM AO FILME, como cada um
o vivencia, que impressões, sentimentos o filme desperta após ser visto.

Eis como podemos reagir, de modo geral:

A.O filme nos impele a uma conduta de participação:

1.O "estar com". Aqui, há a simpatia, a comunhão, uma
participação como se estivéssemos ao lado dos personagens,
juntos, compreendemos, mas há um distanciamento.
2.O "estar como". Aqui, não há distanciamento, há identificação
total. Eu sinto como se estivesse lá, não apenas estou junto, eu
sou aquele personagem ou me sinto naquela situação.

B. O filme nos inspira uma conduta onírica (o sonhar). A pessoa,
após ter visto o filme, tentará prolongar o sentimento de evasão. O
filme é um alimento para o sonho e um convite a continuar sonhando.

C. O filme nos leva a uma conduta real através de um comportamento
de imitação (gestos, roupas, comportamento) o que não é, necessariamente,
anormal ou perigoso. Passará a anormal ou perigoso se essa imitação
for o centro de referência absoluto, um ideal a atingir a qualquer preço.


O comportamento pós-fílmico que mais me impressionou até hoje foi
o do filme "Império dos Sentidos" ou "O Império dos Sentidos" (ficha
técnica com os especialistas) de conhecido diretor japonês. Era sexo
explícito durante todo o filme, creio que um dos primeiros desse tipo
em circuito aberto, com um final inesperado e chocante. A meu ver,
foi o filme menos erótico que já vi. Na saída, todos estavam arrasados
visivelmente, NÃO PELO SEXO EXPLÍCITO, mas pela maneira como
a história evoluiu. Comentei que, ali, ninguém iria querer ouvir falar em
sexo por bastante tempo, até se refazer.

E você pensou que ver um filmezinho era coisa simples!
Esqueceu que há sempre alguém para complicar?
Então, como você costuma reagir a um filme?
Depois disso tudo, não vale dizer só "gosto" ou "não gosto"...

(Em 15/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 14:55 | *
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Quinta-feira, Agosto 14, 2003


TIROTEIOS...

( VAMOS PARAR ? )

Chego. Amarro SONHO, meu cavalo, à entrada do "saloon".
Olho à volta: Paisagem bonita, um pouco deserta, empoeirada,
maltratada. Quantas árvores daninhas!
E o conjunto de ranchos tão lindo!

Ei, bravos pistoleiros, vamos tirar a Revolta dos corações?
Lavar a Tristeza das almas?
Essas manchas custam a sair de todo.
Plantemos logo um pezinho de , uma muda de Amor,
adubando-se bem o terreno com a Esperança.
Não é difícil, vamos, coragem, todos juntos!

Essas plantas, quando crescem, espalham em torno um perfume:
a Alegria. Se se transformam em árvores, gigantescas,
o perfume é bem mais forte: o da Felicidade Completa,
revigoradora do Bem. E suas flores, enfeitando o mundo,
colorindo os outros e dentro de nós mesmos,
dão frutos para nossa grande fome: a Solidão.

Quem quer uma muda de Amor? Um pezinho de Fé?

Mas não plantem sozinhos, ajudem o vizinho a plantar
e permitam também que ele ajude.
São plantas bem delicadas que brotam da União.

Uma mudinha de Amor? Um pezinho de Fé?
Eu não vendo. Eu dou. Quem vai querer?

Ah! Cuidado, bravos!
Quando eu vinha em meu cavalo, o Sonho,
que voa mais que um tufão, vi ao longe três bandidos:
o Ódio, o Vício, o Desânimo.

Se eles por aqui chegam, vão destruir todo o esforço,
vão pisar nas flores todas, decepar as nossas árvores,
privar-nos de nossos frutos.

Não tenham medo! Vocês são muito mais rápidos.
Façam turnos de plantão e, quando eles surgirem,
lá longe nos seus caminhos, usem suas armas:
a INTELIGÊNCIA.

E nada de tiros, rapazes!

(Em 14/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:19 | *
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Sábado, Agosto 09, 2003


A MEU PAI

( UM ACRÓSTICO! )

Dia 10 de Agosto, este ano DIA DOS PAIS.
Como todos os dias de todos os anos deveriam ser.
Não só dos pais, como das mães, dos avós, dos irmãos...
DAS PESSOAS!

Meu pai adorava escrever acrósticos (poesia em que as
letras iniciais de cada linha formam, lidas verticalmente,
palavras ou frases). Ele os compunha com nossos nomes.
E os fazia muito bem!

Aproveito a data para tentar escrever um acróstico,
com o nome dele. Não é o meu forte!
Forte mesmo é esta saudade!...

ACRÓSTICO

Mais um dia com suas cadeiras vazias
Onde costumava sentar.
Ainda me lembro de como se comportava:
Calado e pensativo, às vezes, tal como um
Y de uma equação. Tínhamos que descobrir.
Risonho, falante, ao contar fatos vividos ou nada a preocupar.

Desde sempre o amigo com quem se podia contar.
Indispensável que houvesse respeito, assim se dirigia a todos,
A menos que exagerassem e, não gostando,
Sempre também franco no seu falar.

Trabalhou duro construindo sua casa, nas horas vagas de que dispunha.
E com orgulho mostrava a todos o que fizera com as próprias mãos.
Ia feliz, enquanto pôde, usar as ferramentas que herdara do pai, outro bravo.
Xingar jamais! Detestava palavrões! Não os admitia.
Esposo, pai, avô, sempre atento...
Instrumento se fez do bem-estar da família.
Reconhecidos sempre seremos. Com muito carinho é sempre lembrado.
Até qualquer dia, papai!

Forte abraço a todos os papais.

(Em 09/08/03).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 20:09 | *
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Quinta-feira, Agosto 07, 2003


Sr. ROBERTO MARINHO

( HOMENAGEM! )

Ao abrir o jornal "O Globo", hoje, pela manhã,
surpreendo-me com a notícia:
"Morre jornalista Roberto Marinho".
Informa que morreu ontem, aos 98 anos,
os dados estão todos lá. Estarão nos noticiários.

Por que estou escrevendo este texto?
Porque minha vida, em vários momentos,
esteve indiretamente ligada a este homem,
já que esteve ligada, direta ou indiretamente,
às "Organizações Globo".

A primeira escola onde trabalhei, ao terminar
o Curso Normal, na época em que ser professora
era algo extremamente respeitável e difícil, foi a
ESCOLA IRINEU MARINHO, pertencente ao
então Distrito Educacional de Marechal Hermes.
Na época, havia a Escola Normal Carmela Dutra
(onde estudei) e o Instituto de Educação. Ao final
do curso, as alunas das duas escolas se fundiam
numa lista única organizada pela média final que
cada aluna teve durante os três anos de curso. Minha
média foi 92,92; fiquei no primeiro grupo de 30
professorandas entre as mil e tantas do ano. Cada
grupo de 30 entrava para escolher a escola onde
iria trabalhar. Nosso grupo (1º grupo) pôde realmente
escolher, pois ninguém ainda havia escolhido, entre
todas as escolas disponíveis. Escolhi, espontaneamente,
a ESCOLA IRINEU MARINHO. As escolas oficiais
geralmente têm nome de pessoas ilustres.
Irineu Marinho, pai do Sr. Roberto Marinho, foi
personalidade influente nos meios de comunicação.
Isso eu só soube depois.
Mesmo sendo uma escola oficial, por causa do nome
entrava, às vezes, em contato com o jornal "O Globo",
ainda que não pertencesse ao grupo.
Trabalhei nessa escola durante 7 felizes anos.

Tenho guardado com muito carinho o recorte de "O Globo"
(1973) com comentário do ilustre Sr. Antonio Hernandez
(especializado em música erudita), sobre minha apresentação
no Concurso Internacional de Canto Villa-Lobos.
Eu tinha terminado o Curso de Canto há dois anos, na Escola
de Música (UFRJ), era novata no ramo, entrei no concurso para
adquirir experiência e eis-me em plena Sala Cecília Meireles,
cantando um pouco antes da cantora que viria a ser a ganhadora
do concurso: uma russa simpaticíssima, sua voz era um verdadeiro
instrumento musical, maravilhosa!
Não sabia que o comentarista estava presente. Ainda bem!
E ainda ganhei aplausos...

Foi no jornal "O Globo" que comecei a admirar crônicas,
lendo avidamente todas as escritas por Artur da Távola, que
conheci pessoalmente mais tarde.
O jornal "O Globo" faz parte de nossas vidas há muito tempo.
Meu pai foi assinante até falecer. Agora, eu.

Há outros fatos (lembro-me de mais dois, por exemplo, que deixo
de citar), mas quero ressaltar o mais recente:
Graças às "Organizações Globo" temos nossos blogs funcionando.
Para mim, estar aqui tem sido fonte de muita alegria.
Creio que acontece o mesmo com todos os colegas blogueiros.

Assim como fui feliz em minha primeira escola,
a ESCOLA IRINEU MARINHO,
partindo dela para outros vôos,
estou eu agora, com o blog.

Sem falar na TV Globo, sempre tão vista por todos.
(Minha única crítica é que o noticiário mais visto da TV,
o chamado "Jornal das OITO", na TV Globo, não noticie
as notícias boas, faça das notícias ruins o seu carro-chefe).

"O Brasil perdeu um empresário vitorioso, cuja tenacidade,
inteligência e capacidade deixaram uma das mais competentes
e profundas marcas no jornalismo e na indústria artística e
cultural do país."
Jorge Bornhausen, Senador e Presidente
do PFL. (Jornal "O Globo", hoje, 7 de agosto, pág. 5B).

Esteja com Deus, Sr. Roberto Marinho.
Missão cumprida!


(Em 07/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 15:36 | *
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Terça-feira, Agosto 05, 2003


ESTAR DISPONÍVEL

( FÁCIL? DIFÍCIL? )

Estar disponível é colocar-se espontaneamente a serviço
de algo (ideal, trabalho) ou a serviço de alguém.
Não é um colocar-se a serviço de maneira obrigatória
ou servil, contrariando os próprios desejos. Isso seria
apenas permitir que nos usassem e nos deixaria infelizes.

Estamos disponíveis justamente quando nos colocamos
a serviço de algo ou de alguém segundo nossa própria
vontade, nossa própria escolha. Isso traz muita felicidade.

Foi justamente como eu estive com meus sobrinhos
enquanto eles eram crianças: TOTALMENTE DISPONÍVEL.
Era essa a minha vontade. Escolhi estar com eles.
Durante todo o tempo eu fui feliz porque estar com eles era
o meu desejo e o fiz com muito amor.

Haverá mérito nisso? Meus sobrinhos me devem algo?
Não. Não. Às duas perguntas a resposta é NÃO.
Se fui eu que escolhi assim, se eu era feliz assim,
creio que sou eu a devedora, não eles.
Eu pude escolher. Eles não, eram crianças.
Por isso sou eu que agradeço a eles pelo período
mais feliz de minha vida.

Seguindo aquele princípio da Física, já citado aqui,
da corda percutida que fez a outra corda vibrar
na mesma freqüência sem ser tocada, creio que,
estando eu feliz enquanto ficava com os sobrinhos,
minha felicidade os tornava felizes. Meu objetivo
era que se sentissem felizes (tanto quando gargalhavam
profundamente, como quando estavam introspectivos,
tranqüilos, nos seus desenhos ou exercícios da escola).

Também em meu trabalho sempre me coloquei
em total disponibilidade. Nunca medi meus esforços
pelo tamanho do meu salário.
Sempre ofereci (voluntariamente) o meu melhor.
Pode ter sido pouco, mas era o máximo que eu podia
fazer, exatamente como com meus sobrinhos.

Estar disponível, livremente,
é um modo de estar feliz, completamente.


Concorda?

(Em 05/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 12:24 | *
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Sábado, Agosto 02, 2003


"PARA UMA SUPER TIA"

( TROFÉU ! ... )

Não tive filhos. Falta de matéria-prima?
Não. Falta de coragem. Minha.
Nossos bravos varões estão sempre prontos
para aumentar a população do planeta.

Como não tive filhos, esperei sobrinhos.
As mães esperam durante nove meses
o nascimento de seus bebês.
Os tios e as tias esperam o tempo que for preciso
pelo nascimento de seus sobrinhos.
Eu esperei sete anos.

Minha irmã se casou e, sete anos depois,
quando eu já pensava que não iria ser tia,
eis que o mundo ficou mais bonito:
Chegaria meu primeiro sobrinho, um menino.
Soubemos pelos exames feitos por minha irmã.
Pura emoção!

Quase dois anos depois,
novamente o mundo se ilumina:
Chegaria meu segundo sobrinho,
desta vez uma menina.

Sou a única tia dos meus sobrinhos,
já que sou a única irmã de minha irmã
e meu cunhado não tem irmãos.

Sou tia única!

Com a chegada dos sobrinhos,
minha vida ganhou um colorido novo.
Era para eles que vivia.
Era para eles que gostaria de dizer as palavras mais lindas,
as verdades mais verdadeiras, a sabedoria mais sábia.
O tempo parava quando estava com eles, seus olhinhos brilhando.
Eu me tornava criança, brincávamos de tudo,
tudo era brincadeira.

O tempo passou. Eles cresceram. Já quase não ficamos juntos.
Eles têm o estudo, os afazeres, os amigos.
Como jovens, não teria cabimento ficarem grudados na titia.
E eu sempre soube que seria assim.
Por isso aproveitei cada minuto que estivemos juntos
enquanto eles eram crianças.

No final da semana passada, minha irmã, meu cunhado
e meus sobrinhos estiveram na pequena cidade de Penedo,
Estado do Rio de Janeiro.
Ontem, estiveram aqui. Trouxeram objetos de lá como lembrança.
E eu ganhei, entre outras coisas, uma linda caneca de louça
onde estava escrita, cor vermelha como um coração, a frase:
"PARA UMA SUPER TIA".
Foi como ganhar um troféu!

Foi como se eu tivesse conseguido mesmo ser a SUPER TIA
que eu gostaria de ter sido...

Fui apenas uma tia humana, que sempre gostou muito dos sobrinhos.
Uma tia que se tornava criança quando estava com eles.

Uma tia que valorizou cada minuto do tempo que passamos juntos
porque sabia que eles iriam crescer e iriam ficar independentes,
como é o certo.

Uma tia que fica feliz ao abraçar
a linda jovem e o belo rapaz que hoje os sobrinhos são.

Uma tia que se abaixava no chão para brincar com os sobrinhos
e hoje tem que levantar a cabeça para olhá-los nos olhos,
já que estão mais altos.

Uma tia com todos os defeitos que todos nós temos.
Uma tia que ainda se emociona ao ouvir "minha tia..."
ou, simplesmente, "Tia, ...".

Não existe Dia da Tia nem Dia dos Tios
embora todo dia seja dia de todos.
Mas, na pequena cidade de Penedo,
já existe uma lembrança para a SUPER TIA.

E meus sobrinhos me deram essa lembrança.
Para mim, que tentei ser a melhor tia que pude,
mas fiquei tão longe do SUPER que tanto tentei ser.

Continuo sendo apenas uma tia.
Uma tia que gosta muito dos sobrinhos.


Obrigada pela gentileza, queridos!

(Em 02/08/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 20:36 | *
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Quem sou eu ?

Sou uma pessoa simples. Com uma família amorosa. Gosto de bisbilhotar assuntos,não pessoas. Este "Mercado Livre" apareceu aqui não sei como!

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