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Bisbilhoteira de Plantão

Um pouco de tudo... haja assunto

Segunda-feira, Junho 30, 2003


O TEMPO

( FALANDO POUCO )


Ontem, domingo,
Hoje, segunda.
Tão óbvio!

Hoje, fim de junho.
Amanhã, julho.
Tão óbvio!

Lá se foi metade de um ano.
Mais uma vez, datas repetidas.

E vamos nós também...
Olhando calendários óbvios.

Todos reféns do TEMPO.
TEMPO maior que calendários óbvios...
Calendários que apenas indicam
dias, meses, anos ...

Silenciosos calendários óbvios
Que não conseguem prender o TEMPO...


(Em 30/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:44 | *
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Sábado, Junho 28, 2003


ESCREVER

( ASSIM PENSAVAM OS EGÍPCIOS )


"Descortino para ti os encantos
da arte de escrever;
nenhuma outra profissão tem
encantos maiores.
Em todo o país nada existe
capaz de igualar esta arte em beleza.
O aprendiz de escriba, mal inicia,
criança ainda, seus estudos,
já é alvo de saudações
e passa a servir de mensageiro.
Quando de seu regresso
não terá de se ocupar
com trabalhos pesados.
Dentre todos que exercem uma profissão
somente o escriba não está sujeito
a receber ordens.
Ele próprio manda.
Se souberes escrever,
terás na profissão de escriba
vantagens maiores
às das demais profissões."

(De um papiro egípcio)

E ainda dizem que "no Egito era pior" !...

Até segunda-feira.

(Em 28/06/03)



Cochichado pela Bisbilhoteira on 14:38 | *
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Quinta-feira, Junho 26, 2003


GÍRIAS E PALAVRÕES

( AINDA AS ESCOLHAS )

Nos blogs, tenho visto gírias novas, novíssimas!
E palavrões. Os mesmos. Mudaram pouquíssimo!

Por que as gírias mudam tão rapidamente e os palavrões
permanecem quase os mesmos do tempo de nossos avós?

Gírias e palavrões, como tudo hoje em dia, são estudados
por especialistas. No caso, especialistas da palavra.

Todos nós usamos gírias. Uns mais outros menos. Ela é uma
atitude lingüística de desrespeito intencional às regras estabelecidas
para o idioma. Está marcada pela vivacidade, pela ironia; desafia as
normas do idioma sem, entretanto, fugir delas.

A gíria tem a faculdade de significar mais com menos palavras.
Assim como na imagem vê-se tudo num só olhar, na gíria entende-se
tudo de uma vez, sem mais explicações. É rápida, dinâmica, como a
televisão.
Por isso mesmo tem que estar sempre atualizada para acompanhar a
evolução. Ela é, em si, um modismo. A moda tem que ser atual.
Saindo de moda, a gíria perde seu papel na comunicação.

Assim, às vezes, determinadas gírias envelhecem, morrem, são esquecidas.
Ou, então, o desgaste e aceitação de seu uso incorporam a gíria como palavra
normal do idioma.

Em 1930, aproximadamente, usava-se "supimpa" para designar algo interessante.
Evoluiu para "bacana" ou "legal" por volta de 1950.
Para "barato" ou "jóia" por volta de 1970.
Pelo visto, hoje temos "massa" e outras que desconheço.

Preciso urgentemente atualizar-me. Gosto de usar umas gírias quando falo.
Que ninguém pense que falo como escrevo aqui. Todos me odiariam, nem eu
agüentaria...Por favor, enviem-me gírias novas e seus significados. Agradeço!

As gírias também são usadas como código por certos grupos.
Apenas seus membros entendem. Têm função social protetora da união grupal.
Diferente do uso das outras, usadas por todos, para chamar a atenção, ou por
insegurança no uso de outras palavras, ou para chocar e surpreender, ou,
simplesmente, para uma comunicação mais rápida.

Já os palavrões não estão ligados às regras do idioma como as gírias.
A maioria, até, já está nos dicionários há muito tempo.
Eles estão diretamente ligados à emoção, aos sentimentos, como o choro,
o resmungo, o sorriso.
Todos choram e riem hoje como antigamente.
Por isso os palavrões que usamos hoje são quase todos os mesmos do tempo
de nossos avós.
Quem souber palavrões novos, mas novos mesmo,
que seus pais não conheciam, favor informar-me também.
Agradeço mais ainda.


Tenho certeza de que terão mais dificuldade em achar palavrões novos do que
gírias novas. Observem os palavrões escritos nos banheiros públicos, não há
nenhum novo!

Diferentemente da gíria, os palavrões nos quadrinhos podem ser representados
por símbolos (letras, sinais) seguidos de ponto de exclamação.
Às vezes, nem importa que palavra dizemos, podemos substituir por qualquer uma
e pronunciarmos como se estivéssemos dizendo um palavrão.
Numa situação de raiva, qualquer palavra serve, a entonação é que demonstrará
o que realmente está sendo dito.

Está em moda dizer gírias e palavrões.
Porque, infelizmente, está em moda não conhecer nosso idioma.
Com duas gírias e um palavrão uma pessoa diz o que pensa.

Há os que escolhem usar gíria ou palavrão, escolhem o lugar e o momento
em que farão uso de uma ou outro.
Há os que não sabem ou não querem falar de outra forma.
Os que não sabem outro tipo de linguagem têm sua compreensão, imaginação
e pensamento prejudicados. É uma pena!
No meu caso, prefiro usar poucas gírias e nenhum palavrão.
Respeito quem usa. Assim como respeito quem usa qualquer corte de cabelo,
qualquer tipo de roupa ou adorno.

A meu ver, as gírias e palavrões estão entre muito do que precisamos escolher.
Mas cuidado! Você pode não estar escolhendo por si mesmo, livremente.
Você pode estar sendo levado a escolher por diversas razões.

E aí, "brother"! Como é que fica essa "parada"?

***0%°x...!

(Em 26/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 14:26 | *
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Quarta-feira, Junho 25, 2003

O FASCÍNIO DA IMAGEM

(O MOVIMENTO x A LEITURA)

Outro dia, visitando blogs, um dos rapazes estava aborrecido
porque a figura que queria colocar em seu post não aparecia.
Não foi, ToGun ?

Num outro blog ( Louco Eu ?), fiquei encantada com a figura
que ilustrava seu texto "Nossa Savana". Eram leoas. Chamei-as
mais tarde de leões. Já disse aqui, em "Insetos e outros bichos",
o quanto adorava leões.
Leoas e leões me transportam ao Jardim Zoológico de minha infância.
Leões e leoas passeando nas jaulas junto à grade, para lá e para cá.
Ou deitados. Que patas enormes!

Como não pude ter leões em casa, conquistei um bando de gatos maltrapilhos.
Quase levo a família à loucura. Esses gatos foram tendo filhotes; os filhotes,
outros filhotes. Já não eram mais gatos magrelos. A família se rendeu. Até
minha irmã, muito mais nova que eu, repito pela milésima vez, seguiu as
pegadas dos bichanos. Cuidou com carinho de uma gatinha recém-nascida,
à qual deu o nome de Dalila (vou perguntar a ela o porquê da escolha).
Dalila, descendente dos primeiros gatos maltrapilhos, era uma linda gatinha
toda branca, parecia um montinho de algodão. Pequenina e abelhuda, um dia,
entrou no motor da geladeira, buscando calor talvez.
Quando a geladeira começou a trabalhar, só se escutou um grito desesperado e,
ao olharmos, lá estava a pequena Dalila, desmaiada (já viram bicho desmaiado?),
no chão, inerte, sob a geladeira.
Choros de minha irmã, cuidados, patinha visivelmente quebrada, papai colocou
uma tala (ele tinha jeito para tudo). Dalila voltou a si, minha irmã, parou de
chorar com a volta de sua gatinha, que andou um tempo com a pata amarrada.
Na verdade, quase não andou, porque minha irmã não a tirava do colo (exageros
à parte...).

Fugi do assunto? Não!
Imaginaram toda a cena da gatinha Dalila, minha irmã pequena, etc.?
É onde quero chegar. (E quem conseguiu chegar até aqui saberá).

O texto escrito faz com que se formem imagens em nossa mente. Imaginação!
Imaginamos quando pensamos, quando lemos, quando ouvimos música.
Estamos sempre imaginando!...

Numa aula a que assisti, o professor, para mostrar o fascínio do movimento,
exibiu um ponto luminoso em movimento numa tela de televisão.
Apenas um ponto.
E nossos olhos, automaticamente presos na telinha, seguindo o ponto.

Eis a força do cinema e da televisão: Imagens em movimento.
Todos nós ficamos horas assistindo a filmes, olhando a TV.
Jamais ficaríamos o mesmo tempo olhando uma parede lisa, parada.

Para atrair a atenção das pessoas, os canais de TV chegam ao ponto de
cronometrar os segundos de cada quadro. Parece que cada quadro dura
três segundos, não estou certa, mas é por aí. 1, 2, 3, muda; 1, 2, 3, muda.
É só observar. E nem percebemos que estamos sendo atraídos, tecnicamente,
para olhar a imagem. Parece tudo normal, mas não. É tudo minuciosamente
cronometrado. Alguns canais ainda usam um tempo mais longo. Não o
suficiente que permita o olho querer ver outra coisa.
Por isso, achamos aborrecidos certos filmes. Não são aborrecidos. Só não
seguem essa cronometragem, temos a impressão de que as cenas são longas.
Não. Na TV, vejam os comerciais, é que tudo é propositadamente rápido.

Este blog tenta resgatar a imaginação e a paciência (é preciso demorar para
ler) através do texto (que pretensão!).
Por isso não tem figuras, só palavras, e muitas.

Pelas palavras, o fato é o mesmo, mas cada um imagina a seu modo, não há
uma padronização, nem idéia de movimento. Só uso palavras e espaço. Até
a música de fundo pára, ou pode ser baixada.
Se escrevo "rosa", cada um verá sua rosa da cor e tamanho que lhe aprouver,
mesmo que eu a descreva.

Sou contra figuras, cinema, quadrinhos, televisão? Jamais! Agradeço a Deus
poder ver tudo isso. Mas, assim como o provérbio chinês diz que "Uma boa
imagem dispensa palavras", eu ouso dizer que um bom texto dispensa figuras.
(Nada contra as ilustrações de textos, por favor!).

Um bom texto que dispensa figuras. Temos muitos deles na Literatura. Mas
estão sendo deixados de lado pela facilidade das figuras em movimento.

Estou treinando para escrever bons textos. Desses que dispensam figuras.
Apenas treinando.
Um dia, talvez eu consiga...

(Em 25/06/03)


Cochichado pela Bisbilhoteira on 14:38 | *
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Terça-feira, Junho 24, 2003


FESTAS DE SÃO JOÃO

( JUNINAS )

Lembro-me das FESTAS DE SÃO JOÃO de outros tempos.
Assim como os maios mudaram, também junho não é mais o mesmo.

Antigamente, em junho, à noite, fazia tanto frio que soltávamos
"fumaça" quando respirávamos. Quanto já me diverti, com outros
de minha idade, brincando de fumar! Naquela época, fumar era
elegante, permitido, mas as crianças não podiam. Então, nas noites
frias de Festas de São João, aproveitávamos para brincar de fumar.
Hoje, não temos frio nem para agasalhos, que dirá para formar vapor
ao respirarmos.

E as cocadas? Os pés-de-moleque? Bolo de milho? Paçoca? Canjica?
Cuscuz? Que delícia! Comíamos na festa e levávamos para casa. Não
sei se eram mais gostosos nas festas ou, depois, em casa.

Nas escolas, havia festas durante o dia, todos os professores trabalhando.
Além de ensinar, trabalhavam nas barraquinhas de guloseimas, de pescaria,
no leilão (esses, geralmente, ficavam roucos, sem microfone).
E os ensaios das diferentes danças, do casamento, começavam quase um mês
antes. Sem prejuízo das aulas. Eram professores de fato, esses não "matavam aula".

Mas, à noite é que era bom!

Mudaram os hábitos ou mudei eu?

Ainda há festa juninas? Onde? Dessas com fogueira, em terrenos grandes
ou clubes, roupa caipira, chapéu de palha, pintinhas pretas no rosto bem
pintado, músicas da época, quadrilhas ritmadas. Onde?

E havia muitos balões enfeitando a noite, hoje proibidos, com acerto.

Músicas antigas que ficaram na memória:

"Olha a fogueira, meu bem!
...................................
São João, São João,
Acende a fogueira
No meu coração..."


QUE SAUDADE!...

(Em 24/6/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:28 | *
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Segunda-feira, Junho 23, 2003


PROFESSORES TAMBÉM "MATAM AULA"... SEM FALTAR...

( FILOSOFIA )

Após um final de semana sem mexer no computador, surpreendo-me
com o comentário de Blogauderio (endereço à direita), convidando-me
para seu post de sábado.

Vi seu texto. Pobre rapaz perdido numa "pesquisa" sobre Sócrates e
Platão, tendo que comparar os dois.

Qualquer imbecil que já tenha lido algo sobre esses filósofos saberia
que uma comparação dessas, proposta assim em aberto, resultaria num
volumoso trabalho, fruto de muita pesquisa e conhecimento já adquirido.
É inesgotável o que esses dois fizeram e o que há escrito sobre eles!

Mas alguns professores não perdem a mania. Não dão nenhuma aula que
desperte o interesse dos alunos, explicando, mostrando, enriquecendo.
Eles "matam a aula" e partem logo para essas "pesquisas", jogando tudo
no ombro dos alunos, que não conhecem nada do assunto, ou conhecem
muito pouco, não querem conhecer e têm raiva de ter que conhecer.

Tenho visto "pesquisas" passadas como "FALE SOBRE O BRASIL" (Falar
o quê? Sobre que época? Com que objetivo?), "FALE SOBRE O MUNDO"
(idem), ou, simplesmente, "EGITO", "MUNDO", "ISSO E AQUILO, COMPARE",
e por aí vamos. Não estabelecem metas, objetivos, limites.

Desconhecem o que é PESQUISA, como deve ser feita, preparada, concluída.

O interessante é quando essas pesquisas são feitas em grupo. HORROR!
Todos sabem que, na maioria dos trabalhos de grupo, em escola, tem sempre
aquele aluno que trabalha enquanto os outros só assinam. Ah! Todos, em
geral, contribuem para a compra do material (folhas de papel, capa, etc.).
No final, notas altíssimas (quem vai reclamar?).
Pior é quando são distribuídas notas baixíssimas!

O professor, além de não entender nada de pesquisa,
também precisaria se preparar mais para saber que,
se o aluno fracassa, é porque ele também fracassou.
E as notas altíssimas dadas sem critério também refletem
o fracasso do professor.

E não venham com a desculpa de que ganham pouco. Isso é verdade. Mas se
não querem, ou não podem, procurar outro trabalho, com remuneração melhor,
dediquem-se ao atual.

Será que essa professora explicou a origem da palavra FILOSOFIA
(Philo=Amigo, Sophia=Conhecimento) ? Será que ela tentou fazer de
seus alunos verdadeiros filósofos, ou seja, amigos do conhecimento?

Será que ela disse que a Filosofia é a ciência geral do ser, do princípio
e das causas? Será que ela explicou que, na Antigüidade (3000 a.C a
séc.V d.C), os poucos homens que possuíam cultura eram chamados de
sábios e que foi Pitágoras (filósofo grego que viveu no séc.VI a.C.) quem
propôs modestamente trocar esse nome ("sábios") por AMIGOS DO SABER
(Filósofos) ?

Será que foi dito aos alunos que, no início, a Filosofia englobava todo o
saber, mas, aos poucos, os vários ramos do conhecimento se separam,
constituindo ciências autônomas: Matemática, Física, Química, etc.?

A Filosofia, então, propriamente, passou a ser constituída de 5 partes:
Psicologia, Lógica, Moral, Estética e Metafísica. É a divisão clássica.
Depois, considerou-se a Filosofia constituída apenas da Metafísica.

Será que foi mostrada aos alunos a definição clássica de Filosofia:
"Estudo dos primeiros princípios e dos últimos fins", originada em
Aristóteles (384 a.C.- 322 a.C.) e concluída por seu seguidor, Santo
Tomaz de Aquino (1227 - 1274)?

Epicuro (341 a.C. - 279 a.C.) considerava a Filosofia como "A arte
do bem viver". Daí chamarmos epicuristas os que gostam de prazer.
Kant (1724 - 1804) diz que ela é "A ciência das finalidades últimas
da razão humana".
Augusto Comte (1798 - 1857) chama de Filosofia "A sistematização
das ciências". Só para citar alguns filósofos. Isso foi mostrado?

Em resumo: A Filosofia trata dos problemas básicos do universo e da
existência; origem e destino das coisas, finalidade da vida, estudo da
substância, do ser em si.


Seu objetivo sempre é alcançar a Verdade e o Bem. Não é lindo?

Que os alunos estudem sempre a Filosofia e seus Filósofos, e sejam
imunes às más pesquisas...

Não abandonem a Verdade e o Bem por causa dos "Inimigos do Saber"...

(Em 23/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:40 | *
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Sexta-feira, Junho 20, 2003


PARA TODOS NÓS...

Deixo texto de Flávio Rangel, adaptado para este espaço.
Não só para o próximo domingo, mas para todos os nossos dias.



DESEJOS DE DOMINGO

( FLÁVIO RANGEL, adaptação)


Hoje, eu queria um domingo feliz.

Queria um domingo em que os raios de sol iluminassem
e aquecessem nosso País; e que os raios desse sol tivessem
a capacidade de abrandar ódios e diminuir rancores.
Como se o sol surgisse em nosso céu e sua simples presença
pudesse trazer a paz e a harmonia.

Um domingo de um sol tão generoso que tocasse o que resta
ainda de infância no coração de um violento e que o fizesse
usar apenas a mão que afaga e não a mão que apedreja.

Um domingo que restaurasse o sorriso no pai aflito;
que fizesse renascer a esperança na senhora amargurada;
um domingo que transformasse a agonia do velho descrente
num canto de renovada fé. Um domingo que tivesse a capacidade
de fazer todos caminharem tranqüilamente à sombra das árvores,
perto das fontes murmurantes com que foi aquinhoada nossa terra.

Um domingo onde as pessoas pudessem com calma visitar os museus
que abrigam as obras-de-arte daqueles irmãos mais privilegiados que
usam seu talento para espelhar a natureza e fazer viajar a imaginação.

E que fosse um DOMINGO tão bonito que as pessoas
se cumprimentassem e dissessem: "QUE BELO DOMINGO!"
"MAS QUE DOMINGO TÃO BONITO MESMO!"

E a presença desse domingo se espalhasse por outros domingos,
por todas as feiras, e sábados, e que esse domingo pudesse ter
uma qualidade elástica que o transformasse num mês inteiro;
num ano, numa década, num século.

Até segunda-feira.

(Em 20/6/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:28 | *
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Quinta-feira, Junho 19, 2003


COMO VÃO SEUS PLANOS ?

( UMA HISTÓRIA )

Quando alguém me apresenta um plano meio absurdo,
cito a história escrita por Malba Tahan,
"O PLANTADOR DE ESPINHOS",
em seu livro "LENDAS DO DESERTO".

Apesar de Malba Tahan ser escritor brasileiro, ilustre
professor de Matemática, suas histórias se passam
sempre em cenário do antigo oriente.
Na história, o plantador de espinhos jurou viver apenas de sua
plantação, não recebendo nada de nenhuma outra fonte.
Ele plantaria seus espinhos no deserto.
Não pretendia vender espinhos, quem compraria?
Sua idéia era a seguinte:

Primeiro, plantaria os espinhos no deserto.
Por ali, de vez em quando, passava uma caravana.
Talvez, algumas dessas caravanas transportassem algodão.
Nessas caravanas de algodão, poderia vir um camelo tonto.
Seria possível que esse camelo tonto, ao passar perto dos espinhos, caísse.
Ao cair, o fardo de algodão desse camelo tonto poderia romper-se.
Ao romper-se, o fardo derramaria algodão.
Seria de esperar que muitos pedaços desse algodão ficassem
presos aos espinhos.
Então, ele recolheria o algodão dos espinhos e iria vendê-lo
no mercado, obtendo, assim, algum dinheiro.

Uma série de eventualidades improváveis de acontecer.

Quantas pessoas são como esse plantador de espinhos,
equacionando suas vidas com base na realização, quase
impossível, de uma seqüência de acasos ?

Mas o final da história de Malba Tahan é inesperado.

Um viajante encontra o plantador em plena tarefa,
ouve seus planos e resolve levá-lo ao califa, julgando
estar ali motivo de diversão.

Diante do sultão, o homem explicou que sua vida sempre foi
uma sucessão de fracassos, porque ele nunca ia ao fim nas
tarefas que iniciava. Para corrigir-se desse erro, impôs a si
mesmo essa empreitada quase impossível de ser realizada na
íntegra. Terminou seu relato, dizendo que, com isso, estava
agora completamente mudado, era de uma constância inabalável
de propósitos.

O califa, após ter ouvido tudo com muita atenção, para surpresa
de todos, declarou estar ali o homem que procurava. Libertou-o
do juramento de viver apenas da plantação de espinhos, dizendo
que esperava ser a última vez que ele abandonaria uma tarefa, e
nomeou-o prefeito da cidade.

Desligado do juramento, o ex-plantador de espinhos assumiu o cargo.
Durante vários anos, mostrou-se um administrador digno da confiança
que o califa depositou nele. Jamais abandonou uma obra necessária
e útil; uma vez iniciada era levada até terminar.

Esse final de história, se pensarmos bem, apesar de bonito
e de encerrar uma bela lição, é muito mais improvável de
acontecer do que todas as metas do plantador de espinhos.

Portanto, não se iluda com esse final.

Será que você, ultimamente, não anda, desvairadamente,
plantando espinhos no deserto ?...


(Em 19/6/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 20:09 | *
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Quarta-feira, Junho 18, 2003

AINDA OS RIVAIS

( OS DOIS BURRICOS )

Os comentários dos textos que escrevi aqui sobre rivais
fizeram-me pensar. Rivalidade humana! Fique bem claro.

Principalmente os comentários do Louco (ver endereço à
direita). Ele citou os espermatozóides, com a observação
acertada de que somos vencedores na disputa para nossa
concepção. Milhões e milhões de espermatozóides perdem
a corrida. Somente um alcança o óvulo. Acontece assim
com cada um de nós. Isso mostraria a rivalidade existente
entre nós, e em nós, desde os espermatozóides.

Ah! Humildes blogueiros comentando a sério sobre a Vida
e suas origens.

Voltemos aos espermatozóides. Intriga-me o fato de que o
pobre espermatozóide-vencedor tenha que encarar o único
óvulo da vez.
As mulheres, diferentemente dos homens, não produzem
óvulos ao longo de suas vidas, já nascem com um número
definido deles, os quais vão amadurecendo e sendo expelidos
(um por mês). E eles envelhecem à medida que o tempo passa.
O óvulo da vez pode já não ser tão bom para receber o campeão.
(Alô! Alô! Isso é mais assunto para TRIGAL, endereço à direita,
que para BISBILHOTICES. Socorro, Trigal! Desculpe se falo
bobagens!). O fato é que eu não entendo a Natureza tão pródiga
quanto a espermatozóides e tão econômica quanto a óvulos.

Analisemos friamente: Quantos espermatozóides-vencedores,
ao lado de seus milhões de coleguinhas menos dotados, ficam
presos nos preservativos, ou são "jogados ao vento" (como se
dizia numa novela passada) ?

Não entendo o objetivo da Natureza. Ainda que todos os
óvulos da vez fossem fecundados, ainda assim, repito,
sobrariam muitos espermatozóides, vencedores ou não,
considerando-se que cada gestação dura nove meses.
Estou falando de nós, humanos.

Então, volto à minha teoria da solidariedade e do empate.
Obrigada, Lívia, os jogos são esses mesmos (Beira do Mar,
endereço à direita).

Quanto ao empate, Daniel (ver endereço à direita, "Blogauderio"),
você não o acha divertido. Mas será divertido perder o jogo?
Lembram da Copa do Mundo que o Brasil perdeu? Um país
inteiro deprimido por causa de um jogo? Isso faz sentido?
No empate, haveria alegria dos dois lados, ninguém ficaria triste!

Devem estar perguntado: E os burricos do título, onde entram?
Respondo: Agora.

Quando eu era criança (garanto que foi já na segunda metade do
século passado, não antes), havia umas histórias sem palavras
nas revistas e jornais. A pessoa tinha que entender o desenho. E
era desenho simples, nada muito cheio de traços e coloridos.
A propósito de rivalidade, lembrei-me de uma dessas histórias:
1º QUADRO: Dois burricos amarrados um ao outro pelo pescoço,
querendo comer o monte de capim que está na frente de cada um, mas
distantes, a corda em seus pescoços não permite que eles alcancem seus
montinhos.
2º QUADRO: Aparecem puxando a corda para um lado, para outro.
3º QUADRO: Eles aparecem parados, pensando.
4º QUADRO: Os dois aparecem comendo juntos, cabeça com cabeça,
o primeiro monte de capim. Supõe-se que, da mesma forma, irão comer
o segundo.

Ou seja: Mesmo presos, sem liberdade, conseguem seu objetivo quando
resolvem se ajudar.


A palavra está com vocês...


(Em 18/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:17 | *
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Terça-feira, Junho 17, 2003

FRAGMENTO 2

( AINDA OS RIVAIS )



"Era um grande nome _ ora que dúvida!
Uma verdadeira glória.
Um dia adoeceu, morreu, virou rua ...
E continuaram a pisar em cima dele."


...............................(MARIO QUINTANA)


Sem comentário...

(Em 17/06/03).





Cochichado pela Bisbilhoteira on 12:29 | *
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Segunda-feira, Junho 16, 2003

FLAMENGO x VASCO

- RIVAIS -

Está escrito, na 1ª página de "O GLOBO", hoje:
"FLA se recupera contra maior rival
Time rubro-negro derrota Vasco por 2 a 1 com um gol quase no fim
".

Há uma enorme foto do goleiro Márcio, do Vasco, em pleno
salto, para tentar agarrar a bola. Curiosamente, a linha de seus
dois braços forma um "V" (Vasco?), e a linha de seu corpo
(braço direito esticado até seu pé direito e seu braço esquerdo)
forma um "F" (Flamengo?). Belas linhas por sinal!
E não precisa criatividade, não. É só olhar.

Diz o texto que "Fla se recupera contra seu maior rival".
Não sei se todos sabem, mas nossa palavra "rival" vem da
palavra francesa "rive", que quer dizer "margem", "borda",
muito empregada para margens de rio.
Antigamente, as pessoas moravam bem perto dos rios, para
facilitar pegarem a água. Eram "rivais" aqueles que moravam
nas "rives" dos rios.
E, como precisavam da mesma água daquele rio, é fácil imaginar-se
que surgiam desavenças em relação ao precioso líquido. Amplia-se,
assim, o significado de "rivais" como quem mora nas "rives", margens
do rio, para "aqueles que querem a mesma coisa" (seja lá o que for).
Rivais, então, são inimigos, ou quase... Disputam o mesmo fim.

Pensou que eu ia falar de futebol? Você, que é Vasco, já estava
furioso comigo? Não! Não vou falar de futebol.
Estou falando de rivais, ou melhor, antagonistas, inimigos.
Se observar, nesse mesmo quadro do jornal de hoje, citado acima,
aparece a notícia da vitória de Maurren Maggi (está escrito assim),
paulista, que venceu o salto em distância, no Troféu Brasil. Bravo!
Venceu, ela também, rivais.

Estamos sempre querendo vencer nossos rivais.
E estes querendo que nós percamos.

São também nossos rivais: nossa preguiça,
nossos vícios, nossos defeitos de caráter,
tantos outros...
Esses, sim, devemos procurar derrotá-los,
tentando melhorar a cada dia.

Em se tratando de pessoas, temos e somos sempre rivais,
apesar de nós mesmos.
Sou completamente contra a luta entre pessoas, seja no
âmbito pessoal, seja em campeonatos, seja em guerras.
Por que um ser melhor que outro?

Somos iguais, no geral, queiram ou não os que gostam de disputar.
Claro que temos características individuais, mas sentimos da mesma
forma, nascemos e morremos da mesma maneira.


Continuo sonhando com aqueles jogos cuja vitória deveria ser
o EMPATE, obrigatoriamente. Soube que há um jogo de praia
que já é assim, tomara!
O empate coloca os participantes em igualdade.
As "vitórias" de uns contra outros deveriam ser consideradas
aberrações.
Nessas vitórias, não há solidariedade total.
Só deveria ser considerado como VITÓRIA quando melhoramos
em algo, na nossa luta contra nós mesmos.

Podem brigar comigo (rivais?). Mas, entre pessoas,
gosto mesmo é de solidariedade,
gosto mesmo é de empates.
Nos jogos e na Vida.


(Em 16/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 13:07 | *
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Sexta-feira, Junho 13, 2003


SER FELIZ

(LEMBRANDO MINHA AVÓ...)

"Que a vida se torne um canteiro de oportunidades para você ser feliz...
Que nas suas primaveras você seja amante da alegria.
Que nos seus invernos você seja amigo da sabedoria.
E, quando você errar o caminho, recomece tudo de novo.
Pois assim você será cada vez mais apaixonado pela vida.
E descobrirá que...
Ser feliz não é ter uma vida perfeita.
Mas usar as lágrimas para irrigar a tolerância.
Usar as perdas para refinar a paciência.
Usar as falhas para esculpir a serenidade.
Usar a dor para lapidar o prazer.
Usar os obstáculos para abrir as janelas da inteligência."


................................................(AUGUSTO CURY)

Seguindo o texto citado acima, tenho procurado usar minhas perdas
para refinar minha paciência. E como!
Tenho também tentado usar bem as lágrimas, a dor, as falhas e os
obstáculos. Nem sempre consigo. É um desafio. Mas sou persistente.

Hoje, dia 13 de Junho, dia de Santo Antônio, era o aniversário de
minha avó, JÚLIA, falecida em 1973 (parece ontem!), mãe de meu pai.

Lembro-me dela fazendo renda, com seus bilros. Conhecem bilros?
Lembro-me dela, ninando-me na cadeira de balanço que, há muito,
está aqui em casa. Minha irmã, e os filhos de minha irmã, todos foram
ninados aqui, na mesma cadeira.
Lembro-me dela ensinando-me a fazer crochê, no qual ela era mestra,
quando tive sarampo. Aprendi a fazer uma rodela. Só o que fiz. Anos
mais tarde, encontro uma amiga que queria aprender crochê, ensinei-
lhe essa rodela. Minha amiga ficou feliz porque fez uma enorme toalha
de mesa, linda, agradecendo-me por lhe ter ensinado... A rodela que
vovó me ensinou, finalmente, transformou-se em linda toalha.
Lembro-me... Ah! É toda uma vida...

Neste dia 13 de Junho, FELIZ ANIVERSÁRIO, Vovó Julinha,
aí entre os anjos, que é onde deve estar.


Até segunda-feira. Sejam felizes!

(Em 13/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 09:44 | *
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Quinta-feira, Junho 12, 2003

DIA DOS NAMORADOS

( O AMOR )

Há os que namoram a sério.
Há os que brincam de namorar.
Mais recentemente, há os que não namoram,
preferem "ficar", assim dizem...
(Os mais antigos querendo saber como é isso,
"ficar"? O que fazem?).

Há os que não se casam mais:
(Isso, aliás, sempre houve)
"Somos apenas namorados", dizem,
ou, simplesmente, "somos apenas bons amigos".

Namorados, "ficantes", amigos.
Estão todos envolvidos, completamente,
nas sutis e complexas malhas...
...do AMOR, tão falado e desconhecido.

"O AMOR tem que superar o narcisismo. É preciso ver
o outro como ele é, de fato, despido de nossas fantasias
e idealizações.

O AMOR precisa de . É preciso ter fé para amar. Correr riscos.
Isso inclui aceitar a dor e a decepção. Ser amado e amar requerem
coragem para apostar tudo nos valores escolhidos.

O AMOR é uma atividade; estado constante de ativa preocupação
não só pela pessoa amada, mas um permanente estado de alerta.
O preguiçoso seria, de fato, incapaz de relacionar-se afetivamente
com a pessoa amada.
Paradoxalmente, hoje, é grande o número de pessoas que estão
semi-adormecidas quando acordadas e semi-acordadas quando
estão dormindo. Estar plenamente acordado é a condição para
não ficar aborrecido nem aborrecer, é uma das principais condições
para amar. Ser ativo em pensamento, sentimento, olhos, ouvidos.
Evitar a ociosidade interior, o mero desperdício de tempo.
São condições indispensáveis para a arte de amar.

Bem como a disciplina (incluindo-se a auto-disciplina),
a concentração (necessária para o aprendizado de qualquer
arte, inclusive a de amar), a paciência (quem anda atrás de
resultados rápidos nunca aprende uma arte).

É uma ilusão crer que se possa dividir a vida de modo tal
que seja produtivo na esfera do amor quem é improdutivo
em todas as outras esferas.

Não usar fraude e enganos. Mas não resumir seu amor só a isso.
Pessoas capazes de amar atualmente são verdadeiras exceções.
Chegamos a tal ponto que falar de amor, hoje, é participar da
fraude geral.

Na verdade, analisar a natureza do amor é descobrir sua geral
ausência hoje em dia e criticar as condições sociais responsáveis
por essa ausência.
Na verdade, ter fé na possibilidade de amar como fenômeno social,
e não apenas excepcional-individual, é uma fé racional baseada no
conhecimento da própria natureza humana.
Na verdade, falar de amor é falar da última e real necessidade do
ser humano."


(Erich Fromm, in A ARTE DE AMAR, RESUMO).

Que tal praticarmos mais o "AMA O PRÓXIMO COMO A TI MESMO"
ensinado há mais de dois mil anos?

Não sejamos uma fraude no AMOR! Nem participemos da fraude geral.
Se me ligo a outra pessoa só porque não posso caminhar com meus pés,
essa outra pessoa será apenas um salva-vidas, mas essa relação não é
uma relação de AMOR.

Que tal sermos um com o outro, olhando para a frente, caminhando juntos,
lado a lado, cada qual com suas características respeitadas ?

Será que, assim, teremos, finalmente, aprendido a amar?

Tomara que você consiga!

FELIZ DIA DOS NAMORADOS!

(Em 12/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 08:07 | *
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Quarta-feira, Junho 11, 2003


VISITANDO BLOGS
(CONHECENDO PESSOAS)

Estive visitando blogs.
Em alguns, deixei comentários.
Algumas pessoas visitam este blog.
Deixam comentários. Ou não.
Gosto mais quando deixam uma palavrinha.
Sempre que posso, bisbilhoteira que sou, deixo meu comentário.
Exibimos sentimentos, fatos de nossas vidas.
Cada um a seu modo.
Portas abertas, confiantes, entrada franca,
observamos e somos observados.

"Quando se fala de pessoas que observam ou são observadas,
convém não embarcar na ilusão de que o observador, pelo fato
de ser observador, está isento de si mesmo.
Ninguém está isento de si mesmo e só podemos ver os outros
através dos nossos olhos e de dentro de nossas perspectivas.
Vemos o mundo com a nossa experiência.
Isso é irremediável.
Conhecer é comparar."

(PIAGET)

Parece óbvio! Mas não é.

(Em 11/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 17:26 | *
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Terça-feira, Junho 10, 2003


INSETOS
(E OUTROS BICHOS)

Quando eu era bem pequena, faziam-me comer a
"carninha". Eu não entendia nada de comida.
Para mim, feijão, arroz, carne, salada, tudo vinha
de árvores, como as frutas do quintal de minha casa.
Menos os ovos e galinhas. Esses eu os via no galinheiro.

Comecei a escola. Eu ainda era pequena. Aprendi sobre
animais úteis e nocivos, selvagens e domésticos.
Selvagens e domésticos eu compreendia. Minha mãe criava
galinhas. Geralmente era eu que pegava os ovos. Íamos ao
Jardim Zoológico onde eu via leões e tigres. Meu sonho, que
era ter um leão, precisou ser abandonado.O leão era selvagem.
E, assim, abandonei meu primeiro sonho.

Quanto aos animais úteis, em minha incompreensão de criança,
entendi, ao pé da letra, que "eles nos davam leite, ovos, carnes,
,...". Estava escrito isso no meu livro. Imaginava os animais
felizes, dando-nos espontaneamente essas coisas. Essa idéia era
reforçada pelo fato de nossas galinhas cantarem alegres após
terem posto seus ovos. Ainda não tinha associado a carne ao animal
propriamente. Mamãe matava galinha, achava normal.

Só fui compreender mesmo, quando comecei a brincar com um
pintinho, que se transformou em frango. Meu amigo! Dei-lhe até
um nome: Chipinho! Ele atendia prontamente quando o chamava
e sempre o chamava. Quando voltava da escola, era a primeira
coisa que fazia. Ele vinha correndo de onde estivesse. E corríamos
os dois, em volta da casa. Eu rindo e falando com ele. Ele me olhando,
interessado e correndo, com a cabeça sempre voltada para mim, quase
trocando as pernas ou tropeçando nas pedrinhas do caminho, com seu
jeito só dele.
Um dia, cheguei da escola, chamei-o como sempre. Ele não veio.
Preocupada, entrei em casa e perguntei onde ele estava. Choque!
Ele era o almoço do dia.
Não comi nem um pedaço. Chorei o resto da tarde. Estou chorando
agora, acreditem. E aprendi, aí sim, que os animais não dão nada,
como dizia meu livro. Nós é que lhes tiramos tudo. Até suas vidas.
Foi uma lição dura, difícil.
E, assim, perdi meu primeiro amigo.

Desde então, para mim, ficou tudo confuso quanto a animais.
Animais úteis e nocivos. Insetos? Temos que eliminar todos de dentro
de nossas casas. São nocivos! Correto.
Já salvei formigas, já destruí formigueiros inoportunos.
Já matei baratas (já salvei algumas, empurrando-as para fora e trancando
rapidamente a porta). No verão, fecha-se a casa à tarde, para não entrarem
mosquitos. Se entrarem, inseticida neles (e em nós...).
Cupins? Quantos livros já me destruíram! É preciso não deixar que aqueles
bichinhos que voam em volta da luz caiam no chão, pois é no chão que os
cupins se acasalam e procuram um canto para iniciar sua devastação (nada
amontoado no chão que lhes sirva de abrigo, e bastante sol e claridade).

Claro que há bons serviços para nos proteger e livrar desses insetos.
São como os próprios insetos. Seus telefones entram em nosso cérebro
e ficam lá, plantados. Não há remédio nem serviço que retire esses implantes.

Fico pensando se os insetos fossem à escola.
Provavelmente aprenderiam que existem animais úteis e nocivos.
E, nos seus livros, com toda certeza, estaria escrito
que os piores animais nocivos... somos nós!

(Em 10/06/03).



Cochichado pela Bisbilhoteira on 11:21 | *
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Segunda-feira, Junho 09, 2003


ANIVERSÁRIO EM FAMÍLIA

(OU OUTRA COMEMORAÇÃO)

Família reunida. Alegria do encontro.
Muito trabalho para quem organiza.
Mas vale a pena o momento, cada vez mais raro.

Crianças pequenas. Adultos. Idosos.
O tempo passa, seguindo seu ritmo.

Nas famílias, quando se encontram,
os mesmos grupos:
crianças pequenas, adultos, idosos.

Só que são outras as crianças.
São outros os adultos (as crianças crescem).
São outros os idosos (os adultos de antes).
E há os lugares vagos, daqueles que já se foram...
Em meio à alegria, saudades...

Olhando a família reunida,
conseguimos ver todos os que estão ou já estiveram.
Uns, ali, falando, comentando, ouvindo.
Outros... só nossa saudade os sente.
Mas estão todos ali, naquele encontro.

Foi assim ontem, no belo almoço de aniversário
de minha prima, já adulta.
Foi assim, ontem também, à noitinha, no aniversário
de meu sobrinho, começando a ser adulto nos seus 20 anos.


Que Deus abençoe os aniversariantes.
Que Deus abençoe as famílias.
Que Deus abençoe as crianças, os adultos.
Que Deus abençoe os idosos, de hoje e de ontem...


(Em 09/06/03).

Cochichado pela Bisbilhoteira on 13:24 | *
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Sexta-feira, Junho 06, 2003


EU ASSINARIA ESTE TEXTO:

"Q U E R E M O S:

Um mundo sem desemprego, sem fome,
sem violência, sem miséria;
onde a vida esteja colocada acima do lucro e do capital.

Um mundo que garanta o acesso à educação,
à saúde e à moradia de qualidade,
com base nos valores da justiça e da solidariedade.

Um mundo onde o respeito à vida determine
o fim do trabalho escravo,
o fim da corrupção e da impunidade.

Um mundo onde possamos viver em paz,
como irmãos de uma grande família,
não importando o lugar, a raça, a religião.

Um mundo onde o Amor de todos
equilibre a própria natureza,
evitando todas as catástrofes.

Um mundo simples, onde o amanhecer e o anoitecer
sejam meros marcos dos movimentos do planeta,
e não soberanos de compromissos considerados inadiáveis.

Um mundo de verdadeiro encontro e convivência.

Um mundo onde DEUS se sinta confortável
no coração de todos nós.

Que assim seja!"

(Texto publicado na Revista "O MENSAGEIRO...",
nº 1173, setembro,1999, Edições Loyola).

Obrigada pela visita.
Até segunda-feira.
ÓTIMO FINAL DE SEMANA PARA TODOS!

(Em 06/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 02:45 | *
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Quinta-feira, Junho 05, 2003

"Bisbilhote comigo" já está funcionando.
OBRIGADA PELA VISITA.
Abraços,
Bisbilhoteira.

Cochichado pela Bisbilhoteira on 01:01 | *
Comments:

Quarta-feira, Junho 04, 2003

A MENINA
- O ASILO -

Era uma festa num asilo de crianças órfãs.
Órfãs e pobres.

A menina olhava tudo com distanciamento.
Os enfeites, a grande mesa posta, uma alegria pendurada no
rosto das outras crianças exatamente como as bolas coloridas
penduradas na parede. Apenas enfeites.

Ela não conseguiu pendurar seu sorriso. Seu coração doía...
Era mais velha e sabia que, no dia seguinte, assim como as bolas
coloridas seriam retiradas das paredes, os sorrisos também.
As visitas, alegres, distribuindo abraços, carinhos, eram como outro
tipo de enfeites que também desapareceriam no dia seguinte.
Ela não sabia definir nada disso, era pequena demais apesar de ser a
mais velha. Só sentia.

Sentia falta de ser parte de uma família de verdade.
Ela era parte de um agrupamento. Cerca de trezentas crianças como ela.
Recebiam cuidados de pessoas abnegadas, dedicadas, carinhosas mesmo.
Mas cada pessoa tinha uma história diferente. Cada criança também.

Ah! E aquela expectativa de que um dia chegaria uma família para levá-la!...
E esse dia nunca chegava. Talvez nunca chegasse...

Recebia presentes, de estranhos. Agora mesmo alguém lhe dera um beijinho.
Quem seria?

Claro, conhecia as pessoas de sempre. Ainda assim não eram a sua família.
Seus coleguinhas se sentiam bem, riam de verdade, brincavam de verdade.
Ela nunca se acostumou.
Era grata a Deus por estar ali, naquela casa grande, alguém cuidando dela.
Mas que saudade tinha da família!

Da sua família!...

Em seu coração, a dor continuava.

Sempre.

(Em 04/06/03).


Cochichado pela Bisbilhoteira on 23:55 | *
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ATENÇÃO!
O "Bisbilhote comigo" já está funcionando.
OBRIGADA PELA VISITA.
Abraços,
Bisbilhoteira.

Cochichado pela Bisbilhoteira on 03:55 | *
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Terça-feira, Junho 03, 2003

ESPERA
- FASES DO MEDO -

Encontrar com namorados sempre foi um suplício para mim.
A espera era insuportável! Fosse em lugar público ou em casa.
Uma sensação semelhante à da entrada no palco. MEDO!

No palco, o medo de errar, esquecer, tropeçar e cair diante de
todos, desafinar num agudo, ser ridícula. É um alívio quando
a platéia gosta. Se a platéia não gosta, não dá para sair. No final,
ou recebemos aplausos calorosos (como é bom!) ou aquelas
palminhas educadas... Nem me falem de vaias, ainda não as conheço.

Com os namorados, sempre me aprontei antes da hora. Isso acontece
também com outros encontros, reuniões, solenidades. Prefiro esperar.
Em lugares públicos, preferia esperar pelos namorados, mesmo que
fosse em outro lugar, diferente do combinado, para não demonstrar
que já estava ali há séculos.

Em casa, era pior. Não havia outro lugar para ficar, estava em casa.
Que sensação insuportável! Já pronta e o relógio parecia parado.
Levantava para ver se o namorado já estava chegando. Sentava.
Levantava. Sentava. As pessoas à volta irritadas: "Senta, menina,
espera com calma!" E quem tinha calma?

Sempre pensei que essas sensações eram por causa dos namorados,
a emoção do encontro. Quando o namorado chegava, que alegria!
Mais tarde, descobri que sinto isso até esperando o guri da farmácia
que vem entregar os remédios em casa. O mesmo senta/levanta.
Difere a alegria da chegada. Com a chegada do guri da farmácia,
sinto só o alívio do final da espera. Pensando bem, era quase a
mesma coisa com os namorados. Esse primeiro momento, lógico!

Em algumas esperas de namorados, creio ter chegado até à 4ª fase
do medo, considerando-se como:

FASES DO MEDO

1ª Fase: Estado de Prudência: Atitude modesta. A pessoa não quer
entrar em conflito com o ambiente. Sente-se até satisfeita
por ser mais previdente que as outras, mas reage com crítica
severa ante quem lhe mostra seu estado.

2ª Fase: Estado da Concentração (desconfiada): Nesta, o indivíduo já
se acha atemorizado, mas ainda domina suas respostas ao ambiente.
É um estado de crescente preocupação.

3ª Fase: Estado de Alarme: Atitude de desconfiança intensa. Podem,
até, aparecer tremores involuntários. (Ainda bem que nunca
tive esses tremores nesta fase).

4ª Fase: Estado de Angústia (ansiosa): A conduta, nesta fase, evidencia
que a desorganização funcional provocada pelo medo já destruiu
e impossibilitou melhores possibilidades de reação. A pessoa se
sente como prestes a "perder a cabeça".

Livrei-me das outras duas:

5ª Fase: Estado de Pânico: Quase uma "morte" produzida pelo medo.
Reações do corpo. Às vezes, a força corporal parece centuplicada.
Surgem aqui os heróis de ocasião.

6ª Fase: Estado de Terror: Grau máximo de intensidade decorrente do
medo. A pessoa está "morta de medo". Pode chegar a morrer de
verdade. Paradoxalmente, esta fase pode começar por uma absoluta
apatia, indolência e indiferença. A pessoa se assemelha a um
"boneco de trapo".

Pela lei geral do sistema nervoso, uma vez alcançada uma dessas
fases, para se voltar ao normal é preciso fazer o mesmo caminho de
volta (sentido inverso), ou seja, depois de uma intensa inibição, há
uma intensa agitação e vice-versa.

Tudo isso para dizer que, hoje, fui quase à terceira fase.

Esperando o marcador da água...

(Em 03/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 12:25 | *
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Segunda-feira, Junho 02, 2003

O PASSEIO
- RECONHECEM OS LUGARES ? -

Neste fim de semana, fiz um passeio. Único.
Seria um passeio longo. Precisava de forças.

Comecei renovando-as em SOME WHERE , verdadeira fonte
de juventude. Mergulhei onde pude.

Segui, alimentando-me no TRIGAL. Sementes de qualidade
brotavam fartas. E, como eram de qualidade, não precisavam
ser plantadas todo dia. A Semeadora cuida de todas com cuidado.

Revigorada, parei à BEIRA DO MAR, o início propriamente do
meu caminhar. Lá, fiz exercícios. Havia um com 30 questões das
quais acertei 28. Por dever de ofício, deveria ter acertado todas.
Errei duas. "Errare humanus est" já se dizia em Latim. Alguém que
desconheço completou: "Errar é humano, permanecer no erro é burrice".
Assimilei logo as respostas certas. Mas é bom, de vez em quando,
verificarmos que somos de fato humanos. Antes de sair,
procurei uma pedra e nela escrevi: "Obrigada!", para que meu
agradecimento lá ficasse, não fosse apagado pelo vento ou pelo mar,
caso eu escrevesse na areia. Afinal, passeios como este não existiriam
sem BEIRA DO MAR!

Dei uma passada rápida em VERBORRAGIAS. Encontrei amigas
de longos anos.

Segui para QUELQUE CHOSE. Finalmente, alguma coisa em Francês,
onde o Inglês reina absoluto. Fui iluminada por mera luz. Envolvida em simpatia.

Cheguei ao BLOG DA LARI. Pude ver que "pior que uma voz que
cala... é um silêncio que fala." (Concordo tanto com isso que dei a um
livrinho que publiquei em 1989 um título cujo significado é semelhante).
Aqui, é como encontrar o Amor Romântico em pessoa. O ambiente é
todo meigo. Parece um filme...

Filme? Ida ao cinema. FILMES DO CHICO, uma riqueza! Precisei
tomar cuidado para não perder a hora.
Ao sair, quis celebrar.

Aceitei o vinho oferecido por Louco, em LOUCO EU ?
Ele o serve numa taça de poesia. Inebriante! Nada de louco!

Depois do vinho, precisei ficar atenta para não falar
QUALQUER BOBAGEM e cair em TOTAL DESCONTROLE.
Afinal, BE HAPPY é a ordem, mesmo para aqueles que têm
QI DE AMEBA.

Gostaria de conhecer toda a TEORIA DA ARTE para narrar melhor
este passeio. Se eu fosse Pintora, quem sabe?

Escutei uns barulhos: GROCK ! Depois: WRY! Efeitos retardados
do vinho? Fiquei tão zonza que até pensei ter visto um KALIFFA.
Sempre adorei beduínos! Vi, também, um Grilo, com toca e tudo.
Tomei coragem. Entrei na TOCA DO GRILO. Tudo verde!
Bela toca!

Passaram umas pessoas reclamando: TAMOS COM RAIVA!
Tentavam mostrar injustiças. Um trabalhão!

Hora de voltar. PUZZ KIT NET! Não consegui ir a todos os lugares
como tinha planejado. Outros passeios virão. Fiquei cansada. Valeu!
Não conseguiria fazer o mesmo percurso de volta, mas estava, ali
mesmo, o MUNDO MUDERNO. Aproveitei.

Para voltar, peguei o POEMA EXPRESSO e aconcheguei-me nas
poltronas confortáveis de seus poemas. Belo retorno!

Cheguei enriquecida. Ambiente familiar entre as minhas BISBILHOTICES.

Lá estão os macacos que enjaulei na sexta-feira...

(Em 02/06/03)

Cochichado pela Bisbilhoteira on 02:44 | *
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