Quinta-feira, Maio 29, 2003
HINO NACIONAL BRASILEIRO
- DIA DO GEÓGRAFO -
Ainda os terremotos. Nesses últimos dias.
Primeiro em Argel, conforme citado aqui em texto anterior,
depois no Japão. Novamente em Argel e no Japão.
Isso me faz lembrar: Como é mal compreendida a frase do nosso
Hino Nacional: "Deitado eternamente em berço esplêndido"!
Os que querem criticar os brasileiros dizem logo, peito estufado:
-Também, o Brasil está deitado eternamente até no hino!...
Quem não gosta das ações de alguns brasileiros tem todo o direito
de criticar, mas não deve passar recibo de analfabeto para si mesmo.
Porque analfabeto não é só o que não sabe juntar letras.
Também é analfabeto aquele que não entende o que lê.
E, como, a cada dia, melhoramos nosso entendimento daquilo que
lemos, o novo conceito de ALFABETIZAÇÃO diz que ela só termina
quando morremos.
O "Deitado", em nosso hino, refere-se ao solo e não aos brasileiros.
CUIDADO!
O "berço esplêndido" é o lugar geográfico que o Brasil ocupa na América
do Sul, como um ornamento ("florão da América"), é sua enorme extensão
de terra, com um litoral imenso em todo seu lado leste banhado pelo Oceano
Atlântico. Se a extensão de terra é grande, óbvio que há uma imensidão de
céu sobre ela ("ao som do mar e à luz do céu profundo").
Que nosso solo continue extenso, quase um continente, para abrigar,
com seu clima privilegiado, as muitas almas que por aqui vierem.
Não temos tufões, nevascas, terremotos, vulcões ativos.
Temos enchentes, secas, que fazem bastante estrago,
mais por culpa dos homens que da natureza.
"Deitado eternamente", eternamente, sim.
Porque se o solo deixasse de ficar deitado, resolvesse levantar-se,
que catástrofe!
Que o Brasil fique "Deitado eternamente em berço esplêndido".
Levante-se rápido aquele que ainda não aprendeu a ler.
Corra, por favor! Para não ficar dizendo bobagens para outros que
também não sabem ler corretamente ainda.
É assim que se propaga uma idéia errada, como o entendimento
errado dessa frase do nosso hino.
Hoje, dia 29 de Maio, é DIA DO GEÓGRAFO.
Aos geógrafos, um abraço especial.
Um mais especial ainda para meu sobrinho.
(Em 29/05/03).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:45 | *
Quarta-feira, Maio 28, 2003
PASSEIO DE NAMORADOS
-VISITANTES -
Recebi mensagem de um visitante deste blog dizendo que,
sábado passado, ele e a namorada passaram por aqui.
É um jovem casal. Foram gentis. Ele disse que ambos
gostaram.
Imaginei os dois, em meio a estes textos.
Se eu soubesse que um casal de jovens namorados viria
em visita, eu poderia bem ter preparado um texto mais
ameno, mais romântico para a ocasião.
Olho para este espaço e vejo os dois passeando por aqui.
Que terão dito? Que terão pensado?
Na verdade, vejo-os enfeitando estes espaços sem figuras,
porque este é um blog de textos, só textos, sem nenhuma
figura a desviar a atenção de quem ousar ler. É preciso ter
coragem, paciência.
Vejo-os como pássaros voando alegres ao som do fundo
musical, pousando aqui, fugindo para lá, curiosos adiante.
Ontem, eu disse para me mostrarem Beleza.
Eis que ela veio na figura desses dois jovens.
Que eles façam muitos passeios.
Que sejam muito felizes.
Agradeço a Beleza que me trouxeram.
Aos outros visitantes também agradeço as visitas.
Algumas já retribuí, fazendo eu agradáveis passeios
em meio à moçada dos blogs.
Em retribuição, ofereço apenas meus pensamentos.
E essas palavras todas...
(Em 28/05/03)
Cochichado pela Bisbilhoteira on 13:31 | *
Terça-feira, Maio 27, 2003
NÃO QUERO MAIS SER TRISTE...
- QUEM QUER? -
"Nós não queremos mais ser tristes
É fácil demais
É idiota demais
É cômodo demais
Temos sempre oportunidade para isso
Todo mundo está triste
Nós não queremos mais ser tristes."
(BLAISE CENDRARS)
Também eu não quero mais ser triste.
Não vou mais olhar as notícias ruins dos jornais. Só as boas.
Não vou mais ver/ouvir noticiários que só mostram tragédias
na hora do meu jantar. Quero que me mostrem o lado bom.
Porque, como sabemos, tudo tem seu oposto.
E por que só mostram e repetem, repetem, tornam a repetir
apenas o lado ruim?
Outro dia, o noticiário da TV mostrou o cientista que criou o
coquetel que revolucionou o tratamento da AIDS. Quantos
ainda estão vivos por causa desses remédios! Ele agora estuda
como combater a gripe asiática. Passou tudo tão rápido que nem
guardei o nome do cientista. E isso não foi repetido. Como se
não tivesse importância. Não sei citar o nome dele.
Mas sei os nomes de alguns que me foram implantados na cabeça
e que gostaria de esquecer e não consigo tal é o número de repetições.
Primeira página deveria ser para boas notícias, atos de utilidade
geral. E existem muitos, mas ninguém publica. Não vendem!...
As pessoas querem ter seu circo romano em casa, jantar vendo
estupros, esfaqueamentos, desatres com vítimas de preferência.
Que diferença tem isso dos romanos que se divertiam vendo
cristãos serem comidos por leões, gladiadores se matando?
Só não precisamos sair de casa, esses horrores estão em nossa
própria sala, e não mudamos de canal porque achamos que aquilo
são as notícias do dia. São, sim. As ruins. E as boas notícias?
Pois está na hora de mudar.
Vamos mostrar que também compramos as notícias boas.
Vamos mostrar que progredimos, que não queremos mais ter
um circo sangrento em nossa sala ou em nossas mãos.
Eu quero ser bem informada.
Não apenas dos terremotos, mas do trabalho produtivo de muitos,
dos belos jardins existentes nesta imensa Terra, onde viajamos
juntos, e existentes também nos corações da maioria de nós.
Está decidido.
Mostrem-me Beleza, mostrem-me boas ações e invenções.
Mostrem-me Respeito, Solidariedade.
Mostrem-me AMOR!
Eu não quero mais ser triste!
(Em 27/05/03)
Cochichado pela Bisbilhoteira on 17:38 | *
Segunda-feira, Maio 26, 2003
CEDO OU TARDE ?
- ESCOLHAS! -
Sempre tive dificuldade em escolher.
Numa loja, seja lá do que for, se me mostram mais de dois produtos,
eu já fico em pânico. Nem olho para vitrines, estantes, bancadas. Vou
diretamente ao vendedor e digo-lhe o que quero através de descrição
minuciosa. Geralmente gosto do que ele me traz. Se não gosto, explico
outra vez. Mas é difícil não gostar logo da primeira vez, até para me livrar
mais rapidamente daquela situação.
Não deixa de ser uma escolha indireta, através do vendedor.
Às vezes, ao contrário, apaixono-me por algo exposto e não há quem me
faça mudar de idéia. A não ser o preço. Mas, quando me apaixono assim,
é porque já vi que o preço está dentro do orçamento.
Na vida, não temos que escolher só objetos expostos, com vendedores à
disposição. Há situações conflituosas, há diferentes decisões importantes,
temos que optar por este ou aquele caminho. Sem nenhuma sinalização
disponível. E aí?
Parece que só estão diante de nossas escolhas os supérfluos.
O essencial nos é sempre imposto, já está estabelecido, ou demoramos a
tomar a decisão adequada. DESTINO? SORTE?
Admiro as pessoas que escolhem bem, sem medos.
Cecília Meireles traduziu de forma simples essa inquietação:
"OU ISTO OU AQUILO". Segundo ela, "ou tomamos o sorvete e não guardamos
o dinheiro, ou guardamos o dinheiro e não tomamos o sorvete, etc., etc."
E se quisermos tomar o sorvete e guardar o dinheiro?
Por que temos sempre que escolher?
Por que estão sempre à nossa frente opções e caminhos a serem escolhidos?
"Passamos o melhor de nossa vida dizendo: agora é cedo!
ou então: já é tarde!" (Gustave Flaubert). Por quê ?
Vejo aqui no calendário que hoje, dia 26 de maio, é o DIA DO REVENDEDOR LOTÉRICO.
Aproveito, então, para lhe desejar
BOA SORTE!
Isso se você se decidir a comprar um bilhete de loteria...
(Em 26 de maio de 2003).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 01:32 | *
Sexta-feira, Maio 23, 2003
FELICIDADE
- E A ROTINA? -
Podemos viver sem rotina?
Olho a natureza: Dia/Noite/Dia/Noite...
Maré alta/Maré baixa...
Fases da Lua:Mesma seqüência.
Pode ser diferente?
Não haverá os que criam uma rotina para fugir do que chamam
de rotina?
Fui olhar pela janela para ver como estava o céu: Nublado!
Estamos em maio! Antigamente, em maio, o céu ficava bem azul,
sol claro iluminando tudo, um frio discreto, todos com agasalhos
leves. Talvez as cores da natureza estejam se desgastando... Lem-
bro-me muito bem de maios mais antigos, com cores mais intensas.
Não sei desde quando os maios mudaram. Até chuva estamos tendo.
E o frio discreto? Tenho sentido calor durante o dia.
A natureza anda saindo de sua rotina. Ontem, noticiou-se um terre-
moto em Argel, capital da Argélia.
A nossa rotina pessoal continua. Sair para o trabalho/voltar para casa. Ontem,
houve um grande desastre de automóvel na Ponte Rio-Niterói.
Há a rotina dos que não conseguem voltar para casa.
Os dois assuntos, rotina e desastres, me fazem lembrar novamente do
meu filósofo francês: Albert Camus.
Ele nasceu, em 1913, na cidade de Argel (a do terremoto de ontem), faleceu
em 1960, creio, nas proximidades de Paris, num desastre de automóvel, numa
"morte imbecil" como ele classificava as mortes em acidentes desse tipo.
Sobre rotina, ele desenvolveu o tema do Mito de Sísifo. Sísifo é um persona-
gem da Mitologia Grega, que desafiou a Morte e, por isso, foi condenado a
carregar, por toda a Eternidade, uma pedra para cima de um morro. A pedra
rolaria morro abaixo e ele teria que ir buscá-la, levando-a novamente para
cima, de onde rolaria outra vez, repetindo-se isso, para sempre. Ficamos
com pena de Sísifo, como ele agüenta? Não nos reconhecemos nesse herói?
Nossa vida é a mesma repetição também. Há os que têm uma rotina mais
interiorizada, há os que preferem uma rotina mais exteriorizada, indo a festas,
por exemplo. Mas é uma rotina. Sem falar de nossa rotina maior,
nascer/morrer, dessa nem queremos lembrar.
Mas Camus encontrou uma saída para Sísifo e, conseqüentemente para nós
também, ao elaborar a frase: "É PRECISO IMAGINAR SÍSIFO FELIZ!".
Se estamos, como Sísifo, obrigados a enfrentar sempre a mesma rotina, da
qual não podemos escapar, que, pelo menos, tentemos ser felizes por poder-
mos realizar nossas tarefas. No livro "A PESTE", Camus ilustra isso na
figura do médico RIEUX, que luta contra a peste que assolou sua cidade,
com o risco da própria vida, e consegue acabar com a doença, sabendo que,
mesmo livres da morte pela peste, a morte sempre virá. Uma batalha perdida?
Não para pessoas como Dr. Rieux, que lutam, que tentam, apesar de tudo.
Em época de Bienal do Livro, recomendo esse livro, existe em Português,
vale a pena ler, principalmente tendo em mente o mito de Sísifo e a frase de Camus.
Na rotina de Benedito, do texto anterior, surgiu-lhe uma tarde feliz.
Se aparecerem tardes felizes, ótimo!
Se o céu estiver bem azul, ótimo!
Nada disso? Só a rotina do dia-a-dia?
Lembre-se de Camus: "É preciso imaginar Sísifo feliz!" Imaginar!
É preciso que nos imaginemos felizes, mesmo em nossas tarefas repetidas.
É preciso que nos imaginemos felizes em nossa rotina.
É preciso que nos imaginemos felizes antes que a Vida cumpra sua rotina final.
É preciso imaginar que nossa rotina tem algum sentido, nos planos de Deus.
VAMOS TENTAR?
Felicidade a todos.
Até segunda-feira.
(Em 23 de Maio de 2003).
Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:25 | *
Quinta-feira, Maio 22, 2003
SERÁ O BENEDITO?
- UMA TARDE! -
Era aula de Redação. A professora já tinha sensibilizado a turma,
dado os temas. Todos os alunos já estavam escrevendo.
Benedito chegou atrasado, cara amarrada. Pediu licença, esperou
a resposta, licença dada, entrou na sala, sentou-se. Não abriu nem
a pasta. Ele sabia que era aula de Redação, teria que apresentar um
texto, os temas estavam escritos no quadro. Mas cruzou os braços,
enfadado, bufando.
A professora perguntou a ele se não ia escrever. Ele disse que não.
Não estava com vontade. Ela perguntou o motivo. Ele disse que
estava zangado. A professora, então, sugeriu-lhe que escrevesse
sobre isso, desabafasse. Ele a olhou surpreso. Podia? Claro! Ele
pegou o papel e começou a escrever. Levantou-se para perguntar
se estava bom daquele jeito. A professora disse que sim, se ele
continuasse daquele jeito iria sair uma bela poesia. Ele a olhou
admirado, voltou e continuou a escrever, completamente entregue
ao que estava fazendo. Terminaram de escrever. A professora
deu uma olhada rápida em todos os textos. Fixou-se no texto de
Benedito, uma bela poesia falando de tudo que ele achava ruim,
concluindo com uma idéia otimista. Ficou um belo texto! A
professora leu-o para a turma, em voz alta, todos gostaram. Ela
disse que iria rapidamente entregar o texto para ser publicado
numa coletânea de textos de alunos que estava sendo preparada
pela escola. Foi. Entregou o texto ao colega que organizava a
coletânea. Texto aprovado. Voltou à sala. Benedito comentou
que nem estava acreditando naquilo, seu rosto não estava mais
carrancudo, disse que ninguém até então tinha elogiado o que
escrevia, muito menos tinha escolhido para publicar.
E ainda ganhou um DEZ pelo trabalho. Além de ótimo texto,
estava sem erros de ortografia. Fato raro!
A publicação ficou pronta.
Chegou o dia da tarde de autógrafos.
No salão, lotado, os visitantes e as autoridades presentes recebiam
os livros e iam para a grande mesa onde os escritores-alunos, senta-
dos lado a lado, de frente para as pessoas, escreviam suas dedicató-
rias.
Quando a professora entrou no salão, Benedito levantou-se, com um
sorriso luminoso, e acenou alegre para ela, ambos esforçando-se para
se comunicarem apesar da distância e das pessoas em movimento.
Desviando-se daqui e dali, com seu volume na mão, a professora foi
até lá, para que Benedito lhe escrevesse uma dedicatória.
Entusiasmado, ele pegou o volume e escreveu:
"Para a minha amiga e professora.
Dedico-lhe este livro com muito amor e carinho.
Para que ela guarde ele para sempre.
Benedito dos Santos
29/11/84"
Benedito tinha, então, 18 anos, estava na 6ª série, Curso Supletivo, Noite.
Estava feliz! Muito feliz!
Pelo menos, um dia feliz ele teve em sua vida.
O dia da tarde em que autografou a publicação de seu texto.
O livro que ele autografou para a professora, desejando que ela o guardasse
para sempre, está comigo até hoje.
A professora era eu.
(Em 22/5/03)
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 14:53 | *
Quarta-feira, Maio 21, 2003
"BISBILHOTICES"
(Entre os 10 BLOGS indicados da semana!)
- QUE EMOÇÃO! -
Ontem, dia 20 de Maio, quando fui colocar o texto aqui, dei uma
olhada, calmamente, na coluna das indicações de blogs. Lá estava
escrito Bisbilhotices. Já ia continuar o que estava fazendo quando
caí, não do cavalo, conforme título de um texto abaixo, mas em
mim. O quê? O Blog foi indicado? Mas como?
Ainda no dia anterior, conversando com minha prima, do Trigal,
Blog citado aqui à direita, comentava com ela que estava achando
meus textos longos, talvez ninguém estivesse lendo.
E agora? Alguém, então, tivera a paciência de ler estes textos
enormes! Mais que isso: esse alguém deve ter gostado. Mais
ainda: Indicou! Quem? Gostaria de saber para agradecer a alegria
que me trouxe.
Eu já estava feliz escrevendo aqui graças à gentileza, trabalho e
dedicação de minha amiga do Blog Beira do Mar, também citado
aqui à direita. Foi ela que armou toda a estrutura, embelezou, inseriu
a música que eu escolhi, ensinou-me como colocar os textos. Quem
sabe a indicação foi pela apresentação do Blog e não pelos textos?
Nesse caso, amiga, o mérito é todo seu.
De qualquer forma, houve a indicação.
Agradeço muitíssimo a quem indicou.
Agradeço mais uma vez à minha amiga do Beira do Mar.
Mas os textos estão aí. Solto a imaginação com gosto. Emito minhas
opiniões.
A propósito, gosto de escrever. Alguém se habilita a me contratar?
Só não escrevo sobre aquilo em que não acredito.
Jornais? Revistas? Do Brasil? Do Mundo?
Ah! Não se assustem! Não pensem que a indicação me subiu à cabeça.
São sonhos! Gosto de sonhar como já disse aqui antes.
Como seria bom se o mundo fosse como eu sonho! Não este lugar onde
tudo tem que ser rápido, consumível, imediato, portátil, sem tempo para
nos determos e apreciarmos, à vontade, o que quisermos, seja a companhia
de alguém, uma boa conversa, uma paisagem, um bom livro.
Como seria bom um mundo onde uns ajudassem os outros, numa comple-
mentaridade de aptidões, talentos! Uns incentivando os outros a seguir seus
caminhos! Uns trocando com outros palavras amigas e gestos de carinho!
Exatamente como a vida deveria ser e, por enquanto, apenas é assim aqui
no nosso mundinho dos Blogs e em sonho, traduzido em sons na música
que escolhi para este fundo musical:
SONHO DE AMOR, de Liszt.
OBRIGADA!
(Em 21/5/03)
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 19:00 | *
Terça-feira, Maio 20, 2003
MULHER INTELECTUAL ...
- ILUDIDA? -
Está acontecendo a XI Bienal do Livro do Rio de Janeiro.
Maitena, escritora Argentina, está aqui no Rio para lançar seu novo livro.
São livros que falam de mulheres. Em entrevista a "O GLOBO", dia 17
último, ela diz que não se considera feminista, "mas se não fosse pelas
feministas, até hoje estaríamos em casa passando roupa."
Verdade? Estaríamos? Não estamos? Quer dizer que não estamos mais
fazendo serviços domésticos? Desde quando? Não me avisaram. Sempre
fiz o que precisava ser feito numa casa. E toda mulher que não quer
fazer esses "servicinhos" domésticos coloca outra mulher para essas
tarefas, não importa se como faxineiras, empregadas domésticas, ajudantes.
São mulheres também. Esse FEMINISMO só conseguiu foi mais trabalho
para as mulheres, fora de casa e dentro de casa.
E as mulheres intelectuais?
Ah! Essas conseguiram uma terceira jornada: manterem-se informadas,
terem que fazer cursos de aperfeiçoamento, precisam continuar estudando
como loucas e, em casa, junto com as tarefas domésticas, as tarefas
intelectuais inerentes a sua profissão. É pouco?
Os homens?
Estão fugindo das mulheres, principalmente das intelectuais.
Isso não é suposição. É fato. Aconteceu comigo. Dois amigos já me disseram
que, em nossa juventude, quiseram muito se aproximar de mim, mas não o
fizeram porque eu estudava, tocava piano. Um deles me disse que a mulher
que casasse com ele teria que lavar panelas e eu, tocando piano... O outro
achou que atrapalharia meu futuro brilhante, já que eu estava com uma carreira
definida (este falou tudo isso para mim e para meus pais, como
um desabafo, senti-me estranha). Nos dois casos, levei na brincadeira, pois
notei que estavam falando sério, mas já éramos adultos, eles eram casados,
já pensou? Surpreendeu-me que o que impediu que se aproximassem
de mim não foi a dúvida de que talvez eu não gostasse deles, mas a
certeza de que, uma vez que eu estudava, eu não faria nada em casa
devido ao meu "futuro brilhante".
Que ironia! Acertaram! O sabão que usamos atualmente aqui em casa
para limpeza é da marca "BRILHANTE"! E, com esse sabão, lavo panelas,
lavo copos, louça, banheiro (outro pedaço, claro, entendo de higiene), etc.
O fato de tocar piano nunca me impediu, por exemplo, de encerar o chão
uma vez por semana (minha irmã, pequena, montada em mim me fazendo
de cavalinho, enquanto eu passava a cera). E era bastante chão! Depois,
enceradeira em tudo. Lavava também meu uniforme do Colégio Pedro II,
uma farda pesada. O tempo passou. Continuei. Durante muito tempo, tive
a mão direita mais envelhecida que a esquerda justamente por causa desses
trabalhos. Hoje, ambas se igualaram... E sempre estudei, preparei trabalhos,
palestras, reuniões, programei aulas que eu dava, corrigi provas e trabalhos,
ao lado das aulas e apresentações de piano, depois de Canto.
Continuo lendo muito, adoro escrever.
Quando tivemos empregada doméstica, agora com faxineira, o trabalho diminuiu,
mas sempre há o que fazer, pois sempre gostei de chão brilhoso
e banheiro limpo.
Interessante é que eu ouvia mesmo que, estudando, "não precisaria ficar
com o umbigo encostado na pia". Sinto-me enganada! Protesto!
Hoje em dia, o que mais faço é lavar louças e panelas.
Mas, pelo menos, sigo um de meus filósofos prediletos, Albert Camus,
quando diz "não abro mão da minha revolta"! Estou com ele. Às vezes,
faço os serviços reclamando, só para desabafar já que não posso pleitear
dedicação exclusiva à minha chamada intelectualidade.
Minhas amigas intelectuais também não têm descanso em casa, principal-
mente as aposentadas como eu. Temos fama de ociosas sem tirar proveito.
E repito: Quem conseguiu se livrar dos trabalhos domésticos, homens ou
mulheres, intelectuais ou não, foi porque colocou uma mulher (não atingida
pelo feminismo?) para fazer o serviço.
Alô, FEMINISTAS!
Vocês têm empregadOs ? Homens?
Ou vivem na sujeira?
(Em 20/5/03)
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:56 | *
Segunda-feira, Maio 19, 2003
ENCONTROS!
- FILME e VIDA REAL -
"Não estamos na Terra para
manipular objetos, mas para
viver encontros."
(Jean-Yves Leloup)
Sábado último, dia 17, pela segunda vez, assisti a um
filme excelente. Sobre um belo casal de ladrões.
Durante todo o tempo, planejam e executam com perfeição
seus roubos. O último foi a transferência de 8 bilhões de dólares
do maior banco da Ásia para a conta da "mocinha-ladra" .
Nessa operação, eles são descobertos, perseguidos, tentam
fugir através de várias peripécias. Ele consegue libertar sua colega
de ação. Ela foge. Ele fica.
Final do filme: Terminam juntos, numa estação de trem,
conforme o combinado quando se separaram na fuga. Ficamos
sabendo que ele era ajudante do FBI, devolveu apenas 7 dos 8
bilhões, ficando 1 bilhão de dólares para ela. Ainda há uma ação
de tentativa de prisão da ladra, mas ela escapa, mais uma vez
ajudada por ele, que fica sozinho na estação. Eis que ela aparece,
explica como conseguiu voltar. Última cena: Eles caminham pela
estação do trem, onde, finalmente, trocam seu primeiro beijo, já
que, até então, foram apenas profissionais, embora ambos sentissem
crescer a cada dia sua atração e carinho um pelo outro. Vão saindo
e planejando, alegres, outros trabalhos.
Final feliz! Lindos, simpáticos, corajosos, não ferem ninguém,
inteligentíssimos, só executam trabalhos que exigem muito raciocínio,
audácia, preparo físico. São movidos mais pelos desafios das tarefas
do que pelo próprio produto do que fazem. Querem ultrapassar seus
próprios limites. E conseguem.
Esqueçamos o fato de que são ladrões. Fiquemos apenas com a atitude
profissional de cada um. Durante todo o filme, apesar de estarem 24 horas
juntos por dia, controlaram seus sentimentos para o bom resultado de suas
ações. Se, ao se separarem na fuga, nunca mais se encontrassem, jamais
teriam podido sentir o gosto daquele beijo.
Na vida real, quantos casos são assim? Atração e carinho reprimidos
por profissionalismo, por falta de comunicação, mil razões? Só que, na
vida real, o mais provável é que nunca haja o encontro definitivo, o beijo
reparador, o final feliz. Uma pena!
Há um texto que circula nas mensagens de e-mail, "O TREM DA VIDA",
comparando a vida a uma viagem de trem.
Usando, ainda, a figura do trem, vejo-me como um dos trilhos desse
trem. Sempre paralelo a outros trilhos.
Nos trilhos verdadeiros, há aqueles cruzamentos, onde um funcionário
empurra os trilhos com uma ferramenta, para lá e para cá, desviando o
trem para tomar uma direção ou outra. Talvez esses desvios já sejam todos
feitos automaticamente. Então, os trilhos se cruzam, encontrando-se.
Seria bom que, em nossas vidas, houvesse esse tipo de manobra.
Para que houvesse mais encontros.
De minha parte, não entendo nada de trem nem de trilhos.
Muito menos de Encontros, desses com "E" maiúsculo.
Por isso adorei que, no filme, naquela estação de trem, aqueles perso-
nagens tivessem seu Encontro, felizes, mesmo sendo ladrões...
(Em 19/5/03).
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:15 | *
Sexta-feira, Maio 16, 2003
CAÍ DO CAVALO!
- LITERALMENTE -
(UMA LEMBRANÇA)
Não, a expressão acima não é a expressão popular que
significa engano ou algo assim.
Significa que caí mesmo do cavalo.
Isso porque não sou chegada a esportes. Sempre detestei
aulas de Educação Física. Gosto mesmo é de estudar, ler,
conhecer, debater e discutir idéias. Para tudo tenho uma
opinião. Meu cérebro deve ser bem musculoso, sarado,
tanto eu puxo pelo coitado.
Junte-se a isso o fato de que sou muito emocional, apaixo-
nada por tudo que faço ou penso. Deve ser muito difícil
conviver comigo, reconheço.
Caí do cavalo em Lambari, Minas Gerais, década de ses-
senta, estávamos lá eu e minha irmã, treze anos mais nova
que eu, todos pensando que ela era minha filha, como sem-
pre pensavam os desconhecidos desde que ela era bebê,
para nosso desespero. Sempre tínhamos que dar explicações.
Mas, dessa vez, para variar, fingimos ser mãe e filha em férias.
Eu dizendo ser viúva para não perder contato com os rapazes.
Como eu e ela nos divertimos com isso! Foi muito bom!
Depois de alguns dias, esclarecemos tudo, pois fizemos amizade
com um grupo excelente. Amizade que durou anos.
Caí do cavalo! Em Lambari! Uma vergonha!
Minha irmã cavalgava desembaraçada, a galope, cabelos ao
vento. Ela tinha uma vasta cabeleira lisa que ia quase à cin-
tura. Fazia manobras incríveis com o cavalo: parava, rodava,
corria, trotava, galopava rápido, lindo!
Eu, ao lado, quer dizer, bem atrás, ia de charrete...
Resolvi montar também, nada de piruetas, só uns trotes.
O grupo deu força. Apareceu um cavalo. Pareceu-me enorme!
Alto! O cavalo nem me olhou. Deve ter percebido meu medo.
Ele estava parado como quem se submete a um sacrifício. Cara
para a frente, não se mexia. Eu, ao lado dele, criando coragem
para subir. O pessoal me dizendo onde pôr o pé, como fazer.
Primeira tentativa: Nem alcancei a barriga do bicho.Escorreguei.
Novos conselhos da torcida.
Segunda tentativa: O cavalo parecia intransponível, não consegui.
O cavalo na dele, nem se mexia.
Terceira tentativa: Nada! O pessoal começou a desistir de me ensinar.
Creio que todos ficaram em silêncio. Minha cabeça estava confusa.
Aquilo estava mexendo com meus brios, afinal era só um cavalo manso,
um pouco grande, talvez eu o estivesse vendo maior do que era na reali-
dade. E eu ? Uma covarde? Jamais! Tomei toda a coragem, armei
o maior impulso possível, joguei todo o meu corpo para cima do ca-
valo, seja o que Deus quiser, pensei, e pronto! Lá estava eu, no meio
das quatro patas do animal, no chão.
O cavalo continuava imóvel! Altivo! Uma estátua!
Saí dali nem me lembro como. Só não consigo esquecer a estranheza
de ver tudo à volta, estando debaixo de um cavalo.
E você? Já caiu do cavalo?
(Em 16/5/03).
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:28 | *
Quinta-feira, Maio 15, 2003
NOVO MEMBRO DO STF
- UM NEGRO! -
Por que insistir tanto no fato de que o novo membro
do Supremo Tribunal Federal é um negro?
Fico perplexa com essa afirmação!
Não é ele uma pessoa? Não fez inúmeros cursos?
Não tem capacidade para ocupar o cargo? Já não tem
bagagem considerável em tempo de serviço?
Esse é o seu valor! Não importa se é alto, baixo,
gordo, magro.
Eis seus dados:
Joaquim Benedito Barbosa Gomes, 49 anos,
mineiro de Paracatu, de família pobre, teve
oportunidade de cursar escola pública de
qualidade e, por isso, lutou e conseguiu,
segundo suas palavras.
Formado em Direito pela Universidade de
Brasília. Entrou para o Ministério Público há 19
anos. Procurador Regional da República no Rio
de Janeiro, atualmente. Doutor em Direito Pú-
blico pela Universidade de Paris. Professor vi-
sitante da School of Law, da Universidade da
Califórnia em Los Angeles. Professor de Direi-
to Público da UERJ. Autor do livro "Ação Afir-
mativa e Princípio Constitucional da Igualdade".
Esses, sim, são dados importantes e significativos.
Tem algum louro nesse Tribunal? Algum ruivo?
Se a cor é tão importante nesse cargo, por que não
divulgam exatamente quantos morenos, mulatos, louros,
ruivos (negro já sei que só tem um) estão lá?
Para mim, enfatizar a cor da pessoa, nesses casos, seja
lá qual for a cor, é RACISMO, e dos bons. E o STF, como
guardião da CONSTITUIÇÃO, não deveria tolerar tal
discriminação.
A propósito, no dia 13 de Maio último, comemoramos a
libertação dos escravos aqui no Brasil.
Ainda sobre racismo, gostaria de lembrar que quem
vendia aqueles escravos, lá na África, para quem
quisesse comprá-los, eram os próprios negros!
Irmãos traindo irmãos!
E gostaria de lembrar também que ser escravo não
foi privilégio de negros. Durante muitos anos, a História
registra, houve escravidão de pessoas não negras, de
acordo com o lugar e com o tipo étnico que ali vivia
ou era negociado.
E, por falar em negros, lembremo-nos ainda:
1)) Aqui no Brasil, quase todos, em sua maioria, in-
dependentemente de sua cor, têm, correndo em suas
veias, sangue branco, negro e indígena.
2) Machado de Assis, um dos maiores escritores bra-
sileiros (alguns o consideram o maior), fundador da
Academia Brasileira de Letras, era negro.
3) Cruz e Sousa, principal representante do Simbolismo
entre nós, também era negro ("filho de negros escravos",
conforme observa Afrânio Peixoto).
Machado de Assis nasceu no Rio de Janeiro no
dia 21/6/1839, faleceu em 29/9/1908.
Cruz e Sousa nasceu em Santa Catarina no dia
24/11/1862, faleceu em Minas no dia 19/3/1898.
Ambos viveram e foram reconhecidos muito antes
de qualquer MOVIMENTO ou CONSCIENTIZAÇÃO.
Isso para citar apenas dois!
São respeitadíssimos, admiradíssimos, até hoje.
Vamos parar de falar da cor das pessoas?
Alguém é responsável por sua cor?
Que mérito tem esse fato?
COR- Apenas mais uma entre as inúmeras
características físicas de cada um !
E só.
(Em 15/5/03)
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:08 | *
Quarta-feira, Maio 14, 2003
DIA DAS MÃES!
- COMERCIAIS -
Domingo passado, dia 11 de Maio, comemorou-se
o DIA DAS MÃES.
Péssimos alguns comerciais, aproveitando-se da
ocasião, veiculados na TV. Ainda bem que não
estão mais nas telinhas.
Um deles depreciava os trabalhos feitos pelas crian-
ças, com as próprias mãos, geralmente incentivados
por suas professoras primárias: Uma caixinha de
onde se desprendiam os enfeites colados, uma cami-
sa com a frase "EU TE AMO" pintada no peito. Em
off, uma voz masculina, dizendo que já estava na hora
de sua mãe receber um presente das Lojas Tal, como
se aqueles objetos fossem um lixo não mais aproveitá-
vel.
Mais uma vez o trabalho da Professora Primária não
era reconhecido. Pior, era desprezado.
E o carinho, o amor com que as crianças preparam
essas lembranças (objetos simples, imperfeitos, tortos,
baratos é verdade) e as entregam, com olhinhos lumi-
nosos de alegria, o "EU TE AMO" escrito torto, borrado,
mas cheio de AMOR VERDADEIRO, onde ficam?
Um outro comercial mostrava um duplo abraço prolon-
gadíssimo da mãe, prendendo o filho por horas, só por-
que ganhou um presente duplo. Isso é amesquinhar o
carinho de mãe, como se ela só tivesse vontade de ani-
nhar seu filho nos braços por causa do presente, e a
duração desse carinho estivesse diretamente subordi-
nada ao valor material desse objeto, ou objetos, quanto
mais objetos, mais carinho...
Lamentável que O DIA DAS MÃES seja mais uma data
na qual se tenta impingir a noção de que o mais impor-
tante é o presente, a roupa, o sapato, o automóvel, isto
é, o TER, quando o que deveria estar sendo valorizado
seria o SER, o SENTIR.
E muitos (todos?) aceitam isso!
Quantos filhos terão apenas enviado seu presente,
acompanhado de um cartão colorido, já impresso,
onde eles mal assinaram seus nomes, consciência ali-
viada (tanto maior o alívio quanto mais caro tenha
sido o objeto) sem nem ao menos aparecer?
Pior: As mães desses filhos devem ter ficado muito
felizes por terem sido "lembradas" nesse dia!
Que lástima!!!!!
E deveriam ser lembradas todos os dias, porque,
assim como Todo Dia é Natal, como diz sabia-
mente a música, também TODO DIA É DIA DAS
MÃES!
(Em 14.5.03)
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 00:40 | *
Terça-feira, Maio 13, 2003
MEU SONHO DESTA MADRUGADA
- UMA EXPLICAÇÃO -
Sábado e Domingo, dia de minha folga no Blog.
Mas não escrevi ontem também, segunda-feira.
Nem vim ao computador.
Fiquei com pena de não ter escrito.
Por mim mesma. Não tenho a pretensão de que
alguém tenha tempo e paciência para ler esses
textos enormes.
Fui dormir com a sensação de que ficou faltando
algo, estava cansada, já passava da meia-noite
quando deitei. Por isso sei que o sonho de que
vou falar ocorreu de madrugada.
Sonhei que estava no Cairo, Egito. Ainda bem
que não estava no Iraque, embora dificilmente
eu sonhasse com o Iraque. Desde menina domino
a ARTE DE SONHAR, só vale a pena ter sonhos
bons, pesadelo é uma perda de tempo, por isso
gosto tanto de dormir, meus sonhos são mais
bonitos, como já escrevi em outro lugar, compa-
rando sonhos e vida real. Isso fica para uma
futura bisbilhotice.
Uma vez estando no Cairo, no sonho desta madru-
gada, minha preocupação foi procurar um compu-
tador conectado para deixar mensagem no Blog,
informando sobre minha viagem. Afinal, meus
inúmeros leitores mereciam uma explicação pela
falta do texto na segunda-feira. Isso no sonho.
Todos a quem eu perguntava diziam não saber
sobre computadores conectados. Olhavam-me
como se eu fosse um ET. E tinham televisão, pois
ouvi nitidamente o som de uma novela, sabia que
era novela, falada em Português, voz do Paulo Gra-
cindo Júnior. Até pensei que a novela deveria estar
dublada, por que não estaria? Deveria, então, ser
legendada, com aqueles símbolos que usam.
Não cheguei a ver. Poupo meus leitores do enredo
do sonho.
CONCLUSÃO:
1) Se eu tivesse, no sonho, encontrado o computador,
deixaria um Post (não é essa a linguagem ?), informando que
a falta do texto de segunda-feira se devia à minha viagem ao Cairo.
2) Não escrevi o texto segunda-feira. Como o mundo seguirá
sem meu texto de segunda-feira? Ninguém saberá, pois ninguém deve
estar lendo nada disso e o mundo está se "lixando" para o que eu escrevo.
3) Estive no Cairo, em sonho, esta madrugada.
Mas estive no Cairo, na vida real, em janeiro de 1973.
Um dia, talvez, fale sobre isso.
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 15:40 | *
Sexta-feira, Maio 09, 2003
PENSAMENTOS
-UM DOS MEUS TEXTOS PREFERIDOS-
Ontem, à tarde, soube que a melhor amiga de minha
mãe tinha sido internada, emergência, e, após longa
cirurgia naquela madrugada, ainda estava na UTI.
Lembrei-me do quanto sofremos ao ver nossos entes
queridos em tal situação.
Assim que pude, comuniquei aos meus amigos, por
e-mail, para que orassem pelo seu restabelecimento. É
um grupo ótimo, parece que têm ligação direta com
Deus, pelo modo como as preces são atendidas tão
rapidamente. E é um grupo formado de pessoas com
religiões diferentes, mas, cada um a seu modo, sempre
respeitando as religiões dos outros, mostra tal empenho
que nos emociona.
Hoje, pela manhã, liguei para saber notícias.
DEUS SEJA LOUVADO! Estava bem!
Soube que, ontem mesmo, à noite, a amiga de mamãe
já mostrava melhoras. Não estava mais entubada, estava
lúcida e animada.
Fiquei feliz, muito feliz!
Agradeci mentalmente a Deus. A meus amigos.
Pertencemos a esse meandro invisível, impalpável,
capaz de ser atravessado por pensamentos, orações.
E lembrei-me de um texto de Pascal, um dos meus
preferidos:
"Pois, enfim, o que é o homem na natureza?
Um nada em face do infinito, um tudo em
face do nada, um meio entre nada e tudo. Infi-
nitamente longe de compreender os extremos,
o fim das coisas e seu princípio estão para ele
definitivamente escondidos num segredo impe-
netrável, igualmente incapaz de ver o nada de
onde ele é tirado e o infinito onde ele é devorado."
(PASCAL. Pensées. In: L´OEUVRE DE
PASCAL. Texte établi et annoté par
Jacques Chevalier. Paris. Nouvelle
Révue Française, 1936, pág. 842).
Somos, mesmo, grandes pontos de interrogação!...
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 11:33 | *
Quinta-feira, Maio 08, 2003
VAI SER DE ARREBENTAR!
- 1ª FRASE DESTE BLOG -
Quem escreveu essa frase foi a organizadora
deste Blog, aquela que mexe nos Templates,
incompreensíveis para mim, ainda.
Foi escrita como um incentivo.
Foi escrita porque sua autora é assim mesmo:
ENTUSIASMADA, ALEGRE, GENEROSA, OTIMISTA.
Foi escrita porque talvez ela esperasse muito
mais do que eu consiga com todos os meus textos,
reflexos de minhas observações, meus sentimentos.
Ela sugeriu que eu substituísse a frase. Não o
fiz. Vai ficar. Como lembrança do trabalho espon-
tâneo que ela teve para que eu, como ela, tivesse
um Blog.
E porque vejo a frase de outro modo.
Como os textos aqui escritos são partes de mim
(minhas hipóteses, minhas perplexidades, minhas
lembranças), com freqüência eles mexerão com meu
eu mais profundo e, conseqüentemente, vão mesmo
ARREBENTAR, não no sentido de serem maravi-
lhosos, mas no sentido de tocarem fundo o meu
sentir, mesmo que ninguém perceba.
Como diria José Mauro de Vasconcelos, no
final de seu livro Coração de Vidro, citando frase
de Fernando Pessoa:
"ESTALA, CORAÇÃO DE VIDRO PINTADO!..."
É assim que VAI SER DE ARREBENTAR!
Talvez só eu sinta!...
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 16:47 | *
Quarta-feira, Maio 07, 2003
MEUS DOIS RELÓGIOS
- MISTÉRIO! -
Meu reloginho de cabeceira funcionava muito bem.
Digo reloginho como forma carinhosa; na verdade,
é um pouco grande; e digo funcionava porque, há uns
meses, ele resolveu não trabalhar direito. É um desses
relógios de dar corda, coisa antiga, mas garanto que o
relógio-de-dar-corda foi inventado antes de eu nascer,
pois durante boa parte de minha vida tivemos que dar
corda nos relógios, até nos de pulso. Depois é que vie-
ram aqueles que trabalhavam por outros meios. Foi
por isso que, pela experiência adquirida, quando meu
reloginho começou a parar, eu o deitava com os pontei-
ros para baixo e ele, assim, funcionava.
Nunca entendi por que relógios que não funcionam
direito passam a funcionar bem quando deitados. Esse
procedimento foi muito usado aqui em casa. Só com os
relógios de dar corda. Será que até os relógios se cansam?
O mistério ainda não é esse.
Toda vez que eu saía para compras fazia planos para
trazer um relógio para minha cabeceira. Sentia falta de
ver as horas quando estava deitada. Sempre esquecia.
Passou a ser um hábito dar corda e colocar o relógio
deitado. Às vezes, ainda tentava ver se ele trabalhava
normalmente, mas parava sempre, tinha que ficar deitado.
Há umas duas semanas, minha mãe resolveu arrumar
seu armário e encontrou um reloginho de cabeceira, esse
sim, reloginho, porque é pequeno. Ainda novo, não usado,
presente de alguém que ficou guardado. E moderno! Movi-
do a pilhas. Prontamente, ofereci-me para ficar com ele, já
que mamãe tem em uso dois relógios no seu quarto, também
movidos a pilhas. Ela é mais moderna que eu!...
Imediatamente, fui apanhar minhas pilhas de reserva.
(Não sei como os Psiquiatras classificariam isso, mas gosto
de ter reservas: reserva de pilhas, reserva de lâmpadas, de
pasta de dente, do sabonete que uso, de sorvete, dessas coi-
sas essenciais sem as quais não se vive). Bastava uma. Co-
loquei-a no reloginho que, como era esperado, começou a
trabalhar. Acertei-o e apoiei-o ao lado do outro, que já esta-
va parado, precisando de corda.
Pensei em tirar o antigo dali, deixar só o novo, mas
dei corda no velho, acertei-o pelo novo, e já ia deitá-lo
quando resolvi colocá-lo ao lado do novo, em pé. Ficou
bonito ver os dois relógios, um maior outro menor, com
o mesmo desenho nos ponteiros. Deixaria os dois ali até
que o velho parasse. E fui cuidar da vida...
Algum tempo depois, quando passei pelo quarto, olhei
para os dois relógios. Surpresa! Mantinham o mesmo de-
senho em seus ponteiros, um relógio igual ao outro, isto
é, o relógio velho não parou.
E continua trabalhando em pé, ao lado do novo, os
dois mostrando a mesma hora. O velho parando só para
se dar corda. Ainda estão lá.
Agora, eu os olho não tanto para ver as horas, mas
para admirar aquela dança silenciosa de ponteiros, como
bailarinos incansáveis e treinados.
Eu não iria mesmo me desfazer do relógio velho. (Os
Psiquiatras também devem explicar isso: Gosto de guardar
objetos que fazem parte de minha história. Esse relógio
velho marcou momentos alegres de minha vida, e o mais
triste por que passei: A MORTE DE MEU PAI!).
Devo ser a única pessoa a ter dois relógios de cabecei-
ra, lado a lado, marcando rigorosamente a mesma hora.
(Acho que nem os Psiquiatras explicariam isso!...).
Eis o MISTÉRIO:
Por que o relógio velho agora está funcionando?
Será que a presença do relógio novo, por alguma lei
que eu ignoro, influenciou isso?
Não sei.
Alguém sabe?
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 18:22 | *
Terça-feira, Maio 06, 2003
- MULHERES APAIXONADAS -
Você viu a cena de ontem, quando Heloísa
(Giulia Gam) tanto fez que esgotou a paciência
do marido?
Pois é. Nada pior do que convivermos com pessoas
como essa Heloísa!
É difícil ser original atualmente, quando todos já
escreveram praticamente sobre tudo, mas eu ousaria
classificar pessoas assim como pessoa-arame-farpado.
Heloísa seria uma pessoa-arame-farpado.
Conviver com pessoas desse tipo é como se tivéssemos
que segurar um rolo desse arame, desembrulhado e sem
luvas. Por maior que fosse nosso cuidado, nossas mãos
sempre ficariam machucadas; chegaríamos a um ponto
em que não agüentaríamos mais e largaríamos o rolo,
que cairia bruscamente, sem perceber o quanto machu-
cou as mãos que o seguravam. E, se esse arame tivesse
sentimento, ao cair iria sentir-se a maior vítima, lamen-
tando o fato de o terem largado daquela forma.
Assim são essas pessoas. Infernizam a vida de quem
convive com elas até o ponto de o outro não agüentar
mais e explodir. Então, sentem-se vítimas! Parece que
é isso mesmo o que buscam: serem vítimas. Enquanto o
outro não reage, a lenga-lenga continua, sem parar.
O pior é que elas não se reconhecem como provocado-
ras da reação de quem perdeu a paciência. Elas até se
surpreendem e se magoam com essa reação do outro,
como se este tivesse reagido por nada, sem razão, sendo,
ao reagir assim, um injusto.
E essas Heloísas, esse tipo de pessoa-arame-farpado,
não se reconhecendo como provocadoras, pode ser qual-
quer um de nós.
Será que eu, você, somos assim?
Que tal pensarmos sobre isso?
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Cochichado pela Bisbilhoteira on 15:18 | *
Segunda-feira, Maio 05, 2003
ATENÇÃO! ATENÇÃO!
Seu MICRO pode ter sido violado!
(Há solução!)
Não deixem de ler a coluna de B.Piropo, hoje,
em INFORMÁTICA, pág. 19 ("O GLOBO").
Fala de arquivos que violam a privacidade dos
usuários, geralmente admitidos quando concordam
com sua instalação, sem ler os termos das licenças
de uso (EULAs - "End User Licence Agreement")
ou quando instalam certas facilidades de programas
navegadores e de correio eletrônico ou visitam sites
mal intencionados (como saber, pergunto eu?).
Veja lá alguns dos endereços que se utilizam
da ingenuidade dos usuários. Cita um muito conhe-
cido, de arquivos de músicas - levei um choque com
o número de "lixo" que é instalado junto!
B. Piropo informa que alguns desses "lixos" rodam
o tempo todo, em segundo plano, prejudicando o fun-
cionamento do micro.
Ele também informa endereços que fazem o sanea-
mento. O que ele recomenda como melhor, segundo
a revista americana PC Magazine, edição de 22/4/03,
está lá. Recomenda baixá-lo, instalá-lo e executá-lo.
DÁ ATÉ MEDO DE TENTAR. Ele executou no micro
antes de escrever a coluna e encontrou 43 infestações
- ele, que é um "cobra", lê todas as EULAs, tem todas
as proteções, conhece profundamente o funcionamento
de micros!
É de assustar!
NÃO DEIXE DE LER!
Cochichado pela Bisbilhoteira on 14:18 | *